EDA Renováveis recebe licenças para 3,6 MW de potência eólica em Santa Maria e nas Flores

A Direcção Regional da Energia tornou públicas duas licenças de produção de energia eléctrica atribuídas à EDA Renováveis para instalações eólicas nas ilhas de Santa Maria e das Flores, abrangendo uma potência conjunta de 3,6 megawatts (MW). As duas licenças constam de extractos de despacho publicados, ontem, em Jornal Oficial da Região Autónoma dos Açores, e dizem respeito ao Parque Eólico do Figueiral, em Santa Maria, e à remodelação do Parque Eólico da Boca da Vereda, nas Flores. Em Santa Maria, o Extracto de Despacho n.º 233/2026 torna públicos os elementos essenciais da Licença de Produção de Energia Eléctrica não Vinculada ao Serviço Público atribuída à EDA Renováveis, relativa ao Parque Eólico do Figueiral, localizado no Figueiral, freguesia e concelho de Vila do Porto. A instalação será constituída por três aerogeradores, cada um com 900 quilowatts (kW) de potência, perfazendo uma potência total de 2.700 kW, ou 2,7 MW. Segundo o despacho, a electricidade produzida destina-se à venda para abastecimento da rede da concessionária do transporte e distribuição de energia eléctrica da ilha de Santa Maria. Nas Flores, a licença é relativa à Remodelação do Parque Eólico da Boca da Vereda de 900 kW, localizado na Boca da Vereda, freguesia da Lomba, concelho das Lajes das Flores. A decisão consta do Extracto de Despacho n.º 234/2026, igualmente publicado pela Direcção Regional da Energia. Neste caso, a instalação é constituída por um aerogerador de 900 kW, equipado com um transformador elevador incorporado de 400/15.000 volts e duas celas de Média Tensão. A produção eléctrica destina-se também à venda para abastecimento da rede da concessionária responsável pelo transporte e distribuição de electricidade na ilha das Flores. Somadas, as potências indicadas nos dois despachos correspondem a 3.600 kW, ou 3,6 MW, através de quatro aerogeradores de 900 kW cada: três no Parque Eólico do Figueiral, em Santa Maria, e um no âmbito da remodelação do Parque Eólico da Boca da Vereda, nas Flores. As duas licenças foram atribuídas à EDA Renováveis, S.A., e os respectivos extractos estão datados de 7 de Agosto e assinados pela Directora Regional da Energia. Os documentos não indicam os montantes de investimento associados às duas operações, calendários de execução ou entrada em funcionamento, nem permitem concluir que os 3,6 MW correspondam integralmente a um aumento líquido da capacidade eólica instalada nas duas ilhas. Essa distinção é particularmente importante no caso das Flores, uma vez que o próprio despacho qualifica a intervenção como “Remodelação do Parque Eólico da Boca da Vereda” e não como criação de um novo parque.
Desembarque de passageiros nos aeroportos dos Açores cai 4,3% em Julho

O número de passageiros desembarcados nos aeroportos dos Açores voltou a diminuir em Julho. Segundo os dados divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), desembarcaram na Região 296.064 passageiros, menos 13.161 do que no mesmo mês de 2025, o que corresponde a uma quebra homóloga de 4,3%. A redução foi determinada pelas ligações territoriais e internacionais, uma vez que o movimento interilhas se manteve praticamente ao mesmo nível do ano anterior. Nos voos entre ilhas desembarcaram 139.357 passageiros, contra 139.316 em julho de 2025, uma diferença de apenas 41 passageiros, que o SREA classifica como uma variação homóloga praticamente nula. Já nos voos territoriais foram contabilizados 104.495 desembarques, menos 7,8%, enquanto nas ligações internacionais chegaram aos aeroportos açorianos 52.212 passageiros, uma descida de 7,7%. As ligações interilhas representaram, assim, 47,1% de todos os passageiros desembarcados nos Açores em julho. Os voos territoriais, que na metodologia do SREA correspondem às ligações entre os Açores e Portugal Continental ou a Madeira, concentraram 35,3%, enquanto os voos internacionais representaram os restantes 17,6%. A evolução negativa estendeu-se também aos embarques. Em Julho partiram dos aeroportos da Região 276.520 passageiros, menos 14.853 do que no mesmo mês do ano passado, traduzindo uma redução homóloga de 5,1%. Nos voos interilhas embarcaram 139.608 passageiros, mais 0,2%, mas nas ligações territoriais o número caiu 10,8%, para 89.997 passageiros, e nos voos internacionais recuou 8,3%, para 46.915. Os dados por ilha mostram que