Dois livros de um novo autor açoriano lançados pela Companhia das Índias

A Companhia das Ilhas publica este mês dois livros de um novo autor açoriano: Francisco Medeiros (Horta, 1968): “Sabor a Ferrugem” e “Caderno de Campo”. “Sabor a Ferrugem” é um conjunto de contos que atravessa de forma avulsa a realidade açoriana. Entre presente e passado, a crueza dos sentimentos e das vidas sem glória irrompem em contraste com a beleza dos lugares. São histórias que, embora isoladas como ilhas, por vezes se ligam entre si, originando possibilidades de um arquipélago. Para uma navegação sem mapa. O “Caderno de Campo” é uma colectânea de poemas que reflecte as vivências do autor com as coisas da terra, do corpo e do amor e da arte de velejar. Através da dimensão simbólica da natureza, nomeadamente das plantas e do mar, encontramos o questionamento individual diante do mundo e da palavra – a procura de um espaço imaterial por entre a superfície das coisas e o passar dos dias. Francisco Medeiros nasceu em 1968. Estudou Engenharia Agronómica Tropical na Universidade Técnica de Lisboa. Tem desenvolvido a vida profissional nas áreas da agricultura e do turismo. Vive nos Açores, é casado e pai de três filhos. Nesta primeira semana de Julho começou a sair para as livrarias de todo o país, uma obra celebrada nos anos 90: “Do Corvo a Santa Maria”, do poeta e professor Joaquim Manuel Magalhães, em segunda edição corrigida e aumentada. Neste ano de 2026, a Companhia das Ilhas publicou um novo romance de Maria Brandão: “Greta”, e reeditou dois livros esgotados: “Almas Cativas”, de Roberto de Mesquita, e “Novas Estórias Açorianas”, de Carlos Alberto Machado. E o grande clássico açoriano de todos os tempos: “Mau Tempo no Canal”, de Vitorino Nemésio, em parceria com a Imprensa Nacional. Neste mesmo ano de 2026, a Companhia das Ilhas viu a Direcção Regional da Cultura negar-lhe o apoio à publicação de livros de autores açorianos. A Companhia das Ilhas foi fundada em 2011 e já leva quase 400 títulos editados.
Nova edição de Ogygia: Revista Literária já disponível
O terceiro número de Ogygia: Revista Literária, sobre o tema Mágoas, Dores e outros Dissabores, acaba de ser publicada e, já está disponível ao público ao preço de custo, sem qualquer lucro para Moonwater Editions, Bruma Publications ou para as co-editoras da revista. O preço de impressão e de venda ao público de cada edição depende do número de folhas, mas será sempre posta à venda pelo preço mínimo, conforme salienta Avelina da Silveira, editora de Moonwater Editions, que, em associação com a Bruma Publications of Fresno University, em Califórnia, publica a revista. Ogygia: Revista Literária é uma revista única no panorama literário português porque é criada e publicada por três mulheres, Paula de Sousa Lima, Vera Pires e Avelina da Silveira, e todos os contributos literários, de investigação e artísticos são exclusivamente de mulheres para o mundo. Queremos apresentar o que de melhor se faz no mundo lusófono e na diáspora açoriana e difundir essa excelência, feita por mulheres, para enriquecer a língua portuguesa e a cultura açoriana, tanto nas ilhas como nas comunidades espalhadas pelo mundo. “Começou como o sonho de uma revista modesta, mas da melhor qualidade, e transformou-se em algo notável. Desde o início, queremos que seja uma revista online, semestral e gratuita porque acreditamos na democratização do acesso à cultura para tod@s. Continuaremos a oferecer este acesso gratuito e a enviar PDF de números da revista gratuitos a quem os pedir. Porém, houve quem lamentasse a ausência de uma revista física para manusear e guardar. Assim, de seis em seis meses, publicaremos um número de Ogygia: Revista Literária, tanto em formato digital quanto impresso, disponível em Amazon.com e Amazon.es”, informa Avelina da Silveira.
