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A importância dos 154 anos do Diário dos Açores para as novas gerações

Sou descendente de imigrantes açorianos, da segunda geração que nasceu no Brasil, como “neto” da diáspora ocorrida na primeira metade do século XX. Por aqui, a maioria das memórias e saberes sobre o arquipélago chegaram e continuam chegando como peças de um quebra-cabeças incompleto.
Uns contam o que viveram, outros o que ouviram falar num desencontro de narrativas. A nossa família cruzou o Atlântico em busca de trabalho e oportunidades. Passou bons bocados em Lisboa até embarcar no primeiro navio que oferecesse disponibilidade e assim vieram a desembarcar no porto de Santos, no Estado de São Paulo, seguindo em frente, sem perder o amor pela sua terra natal.
Meu avô, nascido nas Furnas, só voltou aos Açores meio século depois de ter partido, com 8 anos de idade. E por isso, só vim a conhecer a minha “parte açoriana” há pouco mais de uma década. Desde então, estive em São Miguel três vezes, cresci encantado com as belezas naturais da ilha e com o carinho dos nossos parentes micaelenses.
Apesar de estarem longe, nunca estiveram distantes. O tempo passou, tornei-me jornalista e com algum interesse acompanho as notícias da nossa segunda pátria, que chegam pelo Diário dos Açores. A internet também me ajuda a me manter atualizado, mas a notícia com curadoria, mais confiável, mais atualizada e opinativa é outra coisa.
Por isso esse aniversário é tão importante, porque depois de mais de um século e meio acontece em plena crise mundial e contemporânea em relação aos veículos de comunicação. Os grandes conglomerados e agências de notícias dominam o cenário.
Afinal, qual o novo papel de um jornal local, frente ao bombardeio de desinformação, da audiência fragmentada, do conteúdo gratuito, entre tantos desafios, para os leitores mais jovens? Não é fácil, por exemplo, que a gente compreenda o resultado das últimas eleições, o boom turístico que está afetando a vida dos mais antigos e dos mais novos – que está dificultando até as nossas viagens, ou a invasão de proprietários estrangeiros que poderá desconfigurar uma cultura local tão rica e original.
Na minha opinião, os veículos não têm a resposta ainda, mas estão no processo de configura-la. A longevidade do Diário dos Açores mostra como sobreviver com orgulho, como navegar pelas épocas e acompanhar a mudança, que é a única certeza da vida.
Para todos que, como eu, estão do outro lado dos oceanos, na América, no continente, no Brasil, na macaronésia etc., é a constância desse trabalho que nos mantém atados ao passado, mas também próximos ao presente e confiantes no futuro. Agradecimentos sinceros.
Parabéns ao Diário dos Açores!

Tomás Furtado*

  • Jornalista
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