Ponta Delgada acolhe a 25.ª edição do Festival Internacional de Tunas “El Açor”

Ponta Delgada esta a ser palco, desde quarta-feira e até sábado, q1 de março, da 25.ª edição do El Açor – Festival Internacional de Tunas, evento que reunirá cerca de 450 participantes e diversas tunas oriundas de várias regiões de Portugal. Organizado pelos Tunídeos, o festival volta a integrar a programação cultural da cidade e contará com seis tunas a concurso, além de quatro formações da Universidade dos Açores. Entre os grupos participantes figuram a Transmontuna – Tuna Universitária de Trás-os-Montes e Alto Douro, a TUMa – Tuna Universitária da Madeira, a TAISEP – Tuna Académica do Instituto Superior de Engenharia do Porto, a TAFUL – Tuna Académica de Farmácia da Universidade de Lisboa, a FAN-Farra Académica de Coimbra e a Estudantina Académica de Castelo Branco. A representação açoriana inclui as tunas Tuna Com Elas, Enf’In Tuna, TAUA – Tuna Académica da Universidade dos Açores e a própria tuna anfitriã. Os espetáculos principais estão marcados para as noites de hoje, dia 20 e para amanhã, sábado, no Coliseu Micaelense, onde decorrerão as atuações competitivas. O programa integra ainda atividades de convívio e exploração turística da ilha de São Miguel, incluindo visitas à Lagoa das Sete Cidades e ao Miradouro da Vista do Rei. Entre os momentos especiais do evento contam-se as atuações dos grupos Sofia Silva & Code, Soul Stealers e o coletivo humorístico Os Cavaleiros da Távola de Queijos, responsável pela apresentação dos espetáculos. A organização sublinha que o festival tem como objetivo “reforçar a interação entre estudantes universitários de diferentes regiões, através da música e das tradições académicas”. A iniciativa conta com o apoio do Governo Regional dos Açores, através da Direção Regional da Juventude, da Câmara Municipal de Ponta Delgada e da Junta de Freguesia de São José.

Estúdio 13 apresenta espetáculo infantil no Teatro Micaelense

No âmbito das comemorações do 75.º Aniversário do Teatro Micaelense, o Estúdio 13 apresenta, no próximo domingo, dia 22, às 11h00, “Ponto de Encontro”, uma criação de Sara Lopes e João de Brito, dirigida ao público infantil (M/6) e às famílias. “Ponto de Encontro” leva-nos para dentro de um teatro, momentos antes do espetáculo começar… Entre aquecimentos estranhos, regras misteriosas, superstições, fantasmas e uma voz que nunca se cala, acompanhamos a preparação de uma artista que tenta fazer tudo a tempo… mesmo quando parece que o espetáculo nunca chega a acontecer. Neste espaço, onde artistas e público se encontram, descobrimos que o teatro é feito de imaginação, escuta e partilha. Um lugar onde se ensaia, se erra, se inventa e onde a magia acontece antes, durante e depois de “subir o pano”. No final, o palco abre-se às crianças, que são convidadas a criar o seu próprio espetáculo, transformando o teatro no verdadeiro ponto de encontro entre quem cria e quem imagina. Sara Lopes (Porto) é intérprete, criadora e professora de dança contemporânea. Formada pelo Balleteatro e licenciada pela Escola Superior de Dança, aprofundou depois a sua formação em Interpretação e Criação Coreográfica na Companhia Instável. Entre a criação e a pedagogia, tem vindo a desenvolver o seu percurso artístico em colaboração com diferentes artistas. Atualmente vive nos Açores, onde trabalha no Estúdio 13 e cofundou a associação 432Hz, dedicando-se à criação e partilha da dança. João de Brito (Faro) é licenciado em Teatro pela ESTC. Como ator, colaborou com as estruturas: Artistas Unidos, Colectivo 84, Formiga Atómica, Lavrar o Mar, TEC, Primeiros Sintomas, Teatro O Bando, Teatro dos Aloés, TEP, entre outras. Encenou mais de duas dezenas de espetáculos. Trabalha regularmente como ator em cinema, televisão e publicidade. Em 2024, recebeu a medalha de mérito — grau ouro — do Município de Faro. É cofundador e Diretor Artístico do LAMA Teatro e do Festival MOCHILA.