Arraial Madeirense 2026 hoje nos Arrifes

Hoje, dia 11 de Julho, a Casa da Madeira nos Açores organiza a Edição 2026 do tradicional Arraial Madeirense. O evento terá lugar no Jardim D. Leonor Afonso, nos Arrifes e assume este ano uma importância histórica única, servindo de ponto de encontro para a comunidade madeirense residente no arquipélago vizinho e para todos os simpatizantes da cultura e tradições da Madeira. A edição de 2026 reveste-se de um simbolismo duplo e muito especial. O arraial assinala formalmente o 40.º aniversário da fundação da Casa da Madeira nos Açores, quatro décadas dedicadas à união e preservação da identidade cultural madeirense em terras açorianas. Em simultâneo, o evento celebra o jubileu de ouro (50 anos) da Autonomia de ambas as Regiões Autónomas, instituída em 1976, reforçando os laços históricos, políticos e fraternos que unem os dois arquipélagos atlânticos. Com início marcado para as 13 horas, o Arraial Madeirense promete trazer o melhor da gastronomia e do espírito festivo da Madeira. A iniciativa coincide, como habitualmente, com as comemorações do Dia da Região Autónoma da Madeira e das Comunidades Madeirenses do passado dia 1 de Julho. O convite estende-se a toda a população açoriana que queira partilhar este momento de festa, cultura e celebração autonómica. O evento contará com a presença da reconhecida associação e companhia de teatro madeirense especializada em teatro de rua, novo circo e animação temática “Teatro do Bolo do Caco” e será feita a campanha junto dos participantes de angariação de fundos para a conta solidária de apoio às familias madeirenses afectadas pelos sismos da Venezuela.
Bensaude Hotels reúne parceiros e entidades oficiais em evento de apresentação do renovado São Miguel Park Hotel

A Bensaude Hotels investiu 9 milhões de euros na requalificação do São Miguel Park Hotel, numa renovação que teve como principal objectivo responder às novas tendências do sector, com especial foco no turismo sustentável. “A inauguração oficial reuniu entidades oficiais, parceiros e amigos num evento organizado para assinalar o início de um novo ciclo no São Miguel Park Hotel, marcado por uma profunda transformação dos espaços e por uma nova proposta de valor da unidade hoteleira”, lê-se em comunicado. “Com a modernização desta unidade, procurámos responder às novas tendências do turismo sustentável. Este investimento de 9 milhões de euros, integrado na estratégia global da Bensaude Hotels, reflecte o nosso compromisso com o futuro do sector: uma visão que está bem patente em todo o projeto”, explica António Castro Freire, presidente do conselho de administração do Grupo Bensaude. O encontro, que contou com a presença de diversas figuras institucionais da região e do sector do Turismo, teve início com a apresentação detalhada do projecto de remodelação integral pelo gabinete responsável, o atelier Lemon Variance, seguindo-se um momento de discursos institucionais que sublinharam a importância deste novo capítulo para a unidade e para a região. O evento culminou com um cocktail e um momento de animação na renovada zona exterior, onde os convidados puderam usufruir da nova área lounge e da transição fluida entre o bar e a piscina. Com esta apresentação, o São Miguel Park Hotel “reforça o seu posicionamento focado na simplicidade consciente e nos seus três pilares estratégicos: o segmento Family Friendly, focado em espaços amplos para conexões geracionais; a vertente de Grupos & Eventos, com áreas modernas que equilibram trabalho e lazer; e o pilar Nature & Adventure, que posiciona o hotel como o ponto de partida ideal para explorar a exuberância da ilha de São Miguel”. A intervenção do atelier Lemon Variance “posicionou o hotel como um verdadeiro refúgio urbano inspirado na natureza açoriana, onde a paleta de cores (tons de verde, laranja e amarelo) se funde com a madeira de nogueira, tecidos coloridos e elementos cerâmicos, trazendo o exterior para dentro”, afirma. “Ao percorrer a unidade, a transformação é evidente: nos quartos, os detalhes temáticos de árvores, folhas e aves garantem uma estadia tranquila, enquanto nas áreas comuns o projecto de arquitectura eliminou barreiras. Foram ainda realizadas ampliações, nomeadamente no restaurante, e procedeu-se à abertura da zona lounge, garantindo maior exposição do bar e da piscina e convidando os hóspedes a desfrutar de cada espaço com uma liberdade renovada”, explica. A par da renovação física, “o rebranding do São Miguel Park Hotel materializa-se, também, num novo logótipo e numa linguagem visual que comunicam acolhimento e segurança. Localizado no coração de Ponta Delgada, nos Açores, o renovado hotel reafirma-se como uma referência de hospitalidade, onde a herança histórica da Bensaude Hotels encontra agora uma visão contemporânea e intemporal”, conclui.
