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Associações ambientais e ecológicas lançam apelo no âmbito da Campanha “SOS Cagarro” 2025 em defesa da espécie

As associações ecológicas e ambientais Amigos dos Açores – Associação Ecológica; Amigos do Calhau – Associação Ecológica; APPAA – Associação para a Promoção e Protecção Ambiental dos Açores; IRIS – Associação Nacional de Ambiente, Núcleo Regional dos Açores; Quercus, Associação Nacional de Conservação da Natureza – Núcleo Reg. São Miguel e Avifauna dos Açores difundiram um comunicado/apelo onde enunciam medidas urgentes para a preservação da espécie do cagarro.
Introduz o documento que “todos os anos, entre Outubro e Novembro, a excessiva iluminação nocturna de cidades, estradas, portos, instalações desportivas e outros focos luminosos vitima um grande número de juvenis de cagarro (Calonectris borealis) nos Açores. As aves, atraídas e desorientadas pelas luzes no seu primeiro voo após abandonarem o ninho, acabam por cair em terra, batendo frequentemente contra postes de iluminação, muros e todo o tipo de obstáculos. Algumas ficam gravemente feridas, outras morrem nas estradas, atropeladas pelos carros. As restantes, incapazes de levantar voo, acabam também por morrer dias depois, caso não recebam qualquer ajuda” e acrescentam que “é precisamente graças à Campanha “SOS Cagarro”, que todos os anos reúne centenas de voluntários em todas as ilhas, que uma parte importante destes juvenis caídos em terra consegue ser resgatada”. As aves, recolhidas durante a noite, têm uma segunda oportunidade de retomar o voo ao serem libertadas junto ao mar no dia seguinte.
Apesar das ocorrências traumáticas e possíveis feridas e lesões – muitas vezes difíceis de detectar pelos voluntários, considera-se que grande parte dos indivíduos libertados consiga sobreviver e iniciar, dias depois, a sua migração. Aqueles com lesões mais evidentes ou que manifestam incapacidade para voar são encaminhados para cuidados veterinários no âmbito da Campanha. O alerta é então feito e refere que devido à inexistência, na Região, de verdadeiros centros de recuperação de fauna com as condições necessárias, as aves feridas têm reduzidas probabilidades de sobrevivência.
“Todas estas aves caídas, resgatadas, feridas ou mortas, são vítimas do impacto gerado pela actividade humana. Se existir vontade de solucionar o problema, é evidente que se devem atacar, antes de mais, as causas – relacionadas sobretudo com o excesso de poluição luminosa. Em seguida, devem ser tomadas medidas de mitigação dos seus efeitos, como aquelas que a Campanha “SOS Cagarro” procura implementar. E é necessário igualmente aplicar medidas de reparação, nomeadamente o adequado cuidado e recuperação das aves feridas. Para além disso, é essencial melhorar as condições de conservação da espécie, também ela afectada por outros impactos causados pelo ser humano”, é destacado no apelo.
Assim, como conclusões da presente Campanha, e para a devida protecção desta espécie, os signatários lançam um apelo ao cumprimento de determinados procedimentos, como seja a redução significativa da poluição luminosa nocturna durante as duas ou três semanas em que ocorre a saída dos juvenis dos ninhos. Os esforços realizados até ao momento não são suficientes, como demonstra o elevado número de aves caídas também neste ano. Neste contexto, é lembrado que o projecto LuMinAves, desenvolvido nos últimos anos, fornece já informação técnica necessária para reduzir a poluição luminosa e aumentar a eficiência energética, mas que é necessário definir prazos para uma implementação obrigatória destas medidas nos pontos mais problemáticos da região, juntamente com o investimento necessário. Iniciativas pontuais, como o apagão de luzes em determinadas noites – das quais já existem alguns exemplos – são igualmente importantes.
Outra das recomendações é “a melhoria das condições da Campanha “SOS Cagarro”.
“O trabalho e a dedicação dos voluntários são o principal motor da Campanha, mas as suas capacidades são sempre limitadas. Ao seu esforço deve corresponder idêntico empenho por parte das autoridades governamentais, com um aumento dos meios disponíveis. Torna-se urgente, por exemplo, além do reforço da acção dos Vigilantes da Natureza, essenciais para o transporte e devolução ao mar de todas as aves recolhidas, garantir a colaboração organizada do SEPNA da GNR, da Polícia Marítima, das corporações dos Bombeiros Voluntários, do pessoal das diferentes Secretarias Regionais e das autarquias locais que se encontram a trabalhar no exterior, do mesmo modo como a PSP tem contribuído de forma diligente, eficaz e essencial para o êxito da campanha. Seria também necessário disponibilizar um número telefónico de apoio para cada ilha de maior dimensão para reforçar a coordenação entre quem encontra as aves e as entidades responsáveis. É também recomendável a instalação de cartazes a apelar a uma redução de velocidade nas estradas mais problemáticas (por exemplo, aproveitar os painéis existentes nas SCUTs) e, de modo geral, uma maior divulgação da Campanha”, argumenta.
A criação, nos Açores, de uma verdadeira rede de Centros de Recuperação de Fauna, juntamente com a contratação efectiva de médicos veterinários especializados em aves selvagens também ambicionada, isto porque “a presença de veterinários faz toda a diferença no acompanhamento da Campanha. Sem eles, muitos dos indivíduos feridos continuarão, como sucede actualmente, sem qualquer oportunidade de sobreviver. Para além disso, uma região com as características e importância dos Açores não se pode permitir ficar sem uma rede de centros destinados ao cuidado e recuperação de fauna selvagem. Importa salientar que os centros inaugurados há alguns anos com este objectivo nunca chegaram, na prática, a funcionar plenamente”.
É também defendida a protecção das colónias de nidificação fora das zonas protegidas, isto porque a nidificação da espécie em locais do litoral não incluídos em áreas protegidas deve originar a protecção automática e temporária desses locais, com medidas efectivas que assegurem o seu sucesso reprodutor.
Por fim, mas não menos significativa é a defesa na Declaração do cagarro (Calonectris borealis) como Ave Regional dos Açores, atendendo a que esta espécie, de conservação prioritária, é um dos elementos naturais mais emblemáticos da região e protagonista da maior e mais bem-sucedida campanha de conservação, que desde o seu início já mobilizou milhares de pessoas em todas as ilhas.
A atribuição deste estatuto simbólico irá responder ao marcado sentimento de orgulho que o cagarro gera entre os açorianos e reconhecer também o compromisso de todos os participantes na Campanha ao longo dos anos.

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