United Airlines vai continuar nos Açores  no próximo Verão
Diário dos Açores

United Airlines vai continuar nos Açores no próximo Verão

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A companhia aérea United Airlines vai continuar a operar nos Açores no próximo Verão, disse ontem a Secretária Regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas.
 “Aproveito para dizer que a United [Airlines] vai continuar a voar nos Açores no próximo Verão”, disse Berta Cabral.
A governante falava no primeiro dia dos trabalhos do plenário do período legislativo de Setembro, o primeiro após as férias de Verão, da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, na Horta, em resposta a uma interpelação do deputado socialista Vasco Cordeiro ao Governo Regional  sobre transportes aéreos.
“Por muito que isso vos custe [aos socialistas], porque efectivamente, a dada altura, eu pensei, e ainda estou em dúvida, se a vontade do PS era mesmo que Ryanair se fosse embora e tudo isto não desse certo. Mas deu. Deu certo. Porque a posição de princípio da Ryanair era deixar os Açores e nós fizemos tudo para que isso não acontecesse”, prosseguiu.
Na sua opinião, a manutenção da Ryanair nos Açores, embora com voos mais reduzidos no Inverno, significa que o Governo Regional conseguiu o objectivo. A governante referiu, na resposta a Vasco Cordeiro, que o processo com a Ryanair “é absolutamente transparente” e o mesmo “está na praça pública para todos os açorianos conhecerem”.
“Portanto, rejeito completamente as suas afirmações de falta de transparência, de falta de informação atempada e de arrogância do Governo. (…) Porque tiveram a informação toda no momento em que ela existia toda, porque ela só existe toda quando terminam as conversações”, disse, lembrando que envolveu a Ryanair, o Governo açoriano, a Visit Azores, a Ana Vinci e o Turismo de Portugal.
No decorrer do debate, Berta Cabral disse também que a Ryanair é uma companhia que “traz turismo para os Açores” e que os empresários apreciam.
 “Se hoje a Azores Airlines está em privatização é porque alguém enterrou a Azores Airlines”, afirmou de seguida, dirigindo-se a Vasco Cordeiro, que já foi líder do Executivo açoriano.
Segundo a Secretária do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas dos Açores, neste momento, apesar dos processos de privatização em curso, a TAP “já aumentou significativamente o número de voos para os Açores para o Inverno” e a SATA Internacional “já aumentou também muito significativamente os voos para o Inverno”.
“E é assim que o mercado funciona”, rematou Berta Cabral. 
Na sua interpelação, Vasco Cordeiro também perguntou ao Governo Regional qual o valor global que vai ser assumido com a operação da Ryanair, tendo a governante respondido que é de 1,8 milhões de euros no primeiro ano e de 2,3 milhões de euros no segundo ano (com a duplicação das rotas internacionais).
A concluir, Berta Cabral admitiu que o acordo com a Ryanair “foi um bom acordo”, porque a empresa “queria deixar os Açores”: “Sendo assim, temos que considerar que o desfecho foi positivo”. 
A Secretária do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas também disse que é preciso “mais respeito” pelos empresários e pelo turismo porque é um sector que representa 538 milhões de euros por ano (cerca de 12% do PIB) para a economia regional.
Os proveitos do turismo estão a crescer “mais e mais todos os anos” e este ano registaram um aumento de 18%, esclareceu. 
Por sua vez, Vasco Cordeiro salientou que o Governo Regional actuou, no caso da redução de voos e possibilidade de saída da Ryanair dos Açores, de forma “totalmente alheada do impacto que esta matéria tem na economia da Região, sobretudo da economia das empresas e das famílias açorianas, representando um retrocesso na mobilidade dos açorianos”! 
Vasco Cordeiro destacou que toda esta situação despoletou “uma óbvia alteração de condições de acessibilidades aéreas à Região”, com um impacto de “dezenas de milhares de lugares disponíveis”.
O Presidente do PS/Açores considerou que as empresas açorianas, sobretudo as ligadas ao turismo, precisam de uma “informação clara, precisa, atempada e concreta para o seu planeamento, sobretudo no período de Inverno”, algo que o Governo da coligação não está a providenciar. 
Por seu lado, o Presidente do Grupo Parlamentar do PSD/Açores, João Bruto da Costa, considerou que o PS e Vasco Cordeiro “mantêm uma visão retrógrada da mobilidade aérea dos açorianos”, insistindo “na tentativa de fazer esquecer que impediram, durante anos, a liberalização do nosso espaço aéreo”.
 O social-democrata referiu que Vasco Cordeiro “esteve duas décadas na bancada do Governo, e estes senhores [do PS], foram os mesmos que impediram a abertura dos Açores ao mundo. Porque, acima de tudo, o PS queria manter tudo na mesma”.
 “Senti uma enorme estupefacção, ou até vergonha alheia, ao ver o deputado Vasco Cordeiro, com um ar de líder do futuro dos Açores e de quem sabe o que é melhor para o transporte aéreo da Região, vir agora falar de planeamento, de acessibilidades, de milhares de passageiros e do seu impacto económico”, partilhou Bruto da Costa. 
Também António Lima acusa o Governo Regional de “arranjar subterfúgios para atribuir subsídios à Ryanair que, num estado de direito, podiam ser classificados como corrupção”. 
O Bloco de Esquerda considera que o acordo alcançado com a companhia aérea low-cost “é vergonhoso e indecente” porque “o povo dos Açores vai pagar 2 milhões de euros por ano para a Ryanair fechar a base de Ponta Delgada, despedir trabalhadores e reduzir o número de voos”.
“Se este subsídio fosse entregue à Ryanair através de um concurso público com vencedor decidido à partida, estaríamos a falar de corrupção em qualquer estado de direito, mas como este subsídio é entregue através de intermediários como a Visit Azores, partido em pequenos ajustes diretos e disfarçados de ‘promoção de destino’ então é tudo legal”, disse o deputado do Bloco de Esquerda.
“O Governo que diz querer acabar com a subsidiodependência vai subsidiar uma empresa que teve lucros de 663 milhões de euros no ano passado”, apontou António Lima.
As contradições do Presidente do Governo sobre a relação da Região com a Ryanair são evidentes: por um lado, Bolieiro diz que “é o mercado a funcionar e que por isso nada pode fazer”, mas ao mesmo tempo “passa o cheque de 2 milhões de euros à Ryanair”.
José Pacheco, do Chega, disse que “não podemos andar em chantagem de promoções malucas que o Governo Regional faz, abanando com dinheiro às companhias aéreas. Devemos promover os Açores como destino de excelência, para que qualquer companhia aérea queira para cá vir”.
No debate, o parlamentar defendeu que o transporte aéreo dos Açores para o exterior não depende única e exclusivamente da Ryanair – “que foi essa a mensagem que passou neste debate” – porque não é efectivamente assim que funciona. “Nós acreditamos que o que funciona é a promoção dos Açores”, relembrando até o compromisso estabelecido entre o Chega e o Governo Regional de uma agenda digital e em papel, distribuída nos grandes centros de promoção turística, mas que até agora não viu a luz do dia.

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