Água Retorta recebe XIV Mostra Gastronómica de 23 a 26 de Julho

De 23 a 26 de Julho, Água Retorta recebe mais uma Mostra Gastronómica. O evento, que já vai na sua XIV edição, realizar-se-á, novamente, na zona do jardim da Casa do Povo e no Campo de Jogos da freguesia. Pretendendo, uma vez mais, dar destaque às forças vivas da localidade e aos sabores e saberes do seu povo, a Junta de Freguesia organizou um programa gastronómico e cultural rico e diversificado. A Cerimónia inaugural está programada para o dia 23, pelas 19h30, onde os locais e visitantes poderão, neste primeiro dia, jantar os produtos típicos disponíveis. Mais tarde, a partir das 21h30,a noite será animada pelas cantigas ao desafio com os cantadores: Bruno Oliveira, Roberto Toledo, Paulo Miranda e Bruno Botelho. No dia 24, pelas 20 horas, o serão está reservado pela Banda Filarmónica Nossa Senhora Penha de França. Depois seguir-se-á a actuação do grupo musical Brumas da Terra. No dia 25, pelas 21h30,será a vez do grupo Sétima Geração apresentar-se em palco. Depois, pelas 22h30, o Trio MPH animará o serão em Água Retorta. No último dia da mostra (26), a tarde será preenchida, a partir das 14h30 com jogos tradicionais. Depois, pelas 17h30, decorrerá uma aula de fitness. Mais tarde, pelas 19h30, acontecerá o XI Festival de Folclore e no final da noite, pelas 23 horas, dar-se-á o encerramento oficial do evento. Com a excepção do primeiro dia, onde serão servidos apenas jantares, nos restantes os visitantes poderão almoçar e jantar nas barraquinhas, os enchidos, o feijão assado, os torresmos, as iscas de fígado, a açorda de lapas, o molho de peixe, os chicharros fritos, como também poderão comprar e provar outros produtos típicos como o queijo fresco, o vinho da Fajã do Calhau, o pão caseiro, as malassadas, a massa sovada, o bolo do forno, as compotas, os doces, os licores entre outras distintas iguarias, tudo feito pelas experientes mãos das mulheres e dos homens da freguesia mais pitoresca dos Açores. A XIV Mostra Gastronómica de Água Retorta conta com o apoio da Câmara Municipal da Povoação, Casa do Povo de Água Retorta, Clube Desportivo, Sociedade Musical e Comissão de Festas de Nossa Senhora da Penha de França.