UAc acolhe oficina de expressão dramática orientada pelo Teatro Nacional D. Maria II

A Universidade dos Açores recebe, entre os dias 23 e 26 de março, a Oficina Boca Aberta – Módulo I, uma formação dinamizada pela equipa do Teatro Nacional D. Maria II. A iniciativa destina-se a educadores e professores do ensino pré-escolar e básico, bem como a auxiliares de educação, e tem como objetivo estimular a criatividade e o uso das artes cénicas no contexto educativo. Com um total de seis horas por módulo, a oficina incide sobre o corpo e a voz como principais instrumentos de expressão dramática. Através de exercícios individuais e coletivos, os participantes são convidados a desenvolver competências de comunicação e técnicas teatrais aplicáveis ao trabalho com crianças, valorizando também o livro como objeto para contar histórias. A formação será coordenada por Catarina Requeijo e Manuela Pedroso, e decorrerá na Sala de Espelhos da Academia das Artes da Universidade dos Açores. Estão previstas duas edições da oficina: a primeira nos dias 23 e 24 de março, e a segunda nos dias 25 e 26 de março, ambas no horário das 17h às 20h. Cada módulo comporta até 20 participantes e a inscrição deve ser feita até 16 de março. No final da formação, será entregue uma declaração de participação a cada participante.

Frederico Sousa recebeu Delegação dos Açores da Confederação Nacional das Casas do Povo

O Presidente da Câmara Municipal da Lagoa, Frederico Sousa, recebeu, no edifício dos Paços do Concelho, a Comissão Instaladora da Delegação dos Açores da Confederação Nacional das Casas do Povo, num encontro institucional que teve como principal objectivo a apresentação de cumprimentos e o reforço de laços de cooperação. A delegação foi liderada por Jaime Rita, Presidente da Casa do Povo da Maia, e contou ainda com a presença de representantes de várias Casas do Povo da região, nomeadamente das Furnas, da Fajã de Baixo, dos Arrifes, do Pico da Pedra e de Rabo de Peixe. Durante a reunião, foram abordados diversos temas, nomeadamente a missão e as competências da Confederação Nacional das Casas do Povo, bem como o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido em prol das comunidades locais. O encontro permitiu igualmente destacar o papel fundamental que as Casas do Povo têm desempenhado, ao longo do tempo, no desenvolvimento social e no apoio às populações. Na ocasião, Frederico Sousa sublinhou a importância das Casas de Povo, reconhecendo o seu contributo histórico e actual na dinamização das comunidades, especialmente através da disponibilização de respostas sociais essenciais, como disponibilização de creches, centros de dia e de convívio, apoio domiciliário, ateliers de tempos livres, lares de idosos, programas de envelhecimento activo, bem como iniciativas de promoção da saúde e animação sociocultural, entre outras. O autarca destacou ainda a relevância do trabalho em rede entre as autarquias e as instituições locais, reforçando a disponibilidade da Câmara Municipal da Lagoa para colaborar com entidades que promovam o bem-estar e a qualidade de vida da população.

Se hoje se aprende tanto, por que se escreve catorze e não quatorze?

