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Rui Medeiros, investigador e professor universitário

“O cancro nos Açores poderia ser evitado”

Acaba de ser eleito para a Direcção da maior organização europeia de cancro, a ECO-European Cancer Organization. Que significado atribui a esta eleição?
Esta eleição representa uma honra e uma responsabilidade.
A ECO-European Cancer Organization (https://www.europeancancer.org) é a maior organização europeia focada na luta contra o cancro e inclui 42 organizações, entre elas instituições de saúde e associações que representam doentes oncológicos, e tem como missão discutir estratégias para reduzir o impacto da doença oncológica na Europa, melhorar os resultados e a qualidade dos cuidados prestados aos doentes oncológicos, através da multidisciplinaridade e compromisso com a ciência.
São membros da ECO, a maior parte das associações/sociedades europeias que tem algum compromisso profissional ou científico na luta contra o cancro.
A luta contra o cancro representa uma prioridade não só da União Europeia, mas também a nível pessoal.
 Nos últimos 30 anos grande parte do nosso percurso profissional, científico e académico tem sido dedicado a luta contra o cancro em todas as suas vertentes desde que entrei no Instituto Português de Oncologia do Porto, e mais recentemente também na Liga Portuguesa Contra o Cancro.
 Como sempre tentaremos dar o nosso melhor tendo a finalidade última a melhoria dos cuidados de saúde e o bem-estar da nossa comunidade.

Tem recebido vários prémios nacionais e internacionais, entre os quais, com a sua equipa, o Prémio Nacional de Investigação em Oncologia com um estudo sobre o cancro nos ovários. Qual é o panorama da doença, neste momento, no nosso país?
No caso desse prémio, a investigação teve como foco a nova abordagem no tratamento personalizado do doente oncológico com recurso a Farmacogenómica e à Medicina de Precisão no cancro do ovário que continua a ser uma neoplasia bastante agressiva e mortal.
Um dos problemas principais continua a ser a ausência de um método de rastreio eficaz que possa indicar ou alertar para a deteção precoce desta neoplasia.
Em consequência muitos dos casos são já diagnosticados numa fase avançada e já com muita maior dificuldade de um tratamento com sucesso.
Sabemos que na maior parte dos tumores a precocidade do diagnóstico é essencial para o sucesso.

Como sabe, os Açores têm uma elevada taxa de patologias ligadas ao cancro, nomeadamente tabágico. Como avalia a situação açoriana?
Quando falamos em doenças associadas ao tabaco não nos devemos esquecer que não estamos só a falar do cancro do pulmão, cancro da cabeça e pescoço e outros, mas também de doenças respiratórias e cardiovasculares incapacitantes.
Certamente que melhoramos muito desde a época em que se fumava nos restaurantes, autocarros, aviões e até nos hospitais.
Felizmente tudo isso mudou e sem dúvida todos beneficiamos com isso. No caso dos Açores os números são relevantes e penso que cerca de 150 casos de cancro de pulmão serão diagnosticados todos os anos, mas o efeito será muito maior se considerarmos todas as outras doenças provocadas pelo tabaco.
(continua na pág. seguinte)

Foto: www.cancer.eu

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