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A última entrevista da Presidente da SATA antes da demissão: “Se este concurso não avançar, o Governo tem até 2025 para concluir com outro concurso”

A residente da SATA, Teresa Gonçalves, demitiu-se do cargo por “motivos pessoais”, anunciou ontem o Governo Regional. De acordo com fontes da empresa, o Director Financeiro da companhia também se demitiu. O Governo, através de José Manuel Bolieiro, já agradeceu o desempenho da dirigente à frente da companhia e diz que se deve respeitar as razões pessoais, sem adiantar mais pormenores. Nos bastidores da empresa, onde todos foram apanhados de surpresa, fala-se que as duas demissões têm a ver com a discordância sobre o processo de privatização. A verdade é que tudo indicava que Teresa Gonçalves estava empenhada na continuidade da operação da SATA este ano, tendo mesmo visitado, na última semana, Montreal, onde se reuniu com agentes de viagens, operadores de turismo e comunidade local, para explicar a estratégia da SATA para aquele país. A Presidente da SATA concedeu mesmo uma longa entrevista ao jornalista Norberto Aguiar, Director dos nossos associados jornal LusoPresse de Montreal e LusaQ TV. Retiramos parte desta entrevista, que consideramos importante no contexto da demissão. Tratou-se de uma entrevista sobre a situação da SATA e a importância de Montreal na operação da empresa.

Quando é que a SATA deixa de ter prejuízo?
Quando nós falamos dos resultados da SATA, nós temos que perceber muito bem o enquadramento.
A SATA tem feito aqui um percurso muito interessante.
O ano passado transportámos 2,4 milhões de passageiros.
No global do Grupo SATA tivemos receitas de 395 milhões de euros.
Se olharmos para as companhias isoladamente, a Azores Airlines, que é a companhia que serve Montreal, transportou 1,5 milhões de passageiros, transportou mais 33% de passageiros face a 2022.
Nós, efectivamente, conseguimos ter um resultado operacional de 21 milhões de euros.
Isto são resultados muito bons porque mostram que, efetivamente, estamos a conseguir fazer o nosso percurso e estamos a caminhar no sentido certo.
Mas nós estamos num plano de reestruturação.
Trata-se de uma companhia que durante muitos anos teve problemas financeiros e problemas operacionais e portanto isto é um acumular de questões e de temas que têm que ser resolvidos. E precisamos de fazer esta limpeza.
Quando olhamos para o resultado, significativamente, ainda não está nos níveis que nós gostaríamos.
Mas no ano passado conseguimos um resultado líquido superior em 8,1 milhões de euros.
Isto é muito bom e, portanto, eu costumo dizer que nós temos que ver é a tendência do nosso resultado e nós estamos a ter uma tendência positiva.

Quer dizer que está no bom caminho…
Estamos no bom caminho, certamente.

Sendo assim, então porque é que vamos para a privatização?
A privatização é uma obrigação da Comissão Europeia.

Mas é porque houve muito prejuízo, muito dinheiro investido, não é verdade?
Não, não. É porque o Governo Regional opta por pedir um auxílio do Estado à Comissão Europeia e, a partir do momento em que vai pedir um auxílio do Estado, porque a SATA Internacional é uma companhia que opera em concorrência.
Ao pedir um auxílio do Estado, a Comissão Europeia diz: Muito bem. Eu permito que seja auxiliada a companhia, mas vocês vão ter que vender, porque uma companhia que opera em mercado concorrencial não pode estar a receber dinheiro dos governos, porque há outras que também operam nas mesmas circunstâncias e que não têm esse benefício.
Portanto, foi uma imposição de privatizar pelo menos 51% da companhia.

E acha que é uma boa decisão, na sua opinião?
Acho que a SATA Internacional necessita de ter um aumento de capital, necessita de ter um investimento significativo para poder crescer em termos de aviões.
Neste momento o nosso problema é que não conseguimos crescer e precisamos de crescer para diminuir custos, para conseguir dar resposta à procura que temos e a que não conseguimos fazer face.
Portanto, a SATA Internacional precisa de crescer e esse crescimento precisa de investimento associado.

E quem são esses investidores? Se, da maneira que fala, seria bom que uma grande companhia europeia, a Air France, a TAP…
Neste momento temos um processo de privatização em curso e que teve duas propostas dedois consórcios. Tudo entidades que se uniram e que formaram consórcios e que apresentaram a sua proposta.
Segundo o relatório preliminar do júri, um dos consórcios foi excluído e o outro continuaria.
Vamos ver como é que as coisas evoluem.
Efetivamente, hoje mesmo, o júri entregou o relatório final.
Confesso que nem tive oportunidade de ver o que é que está dito. Mas nada está decidido.
O júri aconselha e faz uma recomendação.
O Conselho de Administração analisa, faz uma recomendação e o Governo, como accionista e dono da companhia, toma uma decisão final.
Obviamente que eu acho que seria bom termos uma companhia aérea que trouxesse conhecimentos e boas práticas.
Mas também seria bom, obviamente, termos um privado que entrasse, que trouxesse capital e que quisesse fazer crescer a companhia.
Portanto, eu acho que desde que haja vontade de fazer crescer a companhia, de trazer capital, eu acho que um investidor privado poderia ser benéfico.

E aquele que se apresenta à porta da SATA tem esse perfil?
Neste momento não. Portanto, neste momento temos que dar seguimento ao concurso que está em curso.

Vão abrir a outros?
Não, não. Portanto, o concurso está em curso. Vamos deixar correr os trâmites legais e todo o procedimento que tem que ser feito e analisado.

