A população estrangeira atualmente a residir em Portugal é de cerca de 1,5 milhões de pessoas, o que representa aproximadamente 14,5% da população total do país, tendo como base os Censos de 2021. No que se refere à população ativa trabalhadora, a de origem imigrante tem um peso aproximadamente da mesma ordem, embora deva ser superior, como acontece em todos os países recetores de imigração.
Num país com uma forte crise demográfica, como é Portugal, diríamos mesmo a atravessar um “inverno demográfico”, os imigrantes são fundamentais para contrariar o saldo natural negativo que ocorre na população portuguesa.
O contributo dos imigrantes para a Segurança Social também é muito importante para a sua própria sustentabilidade, já que, atualmente, pagam mais prestações do que recebem.
Pode-se afirmar, sem receio, que os imigrantes são essenciais para garantir que o país funciona, praticamente em todos os setores de atividade económica e social, como as pescas, a agricultura, a restauração, a hotelaria, as limpezas, a construção civil e os transportes, mas também nas escolas e em tantos outros serviços. Imigrantes com formação superior também são uma realidade, embora em número bastante menor.
Por exemplo, em Lisboa, sem a participação dos imigrantes, meia cidade pararia. Isto é uma realidade.
Acresce que Portugal sempre foi um país de emigração e sabe dar valor ao que é ser imigrante noutros países.
É importante regular a imigração, estabelecer regras nos fluxos imigratórios, mas não ostracizar os imigrantes nem tratá-los mal, porque isso é desumano e, no nosso caso concreto, a negação da nossa própria história e uma falta grave de inteligência.
Gualter Furtado