Há perguntas que nos chegam como quem bate à porta sem avisar: discretas, quase tímidas, mas capazes de abrir um baú de memórias e pequenas revelações. A que me chegou nasceu de uma conversa entre dois homens educados na civilidade, mas separados por uma diferença de gerações que pesa mais do que parece. O mais velho defendia que na antiga quarta classe se aprendia mais do que no atual décimo segundo ano; o mais novo discordava, lembrando a diversidade das disciplinas e a exigência crescente dos currículos. Então, como quem lança uma pedra num lago, o mais idoso perguntou: “Se hoje se aprende tanto, por que se escreve catorze e não quatorze?” A pergunta, enviada por mensagem eletrónica de um leitor e amigo, ficou-me na memória. Não era difícil, mas sugeria que a língua é um espelho da escola e que qualquer irregularidade denuncia falha no ensino. Porém, funcionando como um ser vivo moldado por séculos de uso, hesitações e simplificações, a língua não é um manual de instruções. Em termos filológicos, catorze vem do latim quattuordecim, “quatro e dez”. À primeira vista, seria natural que o português tivesse preservado o “qua-”, como o francês em quatorze. Mas a história da nossa língua seguiu caminhos orais mais próximos da fala popular. O grupo inicial qua- simplificou-se para ca- em várias palavras, e esta transformação permaneceu. Assim, quattuordecim deu catorze, tal como quadraginta originou quarenta. Quattuor chegou mesmo a ter a forma medieval catro antes de estabilizar em quatro. A forma quatorze existiu, mas nunca ganhou aceitação generalizada: os falantes escolheram a versão que melhor se ajustava ao ouvido comum. Este episódio mostra como a língua escapa às certezas absolutas. O homem mais velho via nela um conjunto de regras fixas; o mais novo percecionava a escola como espaço de ciência e complexidade. Mas a língua não se define por um lado ou pelo outro. Vive onde a história se mistura com o hábito, e a lógica cede muitas vezes à força da repetição. A pergunta sobre catorze revela também a tendência para imaginar que o passado era mais seguro e rigoroso. A escola antiga, centrada na memorização, deixava a impressão de que tudo tinha explicação simples e definitiva. Mas, como a água de um rio, a língua segue caminhos tortuosos, cheios de desvios e exceções. Durante o Estado Novo — e antes dele, quando a monarquia se assumia como instituição de mandato divino —, a elite confortável e obediente não questionava a tentativa de fossilizar o idioma em estacadas de nacionalismo empolado. Não se tratava apenas de política, mas sobretudo da ideia de que o idioma era propriedade ideológica, onde até se policiavam regionalismos neutros, como se a língua tivesse de ser tão unitária como a nomenclatura do Estado. Hoje, porém, vivemos num tempo em que tudo se interroga, como o tráfego na internet demonstra no acesso aos assistentes artificiais que nos ajudam a pensar. Perguntar por que dizemos catorze consiste, afinal, em indagar como chegámos até aqui no percurso histórico da língua portuguesa e reconhecer que cada palavra carrega uma história que não aprendemos nos manuais, mas herdamos sem dar por isso. O idioma em que comunicamos é uma construção coletiva, feita de vozes anónimas que moldaram sons, ritmos e sentidos ao longo dos séculos. Por isso, a pergunta torna-se reveladora: a língua não representa um campo de batalha entre gerações, mas um espaço comum onde todos deixam peugadas sem nome. O mais velho, com a memória da escola antiga, e o mais novo, com a visão do ensino moderno, encontram-se no mesmo ponto: a língua que falam é fruto da participação de ambos e de muitos outros antes deles. No fim, a pergunta não se relacionava com a ortografia — enquadrava-se no domínio da identidade. Surgiu decerto sobre como cada época incrementa competências e sabedoria, e como isso se reflete na visão do mundo. Catorze transcende o número: lembra-nos que a língua existe como organismo vivo e surpreende na dinâmica da sua evolução. Podemos vê-la como construção contínua, onde todas as gerações participam na adaptação ao momento histórico e cultural em que se inserem. Manuel Leal

