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De olho na ministra

Nos últimos anos habituamo-nos a receber inúmeros ministros, que deixaram as mais variadas promessas, a esmagadora maioria delas nunca cumpridas.
Muitos dos problemas que afectam as nossas vidas poderiam estar, hoje, mais suavizados se os compromissos assumidos fossem realizados tão rápido como anunciados.
Cá estivemos, sempre, para escrutinar este rol imenso de problemas, muitos dos quais se mantêm.
É preciso que os órgãos fiscalizadores da vida pública façam, também, o seu papel, a começar pelo parlamento regional, que deve chamar, sempre, às suas comissões, os governantes que falham nos seus compromissos.
Da nossa parte não os deixaremos descansados, como aconteceu ao longo das últimas legislaturas.
Agora, é preciso dizer que vamos continuar com o olho neles, a começar pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que se deslocou a Ponta Delgada para se inteirar da dimensão das consequências do incêndio no Hospital do Divino Espírito Santo.
Foi uma atitude nobre e parece que terá compreendido, melhor do que alguns políticos locais, a dimensão dos prejuízos e o que isto vai causar na vida das pessoas, especialmente os doentes e seus familiares.
O compromisso deixado pela ministra não pode ser esquecido, pelo que aqui deixamos o mais importante das suas declarações, que iremos relembrar todas as vezes que elas não forem cumpridas.
A ministra prometeu trabalhar para a construção de uma nova unidade, afirmando que é preciso “olhar para o plano de investimentos e isso é uma coisa que tem de ser feita de forma muito rápida”.
“Isso seguramente está ao nosso alcance”, considerou.
Quando questionada sobre o valor que o Governo da República vai transferir para os Açores para a recuperação daquele hospital, Ana Paula Martins remeteu a resposta para mais tarde, destacando que “é o início deste processo de transformação”.
“O nosso memorando, no fundo, de identificação de todas as necessidades a curto e a médio prazo será feita. Todas essas informações muito em breve estarão disponíveis para serem partilhadas com os portugueses e com aqueles que residem em Portugal continental e também aqui nos Açores”, concluiu.
Convém que o Governo dos Açores tenha em cima da mesa, todos os dias, estes compromissos assumidos pela ministra, para lhe lembrar sempre que o tempo passar e nada for feito na tal “forma muito rápida”.
Se não o fizer, cá estaremos para o respectivo escrutínio e o devido juízo.
É preciso que o Terreiro do Paço aprenda que os açorianos não dormem.
Nem se deixam adormecer.

O financiamento


À parte a solidariedade da República, de onde não devemos esperar grande coisa atendendo ao histórico dos últimos tempos, também não será fácil que o Fundo de Solidariedade europeu cubra todos os prejuízos no HDES, que deverão atingir umas dezenas de milhões de euros.
É preciso que o Governo dos Açores comece a rever o seu Plano e Orçamento e procurar os recursos financeiros necessários, em conjunto com os partidos da oposição, especialmente o PS, que voltou atrás – e muito bem – mostrando-se disponível para ser parte da solução.
Esqueçam a obsessão do “endividamento zero”, caso seja necessário recorrer ao financiamento externo, para resolver, rapidamente, o problema do HDES.
Finalmente, espera-se que o Conselho de Administração do nosso hospital volte, também, atrás, e abra um espaço de perguntas dos jornalistas nos seus encontros com a comunicação social. Não permitir perguntas que esclareçam melhor o público, é o pior serviço que se pode prestar numa situação de “comunicação de risco”. É o interesse público que o exige.

Osvaldo Cabral
[email protected]

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