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A insustentável leveza de um cais

Angra do Heroísmo acordou, há uns dias, com a chegada de cruzeiros. Os primeiros não atracaram no novo molhe do Porto de Pipas, mesmo assim sentiu-se a sua presença na cidade.
Mais tarde ancorou o primeiro, numa sexta feira que movimentou a urbe e as suas gentes, ao nível de uma aurora pouco boreal, mas bem atlântica. Este feito parece ter-se devido a uma peça na RTP/Açores a dar conta do facto, onde foi possível perceber a desarticulação entre as entidades oficiais.
O Governo Regional dos Açores apregoa, com gosto, a sustentabilidade. Em abono da verdade, é uma das grandes bandeiras políticas de todas as cores e qualidades de quem representa o povo.
Será que quem abana essa bandeira sabe verdadeiramente o que é sustentabilidade?
Sustentável é ser suficiente para si mesmo e ter potencial de crescer e evoluir, se assim o desejarmos.
Turismo sustentável não é mais do que uma falácia que a Secretaria Regional decidiu abraçar como se fosse dogma religioso.
O turismo é, por definição, muito pouco sustentável.
Quanto mais pessoas chegarem, menos a Região será capaz de se sustentar, pois ao contrário do que se pensa não há uma distribuição equitativa da riqueza gerada. Como prova disso, nem precisamos de sair de Portugal: Madeira e Algarve, duas regiões dominadas pelo turismo e que padecem de uma enorme pobreza.
Mas a Secretaria Regional assim o deseja, como se fosse programadora informática empenhada em construir a Inteligência Artificial que vai destruir a Humanidade.
Não o escrevo em detrimento da entrada de pessoas na Terceira. Quem vier, que venha por bem, mas não esqueçamos a quem.
Os Açores precisariam desenvolver novas estratégias de sobrevivência e da monocultura, para lá do mercado único, que já foi do leite e agora ameaça ser dos turismos.
O senhor João, que vive da reforma, não consegue pagar uma renda em Angra. O Luís que começou a trabalhar no ano passado não tem possibilidade de ir com os amigos ao prato do dia.
A inflação cavalga o mercado aberto e a entrada dos capitais estrangeiros.
A vinda de quem pode pagar, faz com que nós não possamos fazê-lo.
Não é em Lisboa, nem na Lua. É aqui.
Mas, como é hábito em todas as regiões que se querem afirmar pelo turismo, a obra do Porto de Pipas que contou com a avultada quantia de 18 milhões de euros, ficou inacabada. Inacabada, essencialmente para as e os açorianos. Daqui a dias teremos a Linha Lilás a permitir as viagens, via marítima, que ligam a Terceira às restantes ilhas do grupo central, mas sem uma gare, sem iluminação. Sem o básico.
Urge apelar a mais democracia. Menos bandeiras dogmáticas. Mais reflexão. Menos nomeações de cargos diretivos pelo simples facto de terem cartão partidário. O Museu de Santa Maria que o diga.
A sustentabilidade da nossa democracia depende de nós e dos nossos votos.

Alexandra Manes

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