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6 de junho… nunca esquecer

Muito embora hajam diferentes perspetivas sobre os acontecimentos do 6 de junho de 1975, o facto é que não deixa de ter sido o acontecimento que mais marcou a presente Autonomia nos Açores.
Com quase seis séculos de presença humana continuada, os Açores granjearam um lugar importante na História: constituíram-se em escala para as expedições dos Descobrimentos e para naus da chamada Carreira da Índia, das frotas da prata e do Brasil; contribuíram para a conquista e manutenção das praças portuguesas do Norte de África; quando da crise de sucessão de 1580 e das Guerras Liberais (1828-1834) constituíram-se em baluartes da resistência; durante as duas Guerras Mundiais, em apoio estratégico vital para as forças Aliadas, mantendo-se, até aos nossos dias, num centro de comunicações e apoio à aviação militar e comercial.
Hoje em dia as águas da zona económica exclusiva (ZEE) dos Açores são de longe as maiores da União Europeia, com os seus 994 000 quilómetros quadrados e por isso constituem o grosso das chamadas “águas ocidentais” da União Europeia.
Existe ainda toda a mineração e extração feita no mar dos Açores, que é inteiramente controlada pelo estado central, que teima em não considerar os Açores como parceiro legítimo nas contrapartidas provenientes. O menosprezo calculista português sobre a importância financeira dos Açores é ainda um facto dos nossos dias. Para tal basta passar os olhos sobre as falsas referências mencionadas num extenso trabalho na Wikipédia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Manifesta%C3%A7%C3%A3o_de_6_de_Junho_de_1975)– para vermos como as forças centralistas se esforçam por deturpar a verdade factual e histórica. O 6 de junho de 1975 é ainda visto e recalcado facciosamente pelos mesmos que abandonaram cobardemente as populações de Timor às assassinas forças armadas da Indonésia, na evasão de 1975.
Ao quererem apagar as linhas condutoras da História nos Açores daquela altura, estes neocronistas vão até ao ponto de misturar nomes da cultura açoriana, como Daniel de Sá e outros protagonistas que, legitimamente, eram contra ou a favor da independência dos Açores. E adjetivam ideologicamente estas pessoas, como podemos ler num pequeno trecho daquela fanfarronice escrita na Wikipédia:
“O historiador revisionista Avelino de Freitas de Meneses, da direita reacionária, apesar de Secretário Regional da Educação e Cultura de um Governo Regional do PS, manifestou recentemente o seu apoio à mistificação em torno da manifestação. Apesar de não o demonstrar minimamente, afirma que “Esta data ainda não foi devidamente enobrecida, mas vai sê-lo à medida que o tempo for passando e as memórias se forem esvanecendo. Sem o 6 de junho de 1975 não se teria chegado tão longe”.
Não é difícil imaginar quem foram os autores de tamanha imaginação fantasmagórica. Vão mesmo ao ponto de chamar à FLA e seus componentes o pomposo adjetivo «… extrema-direita fascista separatista açoriana…». Apenas o PS, o BE e o PCP são capazes para tais distorções, embora o PS tenha aprendido ao longo dos anos, enquanto governou.
“…Por outro ângulo, o 6 de Junho de 1975 precede a consagração da Autonomia, que emerge pela primeira vez em Abril de 1976, quando a Assembleia Constituinte aprovou a versão originária da Constituição da República Socialista Portuguesa. Ora, essa “concessão” resultou de uma revolta com epicentro em São Miguel que cedo repudiou a degenerescência de movimentos como o MFA e o COPCON que, com a bênção de personagens como Vasco Gonçalves e Otelo Saraiva de Carvalho, colocaram Portugal à beira do abismo de uma ditadura comunista. Esta pretendia clonar entre nós o que de pior existia na galeria do marxismo-leninismo. Nesse desvario revolucionário os Açores replicariam o modelo castrista e seriam uma espécie de “Cuba do Atlântico”. Recorde-se que, à data, estas personagens, ressentidas com o desaire eleitoral de 25 de Abril de 1975, perspetivaram o resultado do escrutínio popular como “contrarrevolucionário”. É assim neste clima de terror, sob a ameaça real de uma ditadura militar de inspiração sovietizante, que inevitavelmente eclode o 6 de Junho de 1975. Hoje, à margem da orfandade do comunismo, é pacífico afirmar-se que tal movimento foi um dos muitos marcos da nossa história insular contra a tirania, em plena sintonia com a secular tradição liberal dos Açorianos. O 6 de Junho de 1975 pode justamente reclamar a sua quota-parte na empresa da Autonomia e da Democracia. Consequentemente, merecia mais do que uma esconsa placa toponímica na cidade de Ponta Delgada. Para memória futura merecia, pelo menos, que fosse feita a sua História e que o 6 de Junho de 1975 fosse objeto de estudo, quer do ensino básico, quer das insignes cátedras da nossa Universidade” Fonte: in crónicas digitais do jornaldiario …postedby João Nuno Almeida e Sousa em “:Ilhas”.

José Soares*

*[email protected]

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