apenas Pico e Flores registaram crescimento homólogo dos desembarques em julho. No Pico chegaram 19.633 passageiros, mais 5,3% do que um ano antes, enquanto nas Flores foram contabilizados 10.116, um aumento de 5,2%. Todas as restantes ilhas registaram quebras: Corvo, -12,7%; São Miguel, -7,0%; São Jorge, -6,7%; Graciosa, -3,5%; Terceira, -2,1%; Santa Maria, -1,5%; e Faial, -0,6%. São Miguel continuou, apesar da descida, a concentrar mais de metade do movimento regional. A ilha recebeu 162.130 passageiros, correspondentes a 54,8% de todos os desembarques nos Açores. Seguiram-se a Terceira, com 60.283 passageiros e 20,4% do total, o Faial, com 21.547 e 7,3%, e o Pico, com 19.633 passageiros e uma quota de 6,6%. Santa Maria contabilizou 8.632 desembarques, São Jorge 8.196, Flores 10.116, Graciosa 4.736 e Corvo 791. No acumulado dos primeiros sete meses de 2026, os aeroportos açorianos registaram 1.265.798 passageiros desembarcados, contra 1.368.829 no período homólogo de 2025. A diferença é de 103.031 passageiros, equivalente a uma redução de cerca de 7,5%. Do lado dos embarques, foram contabilizados 1.227.775 passageiros entre Janeiro e Julho, menos 103.192 do que os 1.330.967 registados nos mesmos sete meses do ano anterior, correspondendo a uma quebra de aproximadamente 7,8%.
Artur Lima defende uma reflexão profunda sobre desafios do envelhecimento populacional

O Vice-Presidente do Governo Regional, Artur Lima, defendeu ontem uma “reflexão profunda” sobre os desafios do envelhecimento populacional, por ocasião do 164º aniversário do Lar D. Pedro V. Para o Vice-Presidente do Governo, é “fundamental iniciarmos uma reflexão profunda sobre uma nova economia, a economia sénior”, cujo “impacto futuro será imenso”. Nesse sentido, “terá de se olhar muito seriamente para a inclusão” da pessoa idosa, para “a sua participação nas nossas comunidades” e para “o seu bem-estar nas mais variadas dimensões”, salientou. “Há que prever e prevenir para depois actuar”, sublinhou Artur Lima. Em referência à transição demográfica em curso, o governante asseverou que “é essencial a participação do Estado, que tem o dever de protecção daqueles que cuidaram de nós, em articulação e cooperação com as IPSS, que têm e terão sempre um papel humanista nesta matéria”. Durante a sessão comemorativa do aniversário do Lar D. Pedro V, o Vice-Presidente do executivo destacou a “história de prestação de cuidados de excelência, centrados em cada idoso e atentos à diversidade das suas necessidades”. Como instituição de referência, prosseguiu, “é muito mais do que um espaço de acolhimento. Aqui, são valorizadas todas as etapas do envelhecimento, é valorizado o contributo de inúmeros pais e avós para a nossa terra, é partilhada a sua sabedoria e a sua identidade e é preservada a sua memória, que é também a de todos nós, e por essa razão tão valiosa”. Artur Lima enalteceu o facto de a IPSS ter sido, em 2022, a primeira Instituição de Enquadramento do “Novos Idosos” em toda a Região Autónoma dos Açores, garantindo que se “empenhará sempre para que o programa continue dinâmico e activo, contribuindo para a dignidade da pessoa humana, matriz da democracia cristã”. O governante recordou que o “Novos Idosos” beneficiou já centenas de açorianos, e que o seu sucesso foi reconhecido pela OCDE, ao mesmo tempo que os resultados das avaliações independentes ao programa revelam “resultados extremamente positivos”. “Seis em cada dez idosos melhoraram as funções cognitivas, oito em cada dez sentem-se menos sós e nove em cada dez está mais satisfeito com a vida”, realçou. Nesse contexto, Artur Lima dirigiu também palavras de agradecimento à sua equipa, à Estrutura de Missão do programa e às IPSS, “pelo seu compromisso para que fosse possível uma mudança de paradigma na forma de cuidar de quem vai envelhecendo”. O Vice-Presidente do Governo referiu-se ainda ao conceito de “direito a ficar” celebrizado por Enrico Letta, notando que se deveria aplicar à pessoa idosa. “Que melhor materialização podemos querer deste conceito, do que um idoso, depois de ter construído a sua casa, constituído a sua família, criar os seus filhos, ter o direito a ficar na sua ilha, no seu concelho, na sua freguesia, na sua rua, no seu lar, recebendo, porventura, os seus netos?”, interpelou. Como “projecto humanista e pioneiro em Portugal e na Europa, o ‘Novos Idosos’ é a materialização maior do ‘direito a ficar’, concluiu Artur Lima.