Parlamento dos Açores assinala 50 anos com homenagem aos fundadores da Autonomia

O Presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), Luís Garcia, defendeu esta Quinta-feira que a melhor forma de homenagear os protagonistas que lançaram as bases do Parlamento açoriano há meio século passa por seguir, no presente, o exemplo de “elevação, diálogo e compromisso com os Açores” que marcaram a primeira legislatura da Região. A mensagem foi deixada durante a sessão evocativa dos 50 anos da instalação do Parlamento dos Açores, realizada na Sociedade Amor da Pátria, na cidade da Horta, precisamente o espaço onde, nos dias 20 e 21 de Julho de 1976, decorreram os trabalhos de verificação de poderes e de eleição da primeira Mesa da então designada Assembleia Regional dos Açores, dando início à actividade parlamentar autonómica. Na intervenção, Luís Garcia destacou o legado da geração fundadora da Autonomia política açoriana, sublinhando que o percurso realizado desde então só foi possível graças à visão e determinação daqueles que participaram na construção das instituições democráticas da Região. “Sabemos que quem vem depois só consegue ir mais longe porque alguém, antes, teve a coragem de abrir caminho”, afirmou. O Presidente do Parlamento açoriano fez também questão de assinalar a presença de alguns dos protagonistas desse momento histórico, entre os quais os primeiros líderes parlamentares do PPD e do PS, José Adriano Borges de Carvalho e José António Martins Goulart, evocando igualmente a memória de Rogério Contente, primeiro líder parlamentar do CDS. “A presença destes protagonistas nesta sessão lembra-nos que a nossa História não vive apenas nos livros. Tem rosto, voz e testemunhas”, referiu. Na cerimónia, Luís Garcia estabeleceu ainda um paralelo entre a composição do primeiro Parlamento regional e a realidade política actual. Recordou que a primeira legislatura era composta por 43 deputados distribuídos por três forças políticas, enquanto actualmente a Assembleia Legislativa integra representantes de oito partidos. Apesar da maior diversidade partidária, defendeu que o objectivo comum deve manter-se inalterado. “Acima dessas diferenças, deve permanecer aquilo que sempre nos uniu desde os primeiros dias desta Assembleia: o compromisso de servir os açorianos”, afirmou. A sessão comemorativa ficou igualmente marcada pelo lançamento do segundo volume da obra Biografias dos Deputados, dedicado ao período entre 2008 e 2025, uma publicação que dá continuidade ao trabalho de preservação da memória institucional e do percurso dos deputados que integraram a Assembleia Legislativa ao longo das últimas décadas. Na ocasião, o Presidente da ALRAA sublinhou que a história do Parlamento regional “não é feita apenas de leis, de resoluções ou de debates”, mas sobretudo das pessoas que contribuíram para o funcionamento da instituição, deixando um reconhecimento a todos os que colocaram “tempo, conhecimento e dedicação ao serviço da nossa Região”. Como ponto alto das comemorações, Luís Garcia entregou o Voto de Saudação pelos 50 anos da Autonomia dos Açores, aprovado por unanimidade pela Assembleia Legislativa, aos partidos que tiveram representação parlamentar desde a criação da instituição — PSD, PS, CDS-PP, PCP, BE, PPM, Chega, Iniciativa Liberal e PAN. A distinção foi igualmente entregue aos primeiros líderes parlamentares do PPD e do PS, José Adriano Borges de Carvalho e José António Martins Goulart. No caso de Rogério Contente, já falecido, o voto foi recebido pelo actual líder parlamentar do CDS-PP, Pedro Pinto, em sua homenagem. A iniciativa integra o programa das comemorações dos 50 anos da instalação do Parlamento dos Açores, marco fundador da Autonomia político-administrativa da Região e da consolidação das instituições democráticas açorianas.
Roadshow Açores 2030 apresenta oportunidades de financiamento para investigação, inovação e tecnologia

A Direção Regional da Ciência, Inovação e Desenvolvimento organiza o evento ROADSHOW AÇORES 2030, que decorrerá em São Miguel (Nonagon, 13 de julho), Faial (Okeanos, 14 de julho) e Terceira (Terinov, 16 de julho). Dirigidas à comunidade empresarial e científica da Região Autónoma dos Açores, as sessões são destinadas à apresentação e esclarecimento sobre os avisos a abrir no âmbito do Objetivo Específico Regional 1.1 – Desenvolver e reforçar as capacidades de investigação e inovação e a adoção de tecnologias avançadas, com especial destaque para o Sistema de Incentivos à Investigação e Inovação – INOVAR 2030. Recorde-se que o INOVAR 2030, financiado pelo Programa Açores 2030, se assume como uma importante ferramenta para o setor empresarial desenvolver e reforçar as capacidades de investigação e inovação regionais, assim como a adoção de tecnologias avançadas. O INOVAR 2030 vem permitir que os novos incentivos sejam enquadrados no Regulamento Geral de Isenção por Categoria, possibilitando o apoio a projetos de maior dimensão, risco e intensidade tecnológica, dando resposta à ambição de empresários e investigadores que se viam fortemente limitados pelas restrições financeiras prévias.
