O Arquipélago dos Açores representa para Portugal o seu pé-de-meia dourado em vários aspetos económicos. Aqui vai uma pontinha deles:
“Ao abrigo da Convenção das Nações Unidas sobre o Mar, Portugal apresentou uma proposta, em 2009, para alargar a jurisdição sobre o solo e subsolo marinhos para lá das 200 milhas náuticas da Zona Económica Exclusiva (ZEE), esperando juntar mais 2,15 milhões de quilómetros à área emersa. Ao contrário da ZEE, que dá jurisdição tanto sobre a coluna de água como sobre o fundo do mar, a extensão da plataforma confere jurisdição exclusivamente sobre o solo e subsolo marinhos. (GaCS/GM) Numa montanha submarina, nas águas do Oceano Atlântico, está um tesouro de raros minerais. Uma equipa de investigadores do Centro Nacional de Oceanografia (NOC, na sigla em inglês) do Reino Unido identificou uma crosta de rochas extremamente rica em minerais raros nas paredes desse monte, a 500 quilómetros das Ilhas Canárias. Amostras trazidas à superfície detetaram a presença de uma substância rara conhecida como telúrio em concentrações 50 mil vezes mais elevadas que as já identificadas na terra. O telúrio, comum em ligas metálicas, é usado em tipos avançados de painéis solares. O monte submarino, cujo nome é Tropic, tem três mil metros de altura e o seu cume fica a mil metros da superfície. Os pesquisadores do Centro Oceanográfico Nacional (NOC) do Reino Unido usaram robôs submarinos para investigar a crosta de quatro centímetros de espessura de grãos finos que cobre toda a superfície da montanha. Bram Murton, líder da expedição que explora a Tropic, contou à BBC que esperava encontrar minerais em abundância no local, mas jamais imaginou que as concentrações dos mesmos seriam tão elevadas. “Esta crosta é incrivelmente rica e é isso que faz com que estas rochas sejam incrivelmente especiais e valiosas do ponto de vista de recursos”, explicou. Murton calcula que as 2.670 toneladas de telúrio da montanha equivalem a um duodécimo de todo o consumo mundial.” Portugal possui já equipamento para pesquisa submarina de altas profundidades, através do EMEPC (Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental). “… A plataforma estendida dará mais fundos ao mar dos Açores e de Portugal. Dará ainda soberania sobre uma vastíssima extensão de fundos oceânicos, que também justifica a evolução adaptativa do nosso modelo autonómico…” (Filipe Porteiro, Diretor Regional dos Assuntos do Mar). Esta temática deve interessar-nos de forma especial, tratando-se dos nossos mais profundos interesses enquanto insulares. E não é, certamente, com esta autonomia em camisa-de-força que nos deixam esmolar por especial favor os senhores do feudo lisboeta. O Mar é o grande ativo dos açorianos no futuro próximo e nem que tenhamos de apelar às instâncias internacionais, caso Portugal opte por ignorar a respetiva compensação de tudo o que seja retirado dos mares açorianos. Afinal, à custa dos Açores, Portugal ficará com um dos maiores territórios submersos do mundo. Adaptar a Autonomia aos tempos que correm, para que o Povo Açoriano possa igualmente usufruir das enormes riquezas submarinas que lhes bate às portas, é o dever urgente dos políticos insulares de todos os quadrantes.
Para além do Mar enquanto recurso privilegiado, o espaço aéreo dos Açores é de 5.180.000 km2 (FIR Oceânica de Santa Maria — Açores + enorme área do Atlântico Norte), comparativamente com os 671.000 km2 da FIR de Lisboa — Portugal Continental + Madeira. Daqui se depreende que o espaço aéreo açoriano é mais de sete vezes maior do que o mesmo espaço Portugal-Madeira juntos. Os recursos financeiros de todo o tráfico aéreo transatlântico que atravessa o espaço aéreo açoriano nunca foi revelado e o controlo em Santa Maria (NAV Portugal) da responsabilidade do governo da república, tampouco informam. São milhões e milhões anuais, pagos por todas as companhias aéreas que operam entre a Europa as Américas e o resto do mundo. Todo este secretismo político que gira à volta dos inúmeros rendimentos financeiros é astutamente evitado por todos os partidos e suas sucursais insulares.
José Soares*