UAc recebe verbas para monitorizar contaminantes e stocks prioritários dos mares dos Açores

O Governo Regional dos Açores autorizou a transferência de 367.904,51 euros para a Universidade dos Açores (UAc) destinada a financiar dois programas científicos ligados à monitorização dos recursos marinhos: o plano regional de controlo de contaminantes em organismos destinados ao consumo humano e o programa FISHSTAZ, dedicado ao acompanhamento do estado dos stocks marinhos prioritários do arquipélago. As duas transferências constam das Portarias n.º 862/2026 e n.º 863/2026, publicadas, ontem, em Jornal Oficial dos Açores, pela Secretaria Regional do Mar e das Pescas. A maior verba, no montante de 229.560 euros, corresponde à terceira anuidade, referente a 2025, do projecto do Plano de Monitorização Regional de Contaminantes em Organismos Marinhos para Consumo Humano, que abrange o quinquénio de 2023 a 2027. A transferência destina-se ao financiamento das despesas do projecto, ao abrigo do contrato de apoio celebrado entre a Secretaria Regional do Mar e das Pescas e a Universidade dos Açores. De acordo com a portaria, a Universidade dos Açores apresentou este projecto para o período de cinco anos, tendo-lhe sido atribuído um apoio financeiro global de 958.236 euros. A primeira anuidade, relativa a 2023, foi paga através de uma portaria publicada em Novembro desse ano e ascendeu a 99.996 euros. Já a segunda anuidade, referente a 2024, resultou no pagamento de 56.619,11 euros. Neste último caso, o diploma agora publicado esclarece que foi deduzido um total de 160.940,89 euros, correspondente a valores que não foram comprovados na execução de protocolos anteriormente celebrados e na execução da anuidade de 2023. O Governo justifica o financiamento deste plano com o interesse público de uma gestão partilhada de tarefas e responsabilidades entre a administração regional e as entidades científicas ligadas às ciências do mar, tendo em vista aumentar a eficácia da gestão dos recursos haliêuticos dos mares dos Açores. A segunda transferência agora determinada destina-se ao FISHSTAZ – Programa de Monitorização do Estado dos Stocks Marinhos Prioritários dos Açores. Para a execução do programa em 2025 tinha sido atribuído à Universidade dos Açores um apoio de 140.147,59 euros. Contudo, a portaria refere expressamente que a Universidade dos Açores não comprovou a execução de 1.803,08 euros. Em consequência, a verba efectivamente transferida é de 138.344,51 euros, precisamente a diferença entre o apoio inicialmente atribuído e o montante cuja execução não foi comprovada. O FISHSTAZ enquadra-se na política regional de gestão sustentável dos recursos marinhos vivos e visa contribuir para o conhecimento científico das espécies existentes nos mares dos Açores e para uma melhor gestão e conservação dos recursos haliêuticos.
