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Lares precisam-se

Numa época em que a maioria das pessoas anda preocupada com a falta de dinheiro para gastar em todo o consumerismo que deseja, preocupa-me sobremodo a pedofilia, a violência doméstica e a falta de exemplaridade do corpo judicial para esses crimes. Já há décadas que descreio da justiça, da educação, e de tanta coisa neste país, que nem vale a pena irritar-me, zangar-me, enfurecer-me, exasperar-me pois nada do que eu digo ou escrevo fará um iota de diferença.
Outra das coisas que devia preocupar todos, desde os que governam até ao mais ínfimo súbdito da República: os 823 idosos identificados (em novembro) em hospitais (todos com alta clínica) à espera de vaga num lar.
Estes internamentos sociais não param de crescer e de se multiplicar. Nem sempre devemos culpar as famílias, embora muitos os abandonem nas férias de verão ou no natal. Com ambos os membros do casal a trabalhar, a viverem em casas pequenas, sem condições, não teriam meio de os poder receber, quando já não estão em condições de autossuficiência nas suas casas. Há idosos nestas condições há 4 anos e o Estado parece não se importar, mas devia vagar essas camas para os verdadeiros doentes a necessitarem de internamento. Devia construir lares para eles. Em vez de construírem mais lares de idosos, investem em edifícios públicos que custam um balúrdio, investem em coisas sem importância nenhuma.
Se existisse mais apoio aos idosos, nada disto acontecia. Se todos ganhássemos mais, nem precisássemos, muitas vezes, de ter dois trabalhos, seria possível manter mais idosos no domicílio. Isto é desorganização do país. Apliquem dinheiro no que realmente importa.O Estado devia ter infraestruturas de apoio aos idosos que estão à espera de um lar para onde possam ir, para não estarem a ocupar camas nos hospitais. A maioria dos portugueses não possuem mil e quinhentos euros (ou mais) para pôr os pais num lar,como foi o caso da minha mãe, que, felizmente recebia reforma suficiente para tal.
Aindanão vi o Estado gastar um cêntimo para fazer lares onde acolher com o mínimo de dignidade as pessoas que saem do hospital ou que não têm família para tomar conta deles, ou que não têm meios para pagar um lar particular. Deviam construir lares onde seriam admitidos num desses locais em troca da sua pensão (qualquer que fosse o seu valor) dando-lhes uma cama, banho e os medicamentos e cuidados necessários. Lembrei-me disso pois nenhum partido nem sequer nenhum candidato a Presidente da República mencionou o tema.
Lá fora as preocupações são outras: no Reino Unido chamar “careca” a alguém pode ser considerada uma ofensa. A decisão gerou um amplo debate depois de os juízes determinarem que chamar um homem de «careca» pode ser legalmente considerado assédio sexual. A decisão veio de um tribunal do trabalho, que argumentou que comentários sobre a calvície de um homem visam uma característica física diretamente ligada ao sexo — já que os homens sofrem de queda de cabelo com muito mais frequência do que as mulheres. Como resultado, o tribunal decidiu que usar o termo como um insulto se enquadra em assédio baseado em género.
Especialistas jurídicos afirmam que o caso destaca como a linguagem no local de trabalho está a evoluir. A decisão enfatizou que zombar da aparência de alguém, especialmente de uma forma historicamente ligada à identidade masculina, pode criar um ambiente hostil. O tribunal comparou comentários sobre calvície a comentários inadequados sobre o corpo das mulheres, observando que ambos podem ser usados para menosprezar, humilhar ou intimidar.
A decisão provocou enormes reações nas redes sociais. Alguns elogiaram a decisão como um passo em direção a locais de trabalho mais respeitosos, enquanto outros a viram como um exemplo de regras modernas que vão longe demais. Muitos brincaram sobre os departamentos de RH a prepararem novas diretrizes, enquanto outros partilharam histórias sobre como a calvície tem sido uma fonte de bullying ou constrangimento para os homens há anos. Quer as pessoas concordem ou não com o resultado, o caso abriu uma discussão mais ampla sobre dignidade, respeito e os tipos de comentários que não são mais aceitáveis em ambientes profissionais. É um lembrete de que mesmo insultos aparentemente pequenos podem ter um significado mais profundo — e agora, no Reino Unido, eles também podem ter consequências legais. Como a minha calvície tem estado, progressivamente, a aumentar espero que alguém me chame careca para testar a jurisprudência portuguesa, numa tentativa de atualizar as ofensas puníveis em Portugal.

Chrys Chrystello*
*Jornalista, Membro Honorário Vitalício nº 297713
MEEA-AJA (IFJ)

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