Metodologias e Didáticas Enquadramentos e Sentidos

Em toda a estrutura da Educação Pré-Escolar e Ensino Básico e Secundário estão em vigor os seguintes documentos: “Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória” e as “Aprendizagens Essenciais”. O primeiro documento é comum e transversal, enquanto as “Aprendizagens essenciais” mantêm a designação nominativa e específicas, e, portanto, diferentes, de ano para ano. Faremos uma reflexão objetiva, e crítica, destas opões denominativas e o que elas supõem, mas também não contemplam. Terem retirado a palavra “programa” foi um erro. A palavra Programa tem, em si, uma significação operante. Em termos de enquadramento há a referir: “ O Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, homologado pelo Despacho n.º 6478/2017, 26 de julho, afirma-se como referencial para as decisões a adotar por decisores e atores educativos ao nível dos estabelecimentos de educação e ensino e dos organismos responsáveis pelas políticas educativas, constituindo-se como matriz comum para todas as escolas e ofertas educativas no âmbito da escolaridade obrigatória, designadamente ao nível curricular, no planeamento, na realização e na avaliação interna e externa do ensino e da aprendizagem”. Despacho n.º 6478/2017, 26 de julho. Em termos de “Índice”, que indica a estrutura, há a considerar: “Prefácio”, “Introdução” ,”Princípios”, “Visão”, “Valores”, “Área de competências”, “implicações práticas”. No referido Documento, podemos ler: “O Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória afirma-se, nestes pressupostos, como documento de referência para a organização de todo o sistema educativo, contribuindo para a convergência e a articulação das decisões inerentes às várias dimensões do desenvolvimento curricular. No momento de equacionar e de fundamentar o que é relevante, adequado e exequível no contexto dos diversos níveis de decisão, é possível e desejável encontrar neste perfil orientações significativas. Constitui, assim, a matriz para decisões a adotar por gestores e atores educativos ao nível dos organismos responsáveis pelas políticas educativas e dos estabelecimentos de ensino. A finalidade é a de contribuir para a organização e gestão curriculares e, ainda, para a definição de estratégias, metodologias e procedimentos pedagógico-didáticos a utilizar na prática letiva”. Na Lecionação de Didática do Estudo do Meio, de Metodologia do Ensino do Estudo do Meio e de Oficina de Didática da História– e outras Metodologias e Didáticas-, urge, sempre, desenvolver uma Didática Reflexiva e uma Didática Problematológica para criar o ambiente formativo para uma interiorização das questões, dos filões, em Educação, tendo em vista um Pensamento que fundamenta a prática. Não é possível, nem desejável, uma Metodologia e Didática num Curso Universitário que não sejam reflexivas, até porque essa prática é que vai permitir transpor para as práticas educativas no Ensino Básico e no Ensino Secundário âmbitos de reflexão que levam a dinâmicas de pensamento promotores de um ensino e aprendizagem, questionadoras e capazes de suscitarem a compreensão. Edgar Morin, que é citado no “Prefácio” do referido Documento, desafia todos para “ensinar a compreensão”. Ora num Mundo onde é espalhado o ódio, a mentira e a maldade torna-se cada vez mais urgente formar em e para os princípios e os valores, como o próprio Conselho Nacional de Educação (CNE) já explicitou em pareceres públicos e publicados. No Parecer nº 4/2017, podemos ler a seguinte recomendação do CNE: “2- Tal como indicado no Perfil, seja reforçada a importância dos princípios e valores, como fundamento para a construção de linhas orientadoras. Esta importância é por demais crucial num mundo em rápida mudança. Nestas condições, os valores funcionam como âncora que se pretendem mais resilientes que o próprio conhecimento ou as competências adquiridas”. (CNE, Parecer nº 4/2017). E saber que durante anos a fio não se falou noutra coisa, senão em “competência”, documento revogado pelo punho do ex-Ministro Professor Doutor Nuno Crato. O Ministro, assinou, o Despacho n.º 17169/2011: “O documento Currículo Nacional do Ensino Básico — Competências Essenciais, divulgado em 2001, foi assumido a partir do ano letivo 2001/2002 como a referência central para o desenvolvimento do currículo e nos documentos orientadores do Ensino Básico. O documento, contudo, continha uma série de insuficiências que na altura foram debatidas, mas não ultrapassadas, e que, ao longo dos anos, se vieram a revelar questionáveis ou mesmo prejudiciais na orientação do ensino.” Nestes dois parágrafos, o Ministro arrasa o que tanto tinha sido proposto, se não, também, imposto. A última afirmação não deixa dúvidas de que o Ministro se oponha a competências esvaziadas de conteúdos e de conhecimentos. Esse Despacho, e poucos se deram conta, veio restituir ao ensino capacidades, competências, conhecimentos, atitudes e valores. E já quase no fim do Despacho, curto, mas incisivo, cortante, podemos ler: “Nestes termos, determino o seguinte: a) O documento Currículo Nacional do Ensino Básico — Competências Essenciais deixa de constituir documento orientador do Ensino Básico em Portugal; b) As orientações curriculares desse documento deixam de constituir referência para os documentos oficiais do Ministério da Educação e Ciência, nomeadamente para os programas, metas de aprendizagem, provas e exames nacionais; c) Os programas existentes e os seus auxiliares constituem documentos orientadores do ensino, mas as referências que neles se encontram a conceitos do documento Currículo Nacional do Ensino Básico — Competências Essenciais deixam de ser interpretados à luz do que nele é exposto; d) Os serviços competentes do Ministério de Educação e Ciência, através da Secretaria de Estado do Ensino Básico e Secundário, irão elaborar documentos clarificadores das prioridades nos conteúdos fundamentais dos programas; esses documentos constituirão metas curriculares a serem apresentadas à comunidade educativa, e serão objeto de discussão pública prévia à sua aprovação. 12 de dezembro de 2011. — O Ministro da Educação e Ciência, Nuno Paulo de Sousa Arrobas Crato.” (In Diário da República, 2ª Série – Nº 245 – 23 de dezembro de 2011) Citei, cito, tal como foi publicado, em Diário da República, para se constatar que quando se exerce um cargo não se é imune às conceções que se tem. Pode-se concordar, ou discordar, mas o que é facto é que, antes de ser Ministro, o Professor Doutor Nuno Crato já tinha explicitado o seu Pensamento educacional, que publicou em livro. Isto é, não se tratou, apenas, de um

