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Jack Oliveira: empreendedor e benemérito da comunidade portuguesa em Toronto

“Nos vários exemplos de empreendedores portugueses da diáspora, cada vez mais reconhecidos como uma mais-valia estratégica na promoção internacional do país, destaca-se o percurso inspirador e de sucesso do comendador Jack Oliveira, o mais conhecido e emblemático dirigente sindical da comunidade portuguesa em Toronto.”

Uma das marcas mais características das comunidades portuguesas espalhadas pelos quatro cantos do mundo é a sua dimensão empreendedora e benemérita como corroboram as trajetórias de diversos compatriotas que criam empresas de sucesso, e desempenham funções de relevo a nível cultural, social, económico e político.
Nos vários exemplos de empreendedores portugueses da diáspora, cada vez mais reconhecidos como uma mais-valia estratégica na promoção internacional do país, destaca-se o percurso inspirador e de sucesso do comendador Jack Oliveira, o mais conhecido e emblemático dirigente sindical da comunidade portuguesa em Toronto.
Natural da Murtosa, vila do distrito de Aveiro, Jack Oliveira emigrou para o Canadá em 1972, com 12 anos de idade, ao encontro dos pais e do irmão, que tinham encetado no ocaso dos anos 60 uma trajetória migratória transatlântica em demanda de melhores condições de vida para uma família humilde, na esteira de milhares de compatriotas que procuravam também que os seus descendentes não passassem pelo tirocínio do serviço militar obrigatório na Guerra Colonial.
A chegada a Toronto, a maior cidade do Canadá, numa fase de crescimento da emigração lusa para o território da América do Norte, marca o início de um percurso de vida de um verdadeiro “self-made man”. O trabalho, o esforço e a resiliência, valores coligidos no seio familiar, forjaram uma ética de carácter e de trabalho que impeliram ainda na adolescência o jovem murtosense a trabalhar numa fábrica de ferro, e pouco tempo depois a abrir uma empresa de transportes por conta própria.
A experiência profissional acumulada durante a adolescência que não permitiu a prossecução dos estudos, funcionou como antecâmara para o dealbar de uma carreira profissional fulgurante na área da construção. Primeiro como trabalhador da Armbro Construction onde consolidou as suas competências e conhecimentos, contexto que o levou na década de 80 a registar-se como membro da Liuna Local 183, e no termo dos anos 90 a ser contratado como Organizador da Local 183, e ainda nessa época, a ser designado Representante de Negócios para o Setor de Construção Pesada.
O relevante trabalho e ação desenvolvido por Jack Oliveira na Liuna Local 183, o mais forte sindicato da construção civil da América do Norte, impulsionaram a sua eleição em 2007 como Membro do Executivo da Local 183, e desde 2011, até aos dias de hoje, a liderança da estrutura no cargo de Business Manager.
Uma liderança carismática, sucessivamente renovada através de uma dedicação inexcedível e do apoio dos cerca de 70 mil membros da estrutura sindical, milhares deles de origem portuguesa, a quem é reconhecido publicamente que a Liuna Local 183 tem proporcionado melhores condições de trabalho, em segurança e com boas condições remuneratórias.
O cunho diligente de Jack Oliveira ao longo dos últimos anos no movimento sindical e no mundo do trabalho, na defesa dos direitos dos trabalhadores portugueses no Canadá, concorreram decisivamente para que em 2017 o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com o cunho da UGT, agraciasse o emigrante murtosense com a Comenda da Ordem de Mérito Empresarial. Uma ordem honorifica portuguesa justamente merecida, destinada a distinguir quem haja prestado, como empresário ou trabalhador, serviços relevantes no fomento ou na valorização de um setor económico.
Têm sido várias as distinções que o empreendedor luso-canadiano tem alcançado ao longo do seu profícuo percurso socioprofissional e sindical. Entre elas, destacam-se também, por exemplo, em 2016 a homenagem pública na Gala Community Spirit Award promovida pelo Centro Cultural Português de Mississauga (PCCM), uma representativa agremiação lusa na província do Ontário. E a mais recente, no dia 13 de maio de 2023, no âmbito das celebrações oficiais dos 70 anos de emigração portuguesa para o Canadá, através do reconhecimento público do Portuguese Canadian Walk of Fame.
Nas diversas distinções obtidas, destacam-se nos seus fundamentos os predicados da liderança de Jack Oliveira à frente dos destinos da Liuna Local 183, mormente o importante trabalho que a estrutura sindical tem realizado no apoio a organizações de cariz social ou de promoção da diversidade multicultural. Como é o caso, da ajuda essencial que a Liuna Local 183 tem dedicado à construção do Magellan Community Centre, ou seja, à construção a breve prazo da “casa” para os mais velhos da comunidade luso-canadiana.
Um projeto, há muito ambicionado pelos emigrantes portugueses em Toronto, dinamizado pela Magellen Community Charities (Instituição de Caridade Comunitária Magalhães), presidida pelo comendador Manuel Da Costa, um dos mais ativos e beneméritos empresários portugueses em Toronto. No hercúleo esforço que a Magellen Community Charities tem desenvolvido em prol da angariação de fundos no seio da comunidade luso-canadiana, o apoio e altruísmo da Liuna Local 183 têm sido fundamentais.
Ainda no limiar do presente mês, a Magellan Community Foundation recebeu mais uma doação da Liuna Local 183, no valor de 250 mil dólares. Uma entrega que cumpre o plano estabelecido pela estrutura sindical liderada por Jack Oliveira, e que representa o segundo cheque de quatro do mesmo valor, atingindo um total de 1 milhão de dólares em quatro anos.
Uma das figuras mais conhecidas da comunidade lusa em Toronto, onde vive a maioria dos mais de 500 mil portugueses e lusodescendentes presentes no Canadá, o exemplo de vida do empreendedor, sindicalista e comendador benemérito Jack Oliveira, incita-nos o repto humanista e marcante de Nelson Mandela: “Um dos desafios do nosso tempo, sem ser beato ou moralista, é reinstalar na consciência do nosso povo esse sentido de solidariedade humana, de estarmos no mundo uns para os outros, e por causa e por meio dos outros”.

Daniel Bastos

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