A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou, entre Janeiro e Agosto deste ano, 45 pessoas idosas residentes nos Açores, número que corresponde a 2,6% das 1.733 pessoas idosas apoiadas pela associação em todo o país durante os primeiros oito meses de 2026. Os dados constam das estatísticas “Pessoas Idosas Apoiadas”, divulgadas pela APAV em Outubro.
Os Açores surgem, assim, entre os territórios abrangidos pelo apoio prestado pela associação, que chegou a pessoas idosas residentes nos 18 distritos de Portugal continental e nas duas regiões autónomas. No conjunto nacional, foram apoiadas pessoas provenientes de 186 dos 308 municípios portugueses, correspondentes a 60,4% do total de concelhos do país. Nove das pessoas apoiadas residiam fora de Portugal e, em 149 casos, correspondentes a 8,6%, não existia informação disponível sobre o local de residência.
A informação disponibilizada pela APAV permite identificar o número de pessoas apoiadas residentes nos Açores, mas não apresenta uma desagregação regional dos crimes ou formas de violência, do perfil das vítimas ou das pessoas agressoras.
A nível nacional, a APAV contabilizou 1.927 crimes e formas de violência associados às 1.733 pessoas idosas apoiadas, explicando que uma mesma pessoa pode ter sido vítima de mais do que um crime ou forma de violência em simultâneo. A violência doméstica representou 55,3% das situações registadas. Seguiram-se, entre as categorias identificadas, a ameaça ou coação, com 5,8%, a burla, com 4,5%, as ofensas à integridade física, com 4,4%, a difamação ou injúria, com 3,2%, e os maus-tratos associados a violência institucional, com 1,9%. Em 14% dos casos ainda não tinha sido possível apurar a natureza da situação e 10,9% foram enquadrados noutras formas de crime ou violência.
As mulheres constituíram a larga maioria das pessoas idosas apoiadas pela APAV: 1.294, correspondentes a 74,7% do total. Os homens representaram 22,4%, com 389 pessoas, enquanto três casos foram classificados na categoria “outro” e em 47 não existia informação disponível. A faixa dos 65 aos 69 anos foi a mais representada, com 457 pessoas, seguindo-se os 70 aos 74 anos, com 428.
A APAV adverte, contudo, que os dados relativos às pessoas apoiadas não são diretamente comparáveis com os de anos anteriores devido a uma revisão dos critérios de contabilização.
As relações familiares assumem um peso expressivo nos dados nacionais. Entre as 1.883 relações contabilizadas entre vítima e pessoa agressora, 636, ou 33,8%, correspondiam à categoria “filha/o ou mãe/pai”, enquanto o cônjuge representava 370 relações, equivalentes a 19,6%. A APAV esclarece que uma mesma pessoa pode estar integrada em mais do que uma relação, razão pela qual o número de relações é superior tanto ao número de pessoas idosas apoiadas como ao de pessoas agressoras.
Quanto à apresentação de denúncia às autoridades policiais ou judiciárias, 703 dos 1.927 crimes ou formas de violência contabilizados tinham dado origem à formalização de denúncia, enquanto em 493 casos não tinha existido denúncia e em 731 não havia informação disponível. Entre os motivos indicados para a não apresentação de denúncia, o medo representava 14,6%, a dependência afectiva relativamente à pessoa agressora 9,1%, o desconhecimento dos direitos 7,9% e a vergonha 7,1%.
A residência comum da pessoa idosa e da pessoa agressora foi o local mais frequentemente indicado para a ocorrência dos crimes ou situações de violência, representando 42,2% dos 1.927 registos nacionais. A residência exclusiva da pessoa idosa representou 12,1%, enquanto 3,2% das situações ocorreram através de plataformas online, 3,1% na via pública e 3% na residência exclusiva da pessoa agressora.
