Os Açores apresentam um dos contrastes mais marcados entre escolaridade e integração no mercado de trabalho entre as regiões da União Europeia. Em 2025, 56,7% da população açoriana dos 25 aos 64 anos tinha um baixo nível de escolaridade formal, a segunda percentagem mais elevada da União Europeia. Em sentido diferente, 94,6% das pessoas da mesma faixa etária com Ensino Superior estavam empregadas, a taxa mais elevada entre as regiões da UE. Os dois indicadores medem populações distintas e, por isso, não estabelecem qualquer relação causal entre baixa escolaridade e emprego dos mais qualificados.
Os dados sobre escolaridade constam da publicação “Regions in Europe – 2026 edition”, divulgada pelo Eurostat em 23 de Setembro de 2026, que reúne um conjunto alargado de indicadores sobre as condições sociais, económicas e ambientais das regiões europeias. A edição utiliza a classificação territorial NUTS 2024 e trabalha, na maioria dos indicadores, ao nível NUTS 2, que inclui a Região Autónoma dos Açores.
No capítulo dedicado à educação, o Eurostat revela que, em 2025, 18,8% da população da União Europeia entre os 25 e os 64 anos possuía um baixo nível de educação formal, definido como não tendo ultrapassado o lower secondary education. Trata-se dos níveis 0 a 2 da Classificação Internacional Normalizada da Educação (ISCED).
Nos Açores, essa proporção atingia 56,7%, praticamente três vezes o valor médio da União Europeia. Apenas a região ultraperiférica francesa de Mayotte apresentava uma percentagem superior, de 72,2%. A Madeira surgia imediatamente depois dos Açores, com 48,7%. O próprio Eurostat identifica estas três regiões como aquelas onde se verificavam as maiores proporções de população dos 25 aos 64 anos com baixa escolaridade.
O cenário altera-se quando se observa exclusivamente a população com formação superior. Os dados do Eurostat regional yearbook 2026, no capítulo sobre o mercado de trabalho regional, mostram que os Açores registaram em 2025 a maior taxa de emprego da União Europeia entre as pessoas dos 25 aos 64 anos com Ensino Superior. A taxa açoriana atingiu 94,6%, contra uma média comunitária de 88,1% para as pessoas com este nível de escolaridade.
O Eurostat considera neste grupo as pessoas com níveis de educação terciária ISCED 5 a 8, abrangendo diferentes graus de ensino superior. Em toda a União Europeia havia, em 2025, 83 regiões NUTS 2 onde pelo menos 90% das pessoas dos 25 aos 64 anos com formação superior estavam empregadas. Os Açores encontravam-se no topo desta distribuição.
Depois dos 94,6% dos Açores, as taxas mais elevadas encontravam-se em Yugozapaden, na Bulgária, com 93,6%, na região de Varsóvia, na Polónia, com 93,5%, em Nord-Est, na Roménia, com 93,4%, e em Bratislavský kraj, na Eslováquia, e Centru, na Roménia, ambas com 93,3%. Ou seja, a distância entre os Açores e a segunda região europeia neste indicador era de um ponto percentual.
A posição açoriana não é nova. Já em 2024, segundo a edição de 2025 do Eurostat regional yearbook, a Região apresentava a maior proporção da UE de pessoas com ensino superior empregadas, com 93,9%. A taxa passou, assim, de 93,9% em 2024 para 94,6% em 2025, uma diferença de 0,7 pontos percentuais entre os valores publicados para os dois anos. No conjunto da União Europeia, a taxa correspondente passou de 87,8% para 88,1%.
Os números revelam, deste modo, duas características simultâneas da estrutura educativa e laboral açoriana. Por um lado, mais de metade da população entre os 25 e os 64 anos encontra-se no grupo de menor escolaridade considerado pelo Eurostat, colocando os Açores apenas atrás de Mayotte no conjunto das regiões comunitárias. Por outro, entre os residentes que possuem Ensino Superior, a proporção que está empregada é superior à registada em qualquer outra região da União Europeia.
Esta última conclusão não significa, porém, que 94,6% dos açorianos com formação superior exerçam profissões que exijam esse nível de qualificação. O indicador do Eurostat mede a situação perante o emprego das pessoas com educação terciária, não a correspondência entre a formação académica e a profissão desempenhada. Por essa razão, os dados não permitem falar, com o mesmo significado, numa taxa de 94,6% de “emprego qualificado”.
A “Regions in Europe – 2026 edition”, publicada pelo serviço estatístico da União Europeia a 23 de setembro, esclarece ainda que os textos que acompanham as visualizações foram finalizados em julho de 2026 e refletem a informação estatística disponível nessa altura. A publicação procura precisamente permitir a comparação das condições sociais e económicas entre as diferentes regiões europeias, para além das médias nacionais.