Lagoa vai ter Centro Municipal de Protecção Civil com Posto Avançado de Bombeiros

A vereadora da Câmara Municipal da Lagoa, Graça Costa, esteve presente na cerimónia comemorativa do 147.º aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Ponta Delgada (AHBVPD), onde anunciou a abertura do Centro Municipal de Protecção Civil na Lagoa, que integrará um Posto Avançado de Bombeiros. O novo equipamento pretende reforçar a coordenação municipal em matéria de Protecção Civil, melhorar a capacidade de resposta perante situações de emergência e apoiar todas as entidades que diariamente trabalham em prol da segurança da população. O Posto Avançado de Bombeiros no concelho da Lagoa, contará com instalações disponibilizadas pela Câmara Municipal e de meios que, numa primeira fase, incluirão uma Ambulância de Transporte de Doentes, um veículo ligeiro de combate a incêndios e uma viatura de Pronto-Socorro Médio. Apesar dos indicadores actuais demonstrarem que os tempos de resposta no concelho da Lagoa se encontram dentro dos parâmetros definidos pelo Serviço Regional de Protecção Civil, a Câmara Municipal da Lagoa pretende antecipar as necessidades futuras e reforçar a capacidade de prevenção, coordenação e resposta, contribuindo para uma Protecção Civil mais próxima, preparada e resiliente. Na ocasião, Graça Costa destacou ainda que os 147 anos da AHBVPD representam “uma história de dedicação, coragem e serviço, construída por homens e mulheres que, ao longo de quase século e meio, têm colocado o interesse público ao serviço da comunidade, com coragem, competência e espírito de missão”. Neste âmbito, Graça Costa reafirmou o compromisso da Câmara Municipal da Lagoa com o apoio à corporação de bombeiros, destacando que o investimento realizado nesta área é encarado como um investimento na segurança das pessoas. A autarquia pretende, igualmente, evoluir para soluções mais estáveis, nomeadamente através de protocolos plurianuais que permitam uma maior capacidade de planeamento por parte da Associação. A cerimónia ficou, ainda, marcada pelo reconhecimento de bombeiros ligados ao concelho da Lagoa, tendo sido homenageados Tiago Moniz, Geraldo Rocha e Luís Melo, bem como a funcionária Cidália Vieira também lagoense. Estas homenagens constituíram um momento de reconhecimento público pelo percurso, dedicação e espírito de serviço demonstrados ao longo dos anos.
Governo analisa queixas de assimetrias remuneratórias na enfermagem e aguarda informação adicional

O Governo Regional dos Açores não avança, nesta fase, com qualquer prazo para concluir o levantamento das situações de assimetria remuneratória na carreira de enfermagem e revela que, até ao momento, recebeu apenas duas situações concretas, tendo solicitado aos respetivos profissionais informação adicional por considerar insuficientes os elementos apresentados. A informação consta da resposta do Executivo açoriano a um requerimento do Bloco de Esquerda (BE), apresentado a 27 de julho, no qual o partido pediu esclarecimentos sobre o processo destinado a identificar enfermeiros que possam estar a receber remunerações inferiores às de colegas com menor antiguidade ou percurso profissional comparável. Na resposta, datada de 6 de Agosto, o Governo esclarece que o levantamento em curso “não corresponde a um processo de revisão geral e oficiosa” das situações remuneratórias dos enfermeiros. O procedimento assenta, segundo o Executivo, na recolha e consolidação dos casos concretamente sinalizados pelos próprios profissionais. Para que cada situação possa ser analisada, os interessados têm de identificar o colega ou colegas que servem de termo de comparação e fornecer os elementos mínimos que permitam determinar se estão em causa percursos profissionais e situações jurídicas efetivamente comparáveis. Segundo o Governo Regional, nas duas exposições recebidas até ao momento foram apresentadas apenas “considerações gerais” e referências genéricas a colegas com menor antiguidade, sem identificação concreta desses trabalhadores nem apresentação dos restantes elementos considerados indispensáveis à comparação. Por esse motivo, foi pedido aos dois profissionais que completassem os respetivos processos com a informação necessária. Esta circunstância leva o Executivo a afirmar que não é possível, nesta altura, estabelecer uma data para a conclusão global do levantamento. O Governo justifica que todo o processo está dependente da sinalização concreta das situações pelos interessados e da entrega dos elementos necessários à respetiva análise. O Executivo assegura que continuará a analisar individualmente as exposições que reúnam os elementos necessários e que as conclusões serão posteriormente comunicadas aos enfermeiros envolvidos, seguindo depois os procedimentos legais aplicáveis. O Governo acrescenta ainda que serão apreciadas todas as queixas ou exposições apresentadas por enfermeiros, desde que estejam devidamente instruídas e acompanhadas dos elementos objetcivos considerados