O Grupo Parlamentar do PS/Açores trouxe, ontem, à Assembleia Legislativa Regional um debate de urgência para dar voz aos clubes e associações desportivas da Região, que “vivem uma situação cada vez mais difícil marcada por atrasos nos pagamentos, cortes nos apoios e ausência de diálogo por parte do Governo Regional”.
Na sua intervenção, na Horta, o Vice-Presidente da bancada socialista, Lúcio Rodrigues, relatou exemplos concretos da realidade vivida no terreno, sublinhando que “muitos clubes realizaram toda a época 2024/2025 sem receberem os apoios contratualizados, tendo alguns só recebido depois de terminadas as competições, o que levou a situações de asfixia financeira, endividamento e atrasos no pagamento de salários”.
O socialista alertou que “há clubes que deixaram de participar em provas nacionais por falta de meios, outros que encerraram actividade depois de anos a representar os Açores e associações de modalidade que admitem não competir na próxima época se os apoios não forem regularizados atempadamente”.
Foram também referidas as dificuldades das associações de futebol, que “denunciam discriminação, atrasos sistemáticos e falta de previsibilidade, bem como os cortes continuados nos clubes náuticos, fundamentais numa Região arquipelágica, e o desinvestimento na formação, nos centros de treino e na participação em selecções regionais”.
Lúcio Rodrigues alertou ainda para o estado degradado de muitas infra-estruturas desportivas e para decisões erráticas do Governo, como projectos que desperdiçam investimentos recentes ou deixam equipamentos inacabados, prejudicando dezenas de instituições e centenas de atletas.
O Vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS/Açores sublinhou que estas situações “atravessam modalidades, ilhas e estruturas”, afectando jovens, atletas, técnicos e dirigentes voluntários, que continuam a garantir actividade desportiva apesar das crescentes dificuldades.
Lúcio Rodrigues reafirmou que “o Partido Socialista estará ao lado dos clubes e associações na defesa de regras claras, previsibilidade nos pagamentos, respeito pelo trabalho voluntário e diálogo permanente com quem está no terreno, considerando que o desporto açoriano não pode continuar a ser tratado como uma despesa acessória, mas como uma política pública essencial para a Região”.
“Defender os clubes é defender o desporto açoriano e o futuro da Região. Porque defender o desporto é defender os Açores. E porque uma Região que abandona o seu desporto está, inevitavelmente, a abdicar do seu próprio futuro”, concluiu.
“Sucesso dos atletas e clubes desportivos dos Açores fala por si”, afirma PSD
O vice-presidente do grupo parlamentar do PSD/Açores, Paulo Gomes, considerou que “o sucesso desportivo dos atletas e clubes açorianos fala por si”, sublinhando “o intenso trabalho que este Governo [da Coligação PSD/CDS/PPM] tem tido na valorização do sector, numa altura de mudanças globais, num novo tempo”.
O social-democrata falava no debate sobre o actual momento do Desporto na Região, onde destacou que “os atletas e as equipas açorianas vão conquistando várias medalhas nacionais e internacionais, num cenário com diversas participações em selecções nacionais”, e numa realidade “com cerca de 25 mil atletas federados, um recorde absoluto, também ao nível dos treinadores inscritos”, referiu.
“Temos actualmente