Açores passam a poder adaptar regras dos TVDE à realidade da Região
A Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação da Assembleia da República aprovou, esta Quarta-feira, na especialidade, as alterações ao regime jurídico da actividade de transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados a partir de plataforma electrónica (TVDE), diploma que passa a permitir às Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira adaptar a legislação às respectivas especificidades. A alteração resulta do projecto de lei apresentado pelo Grupo Parlamentar do PSD e introduz uma norma que reconhece às duas regiões autónomas competência para adequar o regime jurídico do sector às suas realidades insulares, abrindo caminho para a definição de regras próprias que tenham em conta as características dos mercados regionais. Além desta novidade, o diploma clarifica as responsabilidades das plataformas electrónicas, dos operadores e dos motoristas, reforça os mecanismos de fiscalização, aumenta as exigências em matéria de segurança e transparência e procura melhorar as condições de exercício da actividade, bem como a qualidade do serviço prestado aos utilizadores. O novo regime prevê igualmente a possibilidade de integração dos operadores de táxi nas plataformas digitais, promovendo uma maior articulação entre os dois modelos de transporte de passageiros. Para os Açores, a aprovação desta norma representa um reforço da autonomia legislativa em matérias relacionadas com a mobilidade, permitindo que a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores possa, no futuro, definir um enquadramento ajustado às especificidades do arquipélago e às necessidades do sector, tendo em conta factores como a dispersão geográfica das ilhas, a dimensão dos mercados e as particularidades da procura. A deputada do PSD Vânia Jesus destacou que a solução aprovada reforça o princípio da autonomia regional, defendendo que são as instituições das regiões autónomas que melhor conhecem os respectivos territórios e, por isso, devem dispor dos instrumentos legais necessários para responder às suas necessidades específicas. A parlamentar social-democrata aproveitou ainda para criticar o deputado do Chega eleito pela Madeira, acusando-o de ter anunciado antecipadamente a aprovação do diploma antes da realização da reunião da comissão parlamentar. Segundo Vânia Jesus, a reunião decorreu apenas esta Quarta-feira, data em que o diploma foi efectivamente votado e aprovado na especialidade. A deputada esclareceu igualmente que a norma que permite às regiões autónomas estabelecerem regras próprias para o sector dos TVDE constava já da versão inicial do projecto de lei apresentado pelo PSD, rejeitando que a iniciativa tenha resultado de propostas apresentadas pelo Chega. Recorde-se que, na fase da generalidade, a Assembleia da República já tinha aprovado uma proposta de lei da Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira sobre esta matéria. Com a aprovação da norma habilitante agora incluída no projecto do PSD, fica criado o enquadramento legal que permitirá tanto à Madeira como aos Açores avaliar e definir, através dos respectivos órgãos de governo próprio, o regime que considerem mais adequado para a organização e funcionamento da actividade dos TVDE nos respectivos territórios insulares.
