O Centro de Oncologia dos Açores (COA) participa num projecto europeu destinado a melhorar a qualidade e, sobretudo, a rapidez com que os dados sobre o cancro são recolhidos, tratados e disponibilizados para comparação entre países. O CancerWatch, iniciado em Setembro de 2025, já realizou o maior levantamento de registos oncológicos alguma vez promovido a nível europeu, com 192 registos a fornecerem informação detalhada sobre o respectivo funcionamento, qualidade dos dados, dificuldades e capacidade para produzir novas estatísticas em tempo útil.
A participação açoriana é assegurada pelo Centro de Oncologia dos Açores, enquanto entidade afiliada do Instituto Português de Oncologia do Porto, que participa como entidade nacional competente e coordenadora do Registo Oncológico Nacional. O COA integra o trabalho juntamente com os restantes registos oncológicos portugueses, do Continente e da Madeira. O portal oficial do organismo açoriano identifica um valor de 41.414,38 euros associado à sua participação no CancerWatch, que decorre entre 2025 e 2028.
O projecto pretende atacar uma dificuldade que condiciona a análise do cancro na Europa: os registos existentes não apresentam sempre o mesmo grau de actualização, cobertura, completude ou qualidade. Estas diferenças tornam mais difícil comparar a evolução da doença entre países e regiões e avaliar, com dados suficientemente recentes, indicadores como a incidência, prevalência e sobrevivência. O objectivo do CancerWatch é harmonizar procedimentos e tornar a informação produzida pelos registos mais comparável e mais rapidamente disponível através do European Cancer Information System (ECIS), o sistema europeu de informação sobre o cancro.
A Agência de Execução Europeia da Saúde e do Digital (HaDEA) revelou, numa actualização publicada a 6 de Agosto de 2026, que o projecto concluiu a fase inicial de recolha de dados para o ECIS e realizou um levantamento junto de 192 registos oncológicos. Esta avaliação procurou perceber como funcionam estas estruturas, que qualidade apresentam os dados e quais os principais obstáculos à produção mais rápida de estatísticas actualizadas sobre o cancro.
O CancerWatch está também a desenvolver protocolos comuns para calcular indicadores de sobrevivência e prevalência. Em paralelo, foi criada uma primeira versão de uma ferramenta informática destinada ao cálculo de indicadores epidemiológicos, que, segundo a HaDEA, se encontrava em fase de testes-piloto junto de registos oncológicos. O propósito é tornar mais uniforme e eficiente a produção de informação comparável entre diferentes países.
Outra vertente passa pela ligação técnica dos registos nacionais e regionais ao ECIS e pela preparação da futura utilização desta informação no Espaço Europeu de Dados de Saúde. O trabalho inclui a definição de normas comuns para os metadados e para a interoperabilidade, isto é, para permitir que diferentes sistemas consigam trocar e interpretar informação de forma compatível.
O projecto tem um orçamento global de 16.249.841 euros, dos quais 12.999.873 euros, correspondentes a 80%, são assegurados pela União Europeia através do programa EU4Health. Começou a 1 de Setembro de 2025 e deverá terminar a 31 de Agosto de 2028. Portugal está entre os 29 países abrangidos pela iniciativa.
Para os Açores, a participação assume particular relevância pela possibilidade de integração dos dados regionais num processo europeu que pretende aumentar a actualidade e comparabilidade da informação oncológica. O projecto, contudo, não significa que estejam já disponíveis novos indicadores específicos para os Açores: a documentação consultada confirma a participação do COA e os avanços gerais do CancerWatch, mas não apresenta ainda novos resultados regionais sobre incidência, prevalência ou sobrevivência ao cancro.