Deputados da Comissão de Defesa Nacional visitam Centro de Busca e Salvamento Marítimo de Ponta Delgada

A comitiva, liderada pelo Presidente da Comissão de Defesa Nacional, Deputado Pedro Pessanha, e composta por 18 deputados da Assembleia da República, foi recebida pelo Comandante da Zona Marítima dos Açores, Comodoro Luís Nicholson Lavrador, que realizou uma apresentação abrangente sobre a missão, capacidades e principais desafios operacionais da Marinha e da Autoridade Marítima Nacional no arquipélago. O programa da visita incluiu uma apresentação institucional do CZMA, com enfoque no salvamento marítimo, vigilância e controlo da Zona Económica Exclusiva (ZEE) dos Açores, cooperação interagências e apoio à população, uma visita ao Centro de Comunicações dos Açores (CCA), unidade responsável por garantir as comunicações estratégicas e operacionais na região, a visita ao Centro de Busca e Salvamento Marítimo de Ponta Delgada (MRCC), estrutura central na coordenação de missões de salvamento no vasto espaço marítimo sob responsabilidade nacional, tendo culminado na assinatura do Livro de Honra, registando a passagem da delegação pelo CZMA. Durante a visita, foram discutidos temas relacionados com segurança marítima, resposta a emergências, busca e salvamento, fiscalização das actividades no mar e as especificidades operacionais associadas à Região Autónoma dos Açores, tendo o Comandante da Zona Marítima dos Açores, Comodoro Luís Nicholson Lavrador, destacado “a importância estratégica do arquipélago, a complexidade das operações no Atlântico e o contributo fundamental das Forças Armadas e da Autoridade Marítima para a segurança de pessoas e bens”.​ A deslocação da Comissão da Defesa Nacional aos Açores integra um conjunto de visitas institucionais aos três ramos das Forças Armadas e ao Comando Operacional dos Açores.

