Era já lindo o luar
Em vésperas de lua cheia,
E no chão da galeria
A sombra que ali fazia
Lembrava grades d´uma cadeia.
E como presidiário,
Ali fiquei solitário
Naquela prisão virtual,
Olhando pela vidraça
Vejo como se disfarça
De cheia já como igual.
Argêntea é a cor que veste
E vem das bandas de leste
Resoluta e decidida,
Da noite se faz senhora
E sem delongas nem demora
Vai fazendo sua subida.
Fiquei a vê-la subindo,
Como inocente sorrindo,
Serena meiga e doce.
E se mal redonda ainda,
No seu luar já vai linda
Como se cheia já fosse.
Vila Alda, 2026
Laureano Almeida