necessários. A apreciação será igualmente realizada quando a documentação venha a ser entregue na sequência de um pedido posterior dos serviços para completar o processo. O requerimento do BE surgiu depois de o Governo Regional se ter comprometido anteriormente a realizar um processo de revisão e análise assente num levantamento nominal consolidado das situações comunicadas por enfermeiros que considerassem existir assimetrias ou inversões remuneratórias. O objectivo anunciado era verificar se as diferenças encontradas tinham uma justificação legal e, nos casos em que fosse comprovada uma assimetria ou inversão remuneratória injustificada, dar uma resposta às situações identificadas. No documento enviado ao parlamento açoriano, o Bloco de Esquerda sustentava, contudo, ter recebido queixas de profissionais que afirmavam ter pedido a inclusão no levantamento e continuarem sem resposta “mesmo após mais de um mês de espera”. O partido referia situações de enfermeiros com mais tempo de serviço que recebem menos do que colegas com menos anos de carreira e apontava para diferenças mensais que, de acordo com as queixas que lhe chegaram, podem atingir “várias centenas de euros”. Foi neste contexto que o BE questionou o Governo sobre as razões da ausência de resposta aos profissionais, os prazos para concluir o levantamento, o estado do processo e as medidas destinadas a assegurar que todas as queixas sejam consideradas. Na resposta remetida à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, o Executivo não confirma a existência de situações de assimetria remuneratória injustificada. Limita-se a esclarecer que, até 6 de agosto, haviam sido comunicados dois casos e que ambos aguardavam a apresentação de elementos adicionais que permitissem proceder à respectiva análise.
Federação Agrícola dos Açores alerta para desvalorização do leite e da carne e para pressão crescente sobre os produtores

Em nota de imprensa, o presidente da Federação Agrícola dos Açores (FAA), Jorge Rita, manifestou grande preocupação com a descida dos preços do leite e da carne pagos aos produtores, alertando para o impacto desta situação no rendimento e na sustentabilidade das explorações agrícolas. No sector leiteiro, Jorge Rita condenou a redução de 1,5 cêntimos por litro no preço do leite pago aos produtores de São Miguel, anunciada pela Bel, com entrada em vigor a 1 de Setembro. Depois das reduções já anunciadas por outras indústrias para o mês de Agosto, nomeadamente pela Lactogal, Prolacto e Insulac, Jorge Rita afirmou que esta nova descida “é preocupante e um duro golpe” para os produtores de leite, além de que compromete a confiança dos agricultores e coloca em causa a sustentabilidade económica das explorações leiteiras. “O produtor precisa de previsibilidade para gerir a sua exploração e cumprir os seus compromissos financeiros. Com sucessivas reduções do preço do leite, aquilo que se instala é um clima de incerteza que fragiliza todo o sector”, afirmou. O presidente da FAA alertou que esta decisão surge “numa altura em que se antecipa um novo aumento dos custos de produção, associado ao actual contexto internacional e às condições climatéricas extremas registadas em vários países.” Jorge Rita recordou que o mercado dos produtos lácteos já atravessou períodos mais desfavoráveis e que existia “a expectativa de uma melhoria, numa fase em que a produção de leite tende a diminuir e a cotação de alguns produtos lácteos tem vindo a recuperar, tornando esta redução ainda mais difícil de compreender.” O também presidente da Associação Agrícola de São Miguel alertou ainda que as descidas do preço do leite poderão “acelerar o abandono da actividade por parte de alguns produtores, desmotivar o investimento nas explorações e afastar os jovens do sector, somando-se aos desafios que o sector já enfrenta, entre os quais a escassez de mão-de-obra.” A preocupação da FAA estende-se igualmente ao sector da carne, perante a descida registada nos preços nos mercados internacionais, “que está a exercer uma pressão acrescida sobre os produtores.” O dirigente manifestou também preocupação e solidariedade para com a situação recentemente denunciada pela Associação de Produtores de Leite Biológico da Ilha Terceira, que alertou que a produção de leite biológico da Terceira corre o risco de acabar depois de ter criado grandes expectativas nos produtores. Para a FAA, a desvalorização do leite e da carne representa “um sinal negativo para o presente e para o futuro da agricultura açoriana, desmotivando quem trabalha diariamente e arduamente em prol do sector.” “Perante este cenário, é necessário que sejam tomadas medidas para apoiar os agricultores”, salientou a nota. Neste sentido, Jorge Rita defendeu que os 23 milhões de euros da República, no âmbito dos apoios extraordinários relacionados com a guerra na Ucrânia, devem ser disponibilizados aos agricultores açorianos rapidamente, de forma a contribuir para atenuar as dificuldades que o sector atravessa.