Base das Lajes “deve também servir o desenvolvimento dos Açores e o futuro de Portugal”, sublinha Artur Lima

O Vice-Presidente do Governo Regional, Artur Lima, interveio ontem, na Assembleia Legislativa Regional dos Açores, no âmbito de um debate de urgência sobre a utilização da Base das Lajes, onde destacou que “a Base das Lajes deve continuar a servir a segurança internacional, mas deve também servir o desenvolvimento dos Açores e o futuro de Portugal”. Para o Vice-Presidente, a Base das Lajes “foi um dos pilares fundamentais da arquitectura de segurança euro-atlântica e de manutenção da paz na Europa e no mundo”. A localização dos Açores “no centro das rotas aéreas e marítimas entre a Europa e a América, transformou as Lajes num ponto logístico essencial para operações militares, vigilância marítima, comunicações, transporte estratégico e apoio às forças da NATO”, considerou. O Vice-Presidente do executivo recordou que “a Região partilha uma relação secular com os EUA, um passado e presente trilhados não só a partir da diáspora, mas também através de valores e pensamento comuns sobre muitas das grandes questões globais”. A Base das Lajes, “peça fundamental em sucessivas negociações entre Portugal e os EUA, assumiu e assume particular relevância neste contexto, marcando definitivamente a história dos Açores em geral e da Terceira em particular”, assinalou. Artur Lima sustentou que “a cada uma dessas negociações, a Região perdeu contrapartidas justas e devidas, porventura não sentidas pela República Portuguesa”, acrescentando que “é inegável que os sucessivos Governos têm falhado, de forma sistemática, na defesa dos interesses dos Açores”. “O downsizing da presença norte-americana não significou um downsizing da sua importância geoestratégica”, declarou. No debate, que considerou revelar “uma total falta de senso estratégico e tempestividade” pelos seus proponentes, o Vice-Presidente do Governo classificou como uma “imprudência” a revisão do Acordo de Cooperação e Defesa no actual contexto internacional. Sobre a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), recordou que em 2008, por proposta do CDS, a Comissão Eventual – Impacto na Região Autónoma dos Açores do Acordo entre a República Portuguesa e os Estados Unidos da América recomendava a instalação de uma delegação nos Açores, preferencialmente na ilha Terceira. Artur Lima reafirmou também que “a FLAD, resultante do acordo bilateral de 1983, existe devido aos Açores e à Base das Lajes, é facto histórico”, exigindo, “tal como no passado, que colabore verdadeiramente com os Açores, com o seu ecossistema de investigação e de inovação”. Neste contexto, “a Base das Lajes, chão açoriano, deve continuar a servir a segurança internacional, mas deve também servir o desenvolvimento dos Açores e o futuro de Portugal”, salientou. O Vice-Presidente concluiu sublinhando que “a Autonomia não é um conceito abstracto, exerce-se aqui, no coração do Atlântico. Que o futuro das Lajes seja escrito com a tinta do progresso para a nossa Região Autónoma e com a garantia de que o bem-estar do nosso povo esteja acima de qualquer conveniência nacional”. CDS defende que os Açores devem ser protagonistas nas decisões sobre a Base das Lajes O Líder Parlamentar do CDS/Açores, Pedro Pinto, afirmou que a Base das Lajes, na Ilha Terceira, “não é apenas uma infra-estrutura militar”, sublinhando que representa “parte integrante da história, da identidade e da vivência de muitas gerações de açorianos e terceirenses”. Na intervenção, o Deputado recordou que com a instalação dos americanos na Base das Lajes no pós-Segunda Guerra Mundial “muitos açorianos rumaram à ilha Terceira em busca de oportunidades de emprego”, criando uma ligação que ultrapassa a dimensão estratégica. Pedro Pinto destacou igualmente momentos históricos dessa relação como o Azorean Refugee Act que entre 1958 e 1960 permitiu a emigração de muitos açorianos para os Estados Unidos, nomeadamente da Ilha do Faial na sequência da erupção dos Capelinhos. O Deputado defendeu que este passado deve orientar as decisões futuras, especialmente no âmbito da Comissão Bilateral entre Portugal e os Estados Unidos relativo à Base das Lajes. Invocando a Constituição da República Portuguesa (artigo 227.º, n.º 1, alínea t), Pedro Pinto considerou “natural e constitucionalmente coerente” que a Região Autónoma dos Açores tenha um papel mais relevante na Comissão Bilateral. Destacou ainda a importância da representação regional ao mais alto nível, referindo que “se queremos ser valorizados, temos também de valorizar os nossos interlocutores ao mais alto nível”. Por fim, recordou as dificuldades vividas após o downsizing da Base das Lajes em 2015, criticando a falta de resposta por parte da República. “Problemas como o abandono das habitações dos bairros americanos arrastaram-se durante anos, tendo sido resolvidos apenas com a intervenção do nosso Governo Regional de Coligação”, apontou. Também deu como exemplo recente a actuação do Governo dos Açores durante o shutdown do Governo norte-americano, que garantiu o pagamento temporário dos salários dos trabalhadores portugueses da Base das Lajes. “Fica demonstrado que os problemas se resolvem quando os Açores têm voz activa e capacidade de decisão. Quando se discute o futuro dos Açores, os Açores não podem ser apenas objecto de decisão devem ser protagonistas dessa decisão”, concluiu. “Importância da Base das Lajes mantém-se e tem de ser capitalizada”, diz o Chega O líder parlamentar do Chega referiuque “actualmente aquela infra-estrutura ganhou a importância que o Chega sempre considerou que tinha. Importância estratégica e central no Atlântico, que deve ser capitalizada em benefício dos Açores e dos Açorianos”. No entanto, José Pacheco lembrou aquilo que foi afirmado pelo Vice-Presidente do Governo Regional, que “desde 1995 o acordo precisa de ser revisto”. Mas, insistiu, que “o Chega não pede que essa revisão seja feita já amanhã”, até porque, os Açores “não têm qualquer peso político nesta matéria, que é gerida por Lisboa”. O parlamentar lembrou, no entanto, que não se pode dizer aos norte-americanos para saírem da Região. Dirigindo-se para o PS, José Pacheco questionou onde estava o PREIT – Plano de Recuperação para a Ilha Terceira. “Onde está a implementação do PREIT? O que é que os senhores fizeram? Andaram a prometer aquilo que sabiam que jamais iriam fazer”, declarou o parlamentar. “Apesar da necessidade de respostas às questões levantadas pelo debate de urgência promovido pelo Chega, PS e PSD recusaram-se a ir a debate. Houve até um incidente, quando