Se eventualmente este concurso acabar por não avançar, o Governo Regional tem até 2025 para concluir a privatização e portanto, um novo concurso será lançado.

Este projeto de Montreal relativamente à privatização vai continuar ou fica por aqui mesmo?
Eu diria que não tem que ficar por aqui mesmo.
Ou seja, as rotas da América do Norte são rotas muito importantes para a companhia e são rotas que estão a ser muito bem consolidadas, que estão a ser muito bem trabalhadas.
E, portanto, eu confesso que não vejo porque haveria de terminar.
Porque, efetivamente, a América do Norte hoje em dia é um mercado muito importante para a SATA, cresceu 54% face a 2022 e já representa 23% dos passageiros transportados.
Portanto, tudo isto tem um peso muito significativo.

Como vê o seu futuro na SATA?
Neste momento o meu futuro está em fazer o melhor que eu puder a cada momento.
E depois vamos vendo como é que as coisas evoluem.

(Mais tarde, e já depois de concluída a entrevista, quisemos saber o que Teresa Gonçalves pensava do relatório do Júri sobre o concurso, já então conhecido. Delicadamente, a Presidente da SATA pediu escusa, argumentando que precisava de tempo para analisar o documento).

Norberto Aguiar, Exclusivo LusoPresse/Diário dos Açores

“Queremos servir as comunidades,
mas também levar turistas aos Açores”

Permita-me que lhe peça para nos dizer quem é a Dra. Teresa Gonçalves.
A Teresa Gonçalves é uma pessoa comum, normal, que algures no tempo teve o privilégio de poder cruzar o caminho com a SATA.
Eu entrei nessa altura em Janeiro de 2020, com outro Conselho de Administração para reestruturar a companhia e tivemos ali anos muito intensos porque, como deve imaginar, entramos em janeiro. Em março temos a Pandemia.
O nosso objetivo era fazer um plano de reestruturação e remodelar todos os processos da companhia. E de repente, deparámo-nos com uma Pandemia que foi uma coisa completamente fora daquilo que todos estávamos à espera, que estávamos a pensar que poderia acontecer.
Acabou por nos dar aqui tempo para reestruturar e reorganizar as operações, reestruturar financeiramente o grupo, submeter um processo de pedido de auxílio do Estado junto da Comissão Europeia e, portanto, fazer aqui um plano bem feito e bem estruturado e organizado.
Comecei como administradora financeira. Depois, passado três anos, assumi a presidência do Grupo SATA.
Nessa altura eu já tinha comigo a responsabilidade de muitas pastas do Grupo e, portanto, acabou por ser uma transição natural.
Foi realmente continuar o processo de reestruturação e continuar a implementação do plano que nos tínhamos comprometido com a Comissão, que tinha sido aprovado em junho de 2022.
Assim, procurámos dar a conhecer melhor a SATA. Trabalhámos muito nos mercados para onde operamos com as comunidades portuguesas.
Houve aqui um trabalho muito grande de mostrar a SATA, quem é a SATA, o que é que nós fazemos, por onde é que nós vamos, o que é que nós servimos, quais é que são os nossos grandes objetivos e mostrar que realmente nós estamos aqui junto das comunidades. Queremos servir as comunidades, mas queremos também levar turistas para os Açores.
Os Açores são um destino único e quem não conhece tem que conhecer, porque realmente a nossa natureza é única, porque realmente não há verde tão verde nem azul tão azul como nos Açores.

Não sendo açoriana, vê-se que está conquistada pelos Açores…
Não duvide. Eu costumo dizer que não há um mar como o mar dos Açores. É muito bonito.

A rota de Montreal tem sido rentável?
É uma rota rentável sim, que faz sentido E que acaba por servir aqui muito a nossa comunidade também. E isso para nós é muito importante.

Mesmo com preços elevado? As pessoas queixam se que os preços…
Isso é sempre uma queixa muito comum. Deixe-me explicar… Os nossos preços não são elevados.
Nós temos uma oferta limitada e, portanto, vamos começando a encher os aviões e à medida que eles vão começando a ficar cada vez mais cheios, os preços acabam por ficar as tarifas mais elevadas. E isto é um bocadinho aquela lei da oferta e da procura e portanto quem comprar mais em cima da hora se calhar já encontra preços mais elevados.
Quem comprar com alguma antecedência se calhar consegue ter preços e tarifas mais vantajosas e portanto há necessidade de jogar com o momento da compra.

Como vai haver muito mais possibilidades de viajar com quatro voos por semana, naturalmente que os preços podem baixar…
Uma companhia de aviação tem sempre um conjunto de custos e tem que suportar isso. E, portanto, não é por termos três ou quatro voos que os preços vão baixar.
O que acontece é que nós temos uma maior oferta e assim acabamos por ter mais lugares nas classes mais baixas e as pessoas que se anteciparem, que comprarem com mais antecedência, conseguem efetivamente ter acesso aos preços mais acessíveis.
À medida que o avião vai ficando mais cheio, os preços vão subindo.
Mas, de um modo geral, nós temos sempre um conjunto de custos que temos que suportar com os voos, temos as taxas aeroportuárias, temos custos de catering, temos o combustível…

Que tipo de avião vão utilizar na rota de Montreal?
Nós agora estamos a usar o nosso A320.
Aliás, ontem foi o que fez o nosso voo, o primeiro voo, o A320 NEO, que é o novo avião que a SATA recebeu recentemente.
E vamos utilizar os aviões que temos na nossa frota.

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