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16 Dias de Ativismo pelo fim da Violência Contra as Mulheres

Transfeminismo?

O movimento social transgénero tem-se tornando cada vez mais visível, sendo que esta visibilidade resulta da reflexão que tem sido feita em torno das identidades de homens e mulheres transexuais, do seu ativismo social, aumentando a consciência política destes grupos minoritários, onde são partilhados crenças e sentimentos com outros indivíduos que comungam de um sentido de pertença. Anteriormente considerados invisíveis, estes grupos, hoje, atuam na cena social, intelectual e política.
Mesmo no feminismo, o seu sujeito deixou de ser apenas a “mulher” para abarcar o conjunto de interações que vão desde a raça, à cultura, à classe social, à ideologia, à religião, à orientação sexual, sendo que o transfeminismo acaba por acrescentar as ideologias ligadas às identidades de género, encarado-as como uma recusa do binarismo de género, numa perspetiva de intersecionalidade. Na ótica de algumas hostes do feminismo mais tradicional, torna-se difícil atender a esta diversidade de sentires, de corpos, uma vez que a dicotomia homem/mulher sempre esteve na vanguarda das lutas feministas, no entanto, o feminismo, a partir de uma ideia de mulher essencial, a que as mulheres trans não podiam aspirar a ser, implicou uma série de respostas e posicionamentos relativamente ao cerne dos seus sujeitos.
Emanado do movimento feminista, o transfeminismo ou o feminismo transgénero carateriza-se por ser um movimento intelectual e político que desmantela e redefine a equiparação entre género e biologia, ao mesmo tempo que reitera o caráter interacional das opressões, reconhecendo a luta das mulheres transexuais, e as experiências da população transgénero.
Como é referido na literatura, as mulheres transexuais não têm o mesmo tratamento que as mulheres cisgénero, consideradas como “mulheres de verdade”, do mesmo modo que não têm as mesmas oportunidades, uma vez que para além da discriminação que advém do fato de serem transexuais, ainda se acresce o fato de serem também vítimas do machismo e do sexismo.
O transfeminismo também se carateriza como um movimento feito por e para mulheres trans, no entanto não está em causa a libertação apenas das mulheres trans, também passa pela libertação de todas as mulheres, libertação essa que recusa a designação de base biológica do sexo, dado que retira o direito aos indivíduos à auto-expressão e à autodeterminação, ou seja, este movimento busca empoderar os corpos das pessoas.
No fundo, o transfeminismo é a exigência ao direito universal pela autodeterminação, pela identidade, pela livre orientação sexual e pela livre expressão de género, ou seja, o transfeminismo acaba por ser a auto-expressão de mulheres trans e cissexuais. O transfeminismo é, também, a auto-expressão das pessoas andrógenas em seu legitimo direito de não serem nem homens nem mulheres. Propõe-se, portanto, a luta pela autonomia corporal de todos os seres humanos.
Em suma, o transfeminismo é conceptualizado para tod@s @s que acreditam e lutam por uma sociedade justa, igualitária, onde a expressão de género seja livre e onde caibam todos os géneros e todos os sexos.

Carmen Bettencourt *
* Antropóloga

Campanha 16 Dias pelo Fim da Violência contra as Mulheres 2023

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