Açores, Madeira e interior lideram preferências dos portugueses para viajar na Páscoa

Os destinos insulares, rurais e costeiros estão entre as escolhas preferidas dos portugueses para viajar durante a Páscoa deste ano, segundo dados divulgados pela plataforma de alojamento turístico Airbnb. De acordo com a empresa, as pesquisas nacionais por destinos dentro de Portugal aumentaram quase 30% face ao mesmo período do ano passado, evidenciando uma procura crescente por escapadinhas associadas à natureza, ao mar e a ambientes mais tranquilos. A informação foi revelada pela Airbnb Marketing Services S.L., que identifica uma tendência de afastamento do turismo urbano nesta época do ano. Com a chegada da primavera, muitos viajantes optam por destinos que permitam contacto com a natureza e experiências ao ar livre, procurando simultaneamente momentos de convívio com familiares e amigos. Entre os destinos nacionais mais pesquisados encontram-se os arquipélagos da Madeira e dos Açores, bem como várias regiões rurais e costeiras do continente. Entre os locais mais procurados surgem Funchal e Porto Santo, na Região Autónoma da Madeira, e Ponta Delgada e Madalena, na Região Autónoma dos Açores. No continente destacam-se ainda destinos como o Parque Nacional da Peneda-Gerês, Terras de Bouro, Seia, Lourinhã, Marco de Canaveses, Proença-a-Nova e Cantanhede, assim como várias localidades do Algarve, incluindo Albufeira, Quarteira e Portimão. O estudo da Airbnb aponta também para um perfil geracional claro entre os viajantes. Os chamados millennials lideram a tendência das viagens de primavera, representando mais de 40% das deslocações para destinos rurais. No caso específico das viagens em família durante a Páscoa, esta geração representa cerca de 70% do total das pesquisas registadas em Portugal. Ao mesmo tempo, as viagens familiares da chamada Geração Z apresentam um crescimento próximo dos 30% em relação ao ano anterior. Outro dado relevante refere-se ao formato das viagens. Cerca de 35% das pesquisas feitas em Portugal para a Páscoa dizem respeito a viagens em grupo e aproximadamente 29% correspondem a estadias em família. No conjunto, mais de 60% das pesquisas estão associadas a alojamentos adequados a grupos ou famílias, o que revela uma tendência crescente para experiências partilhadas e para o convívio entre amigos e familiares durante este período festivo. Entre as atividades mais procuradas destacam-se as experiências na natureza e as atividades ao ar livre, como caminhadas e trilhos. Nos Açores, por exemplo, a plataforma destaca os trilhos da ilha de São Miguel, enquanto na Madeira surgem percursos como o das “Vinte e Cinco Fontes”, no Funchal. No continente, experiências como o river trekking no rio Adrão, no Gerês, figuram também entre as preferências dos viajantes. Embora o turismo interno continue a dominar as escolhas para esta época do ano, a Airbnb assinala que muitos portugueses continuam igualmente a procurar destinos internacionais, sobretudo cidades europeias com boas ligações aéreas. Entre os destinos mais pesquisados destacam-se Paris, Madrid, Barcelona, Londres, Amesterdão, Roma, Sevilha e Milão, além de cidades intercontinentais como Rio de Janeiro e Nova Iorque. Citado na informação divulgada pela empresa, Jaime Rodríguez de Santiago, diretor-geral para Espanha e Portugal da Airbnb Marketing Services, refere que “os destinos rurais continuam a ganhar popularidade entre os viajantes portugueses nesta Páscoa”, sublinhando que muitos procuram desligar-se da rotina e aproveitar tempo de qualidade com familiares ou amigos, combinando natureza, atividades ao ar livre e contacto com a cultura local.

