A atividade turística nos Açores voltou a recuar em Agosto. O conjunto da hotelaria, alojamento local e turismo no espaço rural registou 695.328 dormidas, menos 2,6% do que no mesmo mês de 2025. A quebra prolonga uma tendência que já dura há vários meses: segundo os resultados preliminares divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), a variação homóloga mensal do número total de dormidas permanece negativa desde outubro de 2025.
A redução de agosto atingiu tanto o turismo interno como a procura proveniente do estrangeiro. Os residentes em Portugal foram responsáveis por 125.021 dormidas, equivalentes a 18,0% do total, registando uma diminuição homóloga de 6,1%. Os residentes no estrangeiro geraram 570.307 dormidas, ou 82,0% do total, menos 1,8% do que um ano antes.
O número de hóspedes também diminuiu de forma mais acentuada do que as dormidas. Em agosto, os estabelecimentos turísticos açorianos receberam 190.924 hóspedes, menos 4,9% em termos homólogos. Em contrapartida, a estada média aumentou 2,4%, para 3,64 noites, o que significa que, apesar de terem chegado menos hóspedes, a duração média das estadias foi superior à observada em agosto de 2025.
A evolução foi, contudo, diferente entre os vários segmentos do alojamento turístico. O alojamento local, responsável por 48,7% das dormidas, registou 338.785 dormidas, uma redução homóloga de 4,8%. A hotelaria, com 320.519 dormidas e um peso de 46,1%, cresceu 0,7%. Já o turismo no espaço rural, que representou 5,2% do total, contabilizou 36.024 dormidas, menos 9,8%.
A hotelaria consegue, assim, contrariar a tendência geral pelo quarto mês consecutivo, enquanto o alojamento local permanece maioritariamente em terreno negativo desde Novembro de 2025, com excepção de março deste ano. A situação é mais prolongada no turismo rural, onde as dormidas apresentam uma variação homóloga negativa há 11 meses consecutivos.
Nos mercados internacionais, Espanha continuou a ser em Agosto o principal mercado emissor para o conjunto do alojamento turístico açoriano, com 90.893 dormidas, correspondentes a 15,9% das dormidas de residentes no estrangeiro, mas registou uma quebra de 21,4%. A Alemanha ocupou a segunda posição, com 83.233 dormidas e um crescimento de 2,0%, seguida dos Estados Unidos da América, com 82.072 dormidas e uma subida expressiva de 19,0%. Os oito principais mercados externos representaram, em conjunto, 79,6% das dormidas de residentes no estrangeiro.
Entre os principais mercados analisados pelo SREA, o Canadá apresentou o maior crescimento homólogo, de 68,4%, atingindo 40.536 dormidas. Seguiram-se Israel, com uma subida de 39,4%, e a Ucrânia, com 31,0%. Em sentido contrário, as reduções mais pronunciadas verificaram-se no Brasil, com -26,4%, Espanha, com -21,4%, e Reino Unido, com -16,8%.
A análise territorial disponível para a hotelaria e alojamento local, que em conjunto representaram 94,8% de todas as dormidas registadas em agosto, mostra que apenas Flores e Faial tiveram crescimento homólogo. As Flores avançaram 6,7% e o Faial 0,4%. As restantes ilhas registaram diminuições: Corvo -21,9%, Graciosa -6,7%, Terceira -4,4%, São Miguel -2,5%, Santa Maria -1,9%, Pico -1,1% e São Jorge -0,5%.
São Miguel manteve uma posição claramente dominante neste conjunto da hotelaria e alojamento local, com 423.357 dormidas, equivalentes a 64,2% do total. Seguiram-se a Terceira, com 85.934 dormidas e 13,0%, o Pico, com 56.258 e 8,5%, e o Faial, com 43.320 dormidas, correspondentes a 6,6%.
A hotelaria apresentou um desempenho mais favorável do que os restantes segmentos. As 320.519 dormidas representaram um crescimento homólogo de 0,7%, impulsionado pelos mercados externos, que aumentaram 3,5%, para 244.958 dormidas. Já o mercado nacional caiu 7,3%, para 75.561 dormidas. Os proveitos totais da hotelaria cresceram 4,5%, atingindo 37,0 milhões de euros, enquanto os proveitos de aposento subiram 3,8%, para 29,6 milhões. O rendimento médio por quarto disponível, RevPAR, situou-se em 157,99 euros, e o rendimento médio por quarto utilizado, ADR, em 183,35 euros.
O alojamento local apresentou a evolução oposta. As dormidas diminuíram 4,8%, para 338.785, e os hóspedes recuaram 8,4%, para 83.756. A estada média aumentou 4,0%, alcançando 4,04 noites, enquanto a taxa bruta de ocupação-cama caiu 2,7 pontos percentuais, para 50,9%. O SREA refere ainda que 11,3% dos estabelecimentos de alojamento local activos que responderam ao inquérito declararam não ter tido movimento de hóspedes em agosto, mais 1,6 pontos percentuais do que um ano antes.
O turismo no espaço rural registou a quebra mais acentuada dos três segmentos, com 36.024 dormidas, menos 9,8%. A redução resultou sobretudo dos mercados externos, que recuaram 11,7%, para 30.058 dormidas, enquanto as dormidas de residentes em Portugal cresceram 0,9%, para 5.966. Os proveitos totais deste segmento diminuíram 3,9%, para cerca de 4,2 milhões de euros, e os proveitos de aposento recuaram 5,1%, para aproximadamente 3,6 milhões.
O balanço acumulado dos primeiros oito meses de 2026 confirma a trajectória negativa do conjunto da actividade turística. Entre Janeiro e Agosto foram contabilizadas 3.202.078 dormidas, menos 3,1% do que no mesmo período de 2025, e 951.730 hóspedes, uma redução de 3,4%. A estada média aumentou ligeiramente, 0,4%, para 3,36 noites. No mesmo período, a hotelaria cresceu 0,5% em dormidas, enquanto o alojamento local recuou 6,1% e o turismo no espaço rural caiu 11,3%.
A evolução açoriana contrasta com a registada no conjunto do país. Segundo os dados reproduzidos pelo SREA, as dormidas em Portugal aumentaram 1,7% em agosto e 1,5% entre Janeiro e Agosto, face aos períodos homólogos. Os dados dos Açores relativos a agosto são ainda preliminares, enquanto os resultados de Janeiro a Julho de 2026 permanecem provisórios e podem ser revistos posteriormente.
