Caro leitor, em tempos em que todos acham que têm razão e querem gritar mais do que o do lado, chega a hora de fazer uma pausa. Não é uma despedida, mas antes um até já, com a sincera certeza de voltar.
Esta coluna tem sido, para mim, uma espécie de arrolamento semanal do que vejo, do que penso e, sobretudo, do que não deve ser silenciado. Escrevê-la não é apenas cumprir um compromisso editorial — é um exercício de disciplina e de humildade. Mas também de partilha. Ao longo dos textos, discuti políticos e ficções, tensões europeias e novelas políticas de verão, e, com tudo isso, aprendi, em cada passo, um pouco mais sobre o ofício de escrever para ser lido.
Mas há alturas em que é preciso escolher, e escolher bem é também uma forma de respeito — por quem escreve e por quem lê. Este é um desses momentos. Outros compromissos pedem atenção, e a escrita, para ser honesta, precisa de um espaço que agora não tenho para lhe dar. Prefiro uma pausa assumida a um texto escrito só para cumprir calendário.
Não vos devo explicações, mas devo-vos isto: obrigado. A quem me lê há anos e a quem começou há pouco, a quem concorda e a quem discorda — sobretudo a quem discorda, porque é aí que uma crónica cumpre verdadeiramente a sua função. Obrigado também ao Diário dos Açores, ao seu diretor, Paulo Viveiros, por ter aceitado publicar os textos sem qualquer restrição.
Levo comigo muitos temas sobre os quais ainda não escrevi, ficarão guardados para quando voltar. E voltarei — com o mesmo à-vontade de sempre, ou talvez com outro, porque as pausas também mudam quem escreve, e não há mal nenhum nisso.
Até já, então. Que janeiro chegue depressa, e que a luz volte a cobrir o mundo. Se não de esperança, pelo menos de inteligência.
Luís Soares Almeida
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