Conselho do Governo aprova programa funcional do HDES, Cheque Saúde e concurso para navio das Flores

O Conselho do Governo dos Açores aprovou, na reunião realizada na terça-feira, 8 de julho, na Horta, um conjunto de decisões com impacto nas áreas da saúde, transportes, cultura, inovação e coesão territorial. Entre as medidas de maior relevância destaca-se a conclusão da apreciação da versão final do Programa Funcional para a reparação, reorganização e redimensionamento do Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, bem como a aprovação da proposta de criação do regime jurídico do Cheque Saúde. No que respeita ao HDES, o executivo regional concluiu a análise da versão final do Programa Funcional, documento elaborado na sequência das orientações definidas pelo Governo Regional e do trabalho desenvolvido pela Comissão de Análise. O processo incluiu a discussão e ponderação do documento, bem como a auscultação dos diretores dos serviços clínicos e não clínicos da unidade hospitalar. Na sequência desta decisão, o Conselho do Governo autorizou o Conselho de Administração do HDES a desencadear os procedimentos necessários para a divulgação pública do Programa Funcional e para o desenvolvimento das fases seguintes do processo de reparação, reorganização e redimensionamento do hospital. O executivo determinou igualmente que o Conselho de Administração deverá prestar informação regular ao Governo Regional, permitindo a validação, pelo Conselho do Governo, de todas as etapas do procedimento. Antes da divulgação pública do documento, ficou ainda estabelecido que a empresa de consultoria Antares procederá à apresentação do Programa Funcional aos partidos com representação na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, aos municípios e à Mesa do Conselho de Ilha de São Miguel. Outra das principais deliberações incidiu sobre a aprovação da proposta de Decreto Legislativo Regional que cria o regime jurídico do Cheque Saúde, diploma que será agora submetido à Assembleia Legislativa dos Açores. Segundo o Governo Regional, este novo instrumento pretende assegurar um acesso mais célere dos utentes a consultas hospitalares de especialidade e a exames complementares de diagnóstico. O objetivo passa por reduzir os tempos de espera, reforçar a liberdade de escolha dos utentes e promover uma utilização mais eficiente da capacidade instalada nos setores público, convencionado e contratualizado. O Cheque Saúde será emitido sempre que sejam ultrapassados os tempos máximos de resposta garantida, permitindo aos utentes recorrerem a entidades convencionadas ou contratualizadas para a realização dos atos clínicos em causa. Na área da cultura, o Conselho do Governo aprovou ainda um Decreto Regulamentar Regional que altera o regime de apoio aos agentes culturais dos Açores, introduzindo um conjunto de medidas destinadas a simplificar os procedimentos de candidatura. Entre as alterações mais significativas encontra-se a antecipação do período de candidaturas de agosto para janeiro, solução que pretende proporcionar maior previsibilidade aos promotores culturais após a aprovação do Orçamento da Região. O novo regime permite ainda que os agentes culturais possam apresentar candidaturas a diferentes níveis de apoio para o mesmo projeto, reduzindo situações de exclusão. Está igualmente prevista a reformulação da plataforma eletrónica de candidaturas, tornando-a mais simples e intuitiva. No setor dos transportes marítimos, foi aprovada a abertura de um concurso público internacional para a celebração de um contrato de fretamento de um navio destinado ao transporte regular de mercadorias para a ilha das Flores. O procedimento será promovido pelo Fundo Regional de Apoio à Coesão e ao Desenvolvimento Económico e terá um preço-base de 7,5 milhões de euros. Ainda na área marítima, o executivo aprovou uma resolução que reduz em 50% as tarifas portuárias aplicáveis aos navios porta-contentores de cabotagem insular que realizem escalas em portos da Região Autónoma dos Açores que tenham movimentado, no ano civil anterior, menos de três mil TEU de contentores cheios. A medida pretende reforçar a competitividade destes portos e contribuir para a melhoria das ligações marítimas às ilhas com menor volume de carga. Na proteção civil, foi igualmente autorizada a abertura de um concurso público internacional para a aquisição de um veículo de socorro e assistência equipado com meios elevatórios, destinado à ilha Terceira. O investimento terá um preço-base de 1,3 milhões de euros. O Conselho do Governo deliberou ainda autorizar a celebração de um contrato-programa entre a Região Autónoma dos Açores e a Associação NONAGON – Associação Parque de Ciência e Tecnologia de São Miguel, relativo ao ano de 2026, estabelecendo um apoio financeiro até ao montante máximo de 492 mil euros. As decisões agora aprovadas refletem, segundo o executivo açoriano, a continuidade de um conjunto de medidas destinadas a reforçar a capacidade de resposta dos serviços públicos, promover a coesão territorial entre as ilhas, melhorar o acesso aos cuidados de saúde, simplificar os apoios ao setor cultural e apoiar o desenvolvimento científico, tecnológico e económico da Região Autónoma dos Açores.