Censo de milhafres realiza-se no próximo fim-de-semana

O Censo de Milhafres/Mantas 2026 realiza-se no fim de semana de 21 e 22 de março e a SPEA BirdLife reforça o apelo à participação de voluntários nos Açores. Nesta edição especial, que assinala os 20 anos desta iniciativa de ciência cidadã, ainda há percursos por atribuir nas sete ilhas onde ocorre o milhafre, com maior necessidade de voluntários em Santa Maria, Terceira, São Jorge, Pico e Faial. Ao longo do fim de semana, equipas de voluntários percorrem estradas, trilhos e outros trajetos previamente definidos, a pé, de bicicleta ou de carro, registando as observações de milhafres. Os dados recolhidos são essenciais para acompanhar a população açoriana desta ave de rapina emblemática e melhorar o conhecimento sobre a sua distribuição no arquipélago. “O censo depende diretamente da participação dos voluntários. Ainda precisamos de reforçar a cobertura em algumas ilhas, sobretudo em Santa Maria, Terceira, São Jorge, Pico e Faial. Cada percurso realizado ajuda-nos a obter resultados mais robustos e a perceber melhor o estado da população de milhafres nos Açores”, afirma Ana Mendonça, coordenadora do Censo nos Açores. O milhafre é uma ave residente nos Açores e desempenha um papel importante no equilíbrio dos ecossistemas. Por ser uma espécie que depende do território ao longo de todo o ano, a sua monitorização ajuda também a detetar alterações no ambiente e a acompanhar ameaças como a alteração do habitat, o envenenamento, a eletrocussão e os atropelamentos. A participação está aberta a qualquer pessoa, com ou sem experiência prévia. Basta ter vontade de contribuir para a conservação da natureza e conseguir identificar um milhafre. A atividade pode ser feita individualmente, em família ou entre amigos, tornando-se também numa oportunidade de contacto com a natureza e de participação em ciência cidadã. Com base nos resultados mais recentes, a estimativa populacional aponta para cerca de 2. 642 milhafres nos Açores. Garantir um bom esforço de amostragem em todas as ilhas é fundamental para melhorar a precisão destas estimativas e acompanhar a evolução da espécie ao longo dos anos. As inscrições podem ser feitas através do formulário disponível no site da SPEA.

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