Investimento na saúde no Pico demonstra “cumprimento” do PRR, destaca José Manuel Bolieiro

O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, presidiu à entrega de seis viaturas eléctricas à Unidade de Saúde da Ilha do Pico (USIP), num investimento superior a 250 mil euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que permitirá renovar uma frota envelhecida e reforçar a capacidade de resposta dos profissionais de saúde junto da população. A renovação assume particular importância numa ilha onde a prestação de cuidados implica deslocações frequentes e onde o acompanhamento no domicílio constitui uma resposta essencial, sobretudo para pessoas mais idosas, com mobilidade reduzida ou que vivem mais isoladas. “Estas viaturas não são apenas um instrumento de mobilidade. São uma garantia de proximidade e de presença junto de quem precisa de nós”, afirmou José Manuel Bolieiro, destacando a dimensão humana de um investimento que permitirá levar os profissionais de saúde mais perto dos utentes. A USIP integra os Centros de Saúde da Madalena, São Roque e Lajes do Pico, além da Extensão de Saúde da Piedade. Só no primeiro semestre deste ano, os três centros de saúde realizaram 3.490 consultas domiciliárias: 1.609 na Madalena, 946 em São Roque e 935 nas Lajes. Em 2025 tinham sido efectuadas 6.576 consultas domiciliárias, depois das 6.338 registadas em 2024. O líder do executivo açoriano destacou que estes números ajudam a demonstrar a importância de assegurar às equipas condições adequadas para chegarem às pessoas. “O apoio domiciliário, os cuidados prestados a quem está em sua casa e a presença junto daqueles que se sentem sós são fundamentais. Há também uma dimensão de combate à solidão através da presença de quem pode cuidar e ajudar”, salientou. Das seis novas viaturas, três serão afectas directamente aos Centros de Saúde da Madalena, São Roque e Lajes do Pico, uma por unidade. As restantes três ficarão ao serviço das equipas técnicas da USIP, designadamente nas áreas da Saúde Escolar e da Saúde Mental e noutras actividades que exigem deslocações aos domicílios. Além de aumentar a disponibilidade dos meios de transporte, o investimento permite substituir veículos de uma frota que, em alguns casos, conta com cerca de 30 anos, reduzindo custos associados a avarias e manutenção e permitindo uma organização mais eficiente das deslocações dos profissionais. “Estamos a modernizar a capacidade dos três centros de saúde da ilha, para garantir que, onde faz falta uma presença, possa estar quem é necessário para ajudar”, declarou José Manuel Bolieiro, salientando ainda os ganhos de eficiência e de economia para a gestão da Unidade de Saúde. A entrega das viaturas integra um conjunto mais amplo de investimentos realizados através do PRR na Unidade de Saúde da Ilha do Pico. No total, foram canalizados mais de um milhão de euros, incluindo 468.401,72 euros no âmbito do Hospital Digital e 564.347,08 euros destinados à modernização e requalificação do Serviço Regional de Saúde. Entre os equipamentos adquiridos encontram-se dois aparelhos de raio-X, um ventilador portátil, dois monitores desfibrilhadores para emergência médica, diversos equipamentos de monitorização, dopplers e sondas, candeeiros para pequena cirurgia, as seis viaturas eléctricas agora entregues e postos de carregamento. A estes investimentos acresce uma intervenção superior a 500 mil euros para a resolução dos problemas do sistema de Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado (AVAC), destinada a proporcionar melhores condições de funcionamento aos profissionais e aos utentes. José Manuel Bolieiro realçou, neste contexto, a execução do PRR nos Açores e a prioridade atribuída pelo Executivo à modernização do Serviço Regional de Saúde. “Estamos a cumprir mais um marco e uma meta do PRR. A nossa expectativa é cumprir