Inflação homóloga recua para 3,55% nos Açores, mas mantém-se acima da nacional
A taxa de inflação homóloga nos Açores fixou-se em 3,55% em junho de 2026, menos 0,24 pontos percentuais do que no mês anterior, mas permaneceu acima dos 3,22% registados no conjunto do país. Os preços na Região aumentaram também mais do que a nível nacional na comparação mensal, enquanto a inflação média dos últimos 12 meses continuou abaixo da média portuguesa. A taxa de variação média dos últimos 12 meses do Índice de Preços no Consumidor (IPC) atingiu 2,35% nos Açores em junho, acima dos 2,22% observados em maio. Apesar desta aceleração, o indicador regional ficou 0,25 pontos percentuais abaixo da taxa nacional, que se situou em 2,60%. A inflação subjacente, que exclui os produtos alimentares não transformados e os produtos energéticos, apresentou nos Açores uma variação média dos últimos 12 meses de 1,73%, comparativamente aos 1,65% registados no mês anterior. Os produtos alimentares não transformados continuaram a apresentar uma subida média dos preços significativamente superior à inflação geral, embora a respectiva taxa tenha recuado de 6,11% em maio para 6,02% em Junho. Em sentido contrário, a variação média dos preços dos produtos energéticos acelerou de 4,03% para 4,91%. Entre as diferentes classes de bens e serviços, “Restaurantes e serviços de alojamento” registou a maior subida média dos últimos 12 meses, com um aumento de 7,35%. Seguiram-se os “Serviços de educação”, com 3,52%, e a classe “Habitação, água, electricidade, gás e outros combustíveis”, com 3,16%. As maiores descidas médias ocorreram em “Informação e comunicação”, cujos preços recuaram 2,53%, em “Vestuário e calçado”, com uma diminuição de 0,33%, e em “Bebidas alcoólicas e tabaco”, com uma redução de 0,22%. Na comparação com Junho de 2025, os preços nos Açores aumentaram 3,55%. A inflação homóloga regional ficou, assim, 0,33 pontos percentuais acima da taxa nacional de 3,22%, apesar de ter desacelerado face ao mês anterior. A inflação subjacente homóloga acelerou de 2,31% em Maio para 2,65% em junho. Já a variação dos preços dos produtos alimentares não transformados abrandou de 6,00% para 3,33%. Nos produtos energéticos, a taxa homóloga também diminuiu, passando de 17,22% para 13,38%, permanecendo, ainda assim, num nível elevado. “Restaurantes e serviços de alojamento” foi a classe com o maior aumento homólogo dos preços, de 10,38%. Os “Transportes” registaram uma subida de 6,61%, enquanto os preços relacionados com “Habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis” aumentaram 4,30%. As únicas classes com variações homólogas negativas foram “Informação e comunicação”, com uma descida de 2,74%, e “Vestuário e calçado”, com uma redução de 0,63%. Os transportes deram o maior contributo positivo para a inflação homóloga regional em Junho, seguindo-se os restaurantes e serviços de alojamento e os produtos alimentares e bebidas não alcoólicas. Em sentido contrário, as classes de informação e comunicação e de vestuário e calçado contribuíram para travar o crescimento geral dos preços. Entre Maio e Junho, o IPC aumentou 0,18% nos Açores, depois de ter crescido 1,27% no mês anterior. A variação mensal regional ficou acima dos 0,06% registados no conjunto do país. Excluindo os produtos alimentares não transformados e os produtos energéticos, os preços aumentaram 0,72% num mês, acima da variação de 0,40% observada em maio. A classe de restaurantes e serviços de alojamento exerceu a maior pressão mensal sobre os preços, com uma subida de 5,13%, enquanto a classe de habitação, água, electricidade, gás e outros combustíveis registou uma descida de 1,56%.