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Especialistas internacionais defendem moratória de 10 a 15 anos para mineração do mar profundo

Um grupo internacional de especialistas – The Global Deep Sea Consultation – co-coordenado por Ricardo Serrão Santos, membro honorário do Instituto Okeanos da Universidade dos Açores, entregou ontem um conjunto de recomendações sobre a exploração dos fundos marinhos, alertando para os riscos ecológicos e sociais da mineração em águas profundas.
Estes resultados, foram apresentados no evento SOS Oceano, em Paris, e estão a ser considerados um marco importante no debate global sobre a conservação do Oceano.
O relatório, desenvolvido pela comissão científica mandatada pelo Presidente francês, composta por 18 membros de 15 países, analisa os potenciais impactos da exploração mineral em águas profundas.
A conclusão central da comissão é clara: deve ser aplicada uma moratória de 10 a 15 anos para a exploração do mar profundo. Segundo os especialistas, a incerteza sobre os efeitos a longo prazo dessa atividade pode colocar em risco a saúde do planeta.
Ricardo Serrão Santos, co-coordenador da iniciativa, destacou a importância de um desenvolvimento equilibrado entre a exploração dos recursos naturais e a preservação do planeta.
O grupo de especialistas, composto por investigadores de diversas áreas, incluindo história natural, geologia e ciências sociais, trabalhou ao longo de oito meses para compilar a evidência científica necessária e apoiar estas recomendações. A comissão considerou ainda questões jurídicas, económicas e sociais, sublinhando a necessidade de uma abordagem integrada e prudente para garantir a proteção dos ecossistemas marinhos.
Uma das descobertas fascinantes que se destacou nos debates da comissão foi a revelação de que o “oxigénio negro” está a ser produzido nas profundezas do mar em nódulos de manganês. Segundo Ricardo Serrão Santos, esta descoberta ressalta a complexidade dos ecossistemas marinhos e a necessidade de tratarmos com extremo cuidado a exploração mineira em águas profundas. “A importância de proteger esses ecossistemas é clara, especialmente quando consideramos os efeitos da dispersão dos sedimentos, a diversidade da vida marinha e o equilíbrio delicado do ecossistema”, afirmou o investigador.
Entre as preocupações apontadas pela comissão, destacam-se os impactos irreversíveis na biodiversidade marinha e os desequilíbrios bioquímicos que a mineração em águas profundas poderia causar. Além disso, o grupo reforçou que a comunidade internacional precisa de agir com base em evidências científicas sólidas e não em pressões imediatas do setor económico.
Este conjunto de recomendações será apresentado em vários eventos internacionais importantes, incluindo o One Ocean Science Congress (3-6 de Junho de 2025) e a Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano (28 de Maio a 13 de Junho de 2025). Esta consulta científica resultou também na elaboração de um relatório com a participação de especialistas de todo o mundo, e num livreto com respostas a questões chave sobre os riscos da mineração no mar profundo.
A dedicação à ciência e a análise cuidadosa do grupo de trabalho, reforçaram a convicção de Ricardo Serrão Santos sobre a importância de uma moratória à exploração mineira em águas profundas. Segundo o investigador, “uma tomada de decisão baseada em provas sólidas é crucial para proteger os ambientes marinhos e as comunidades que dependem deles”. Esta abordagem cautelosa é fundamental para garantir a preservação do oceano para as gerações futuras, conclui.

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