“É só uma fase!” Quantas vezes ouvimos esta frase quando falamos de adolescentes? E quantas outras ouvimos: “Isto não é normal!”?
Entre cabelos e roupas diferentes, horas agarrados ao telemóvel, portas fechadas, mudanças de humor, novos grupos de amigos, dúvidas sobre sexualidade ou a forma como se identificam, os adolescentes podem deixar os pais perplexos, preocupados e, por vezes, verdadeiramente frustrados.
Mas nem tudo aquilo que nos incomoda é um problema de saúde mental!
Experimentar estilos, maquilhar-se, procurar novas formas de expressão, apaixonar-se, questionar a própria orientação sexual ou identidade de género fazem parte, para muitos jovens, de um processo de construção da identidade. Não precisam de ser corrigidos para que a sua saúde mental seja protegida. Precisam, sobretudo, de espaço para se conhecerem e de adultos disponíveis para os escutar.
Já o uso excessivo de ecrãs merece outra atenção. O problema não é simplesmente “passar demasiado tempo no telemóvel”, mas perceber o que está a acontecer: está a prejudicar o sono? O desempenho escolar? As relações? A atividade física? Está a ser utilizado para evitar emoções, solidão ou ansiedade? Nesse caso, mais do que uma guerra pelo telemóvel, precisamos de perceber o que está por detrás do comportamento.
E há o outro extremo, aquilo que os adultos podem desvalorizar e não deviam. Tristeza persistente, ansiedade intensa, isolamento, alterações marcadas do sono ou do apetite, perda de interesse, queda do rendimento escolar, sentimentos de inutilidade ou referências à morte.
Educar um adolescente implica tolerar alguma incerteza. Nem sempre vamos compreender as suas escolhas e nem todas precisam da nossa aprovação. O desafio é distinguir “isto não corresponde ao que eu esperava” de “isto está a causar sofrimento”.
A saúde mental dos adolescentes protege-se menos pelo controlo e mais pela relação – Limites claros, curiosidade em vez de julgamento, disponibilidade para ouvir e capacidade para pedir ajuda quando é necessário.
Porque, por vezes, o que parece uma provocação é apenas um jovem a tentar descobrir-se. E noutras, aquilo a que chamamos “uma fase” é um sofrimento silencioso que precisa de ser ouvido.
Fique bem, pela sua saúde e a de todos os Açorianos!
Um conselho da Delegação Regional dos Açores da Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Joana Amen *
* Psicóloga e Vogal da Direção da Delegação Regional dos Açores da OPP