O deputado do PSD/Açores na Assembleia da República Paulo Moniz requereu, ontem, a audição do Conselho de Administração dos CTT–Correios de Portugal, S.A., “para aferir a qualidade do serviço postal no arquipélago, que tem apresentado amplos sinais de estar abaixo dos indicadores ideais e sobre o qual tem recebido várias queixas”, explicou.
O grupo parlamentar social-democrata quer então ouvir os responsáveis pela empresa na Comissão de Infra-estruturas, Mobilidade e Habitação, uma vez que, “não existindo informação pública desagregada por Continente, Açores e Madeira, há valores abaixo das metas fixadas, contrariando a obrigação de prestação de serviço dentro dos parâmetros de serviço universal postal público concessionado aos CTT”, adianta.
“Citamos dois exemplos, de acordo com o relatório dos indicadores de qualidade do serviço postal universal da ANACOM para 2024, um que tem a ver com o encaminhamento de envios de correspondência registada, cuja demora está 26% abaixo da meta de 90%, e dos envios de correspondência prioritária, que está 15,8% abaixo da mesma meta”, refere Paulo Moniz.
Segundo o deputado açoriano, “há mais problemas reportados, como a demora excessiva no envio de encomendas, com atrasos, amplamente noticiados, que por vezes superam os 30 dias, agregados por todo o território nacional, pelo que só podem ser detectados especificamente nos Açores por reclamações dos utilizadores ou através da comunicação social, como já aconteceu”, lembra.
Paulo Moniz frisa igualmente que, “dos factores invocados pelos CTT para justificar o incumprimento a nível nacional das obrigações de qualidade de serviço, dois deles envolvem as regiões autónomas, que são as restrições na capacidade de transporte e as condições meteorológicas adversas, com particular incidência no inverno, mas facto é que estas situações também têm acontecido no Verão”.
“Daí que, mediante a análise de reclamações, notícias, e mesmo dos indicadores da ANACOM, aos quais não ficamos indiferentes, há problemas específicos em virtude das características geográficas dos Açores e da Madeira, mas também haverá outras particularidades, a que os CTT não estão a responder adequadamente, e é isso mesmo que queremos identificar e esclarecer”, concluiu.