integralmente os marcos e as metas definidos, dando particular força ao envelope financeiro destinado à saúde”, afirmou. Mais profissionais e maior actividade assistencial O reforço dos meios materiais tem sido acompanhado pelo aumento dos recursos humanos. A Unidade de Saúde da Ilha do Pico conta actualmente com cerca de 225 profissionais, mais 24 do que em 2019. Na cobertura por médico de família, encontra-se na fase final um procedimento concursal para dois médicos de Medicina Geral e Familiar. Com a entrada destes profissionais, a expectativa é que a ilha alcance uma taxa de cobertura superior a 90%, face aos 77% anteriormente registados. Nas Lajes do Pico, a colaboração de dois médicos reformados está, entretanto, a permitir assegurar consultas de Medicina Geral e Familiar a cerca de 1.300 utentes sem médico de família atribuído. O Governo dos Açores tem também em funcionamento, na Madalena e em São Roque do Pico, o protocolo de apoio à habitação destinado a médicos, que prevê o apoio integral à renda durante 24 meses, enquanto instrumento de atracção e fixação de profissionais na ilha. Os indicadores assistenciais revelam igualmente um crescimento da actividade da USIP entre 2019 e 2025. As consultas médicas nas unidades básicas de urgência aumentaram 9%, de 22.008 para 23.926; as consultas de medicina dentária cresceram 60%, de 2.160 para 3.454; e as consultas de psicologia subiram 31%, de 2.443 para 3.192. Registaram-se ainda aumentos de 69% nas consultas de serviço social, de 5% nas sessões de fisioterapia e de 117% nas sessões de terapia ocupacional. José Manuel Bolieiro salientou que estes resultados devem ser acompanhados por uma “exigência permanente” de melhoria do Serviço Regional de Saúde, mas também pelo reconhecimento do trabalho realizado diariamente pelas equipas. “O Governo está satisfeito com o aumento da produtividade e, ao mesmo tempo, inquieto porque queremos fazer mais e melhor. Mas é justo saudar quem garante melhores condições de serviço aos nossos utentes: os profissionais de saúde”, concluiu. Na cerimónia estiveram igualmente presentes a Secretária Regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, e a Presidente do Conselho de Administração da Unidade de Saúde da Ilha do Pico, Cátia Salvador. José Manuel Bolieiro anuncia avanço do novo Centro de Saúde das Lajes do Pico Na ocasião, o Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, também, anunciou que o Executivo prevê lançar, até ao final deste ano, o procedimento para a empreitada de construção do novo Centro de Saúde das Lajes do Pico, um investimento estimado em cerca de 10 milhões de
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Edição de 11 de Agosto de 2026
Polícia Marítima apreende cerca de 11kg de lapas em Vila do Porto
Os elementos do Comando Local da Polícia Marítima de Vila do Porto apreenderam, no dia 8 de Agosto, cerca de 11kg de lapas, durante uma acção de fiscalização dirigida à prática da actividade da apanha de lapas, realizada na área portuária de Vila do Porto, na ilha de Santa Maria, nos Açores. Durante esta acção, os elementos do Comando Local da Polícia Marítima detectaram um indivíduo a exercer a apanha lúdica de lapas em apneia, junto ao cais comercial de Vila do Porto, tendo o mesmo sido posteriormente interceptado no interior da marina de Vila do Porto, na posse de cerca de 11kg de lapas. Na sequência da acção de fiscalização, foi elaborado o auto de notícia e instaurado o respectivo processo de contra-ordenação, originando a apreensão, como medida cautelar, de um fato de mergulho, um par de barbatanas, uma máscara, um tubo de mergulho, uma bóia e uma faca. Por se encontrarem vivas, as lapas foram devolvidas ao seu habitat natural. Na fiscalização estiveram empenhados dois elementos do Comando Local da Polícia Marítima de Vila do Porto, apoiados por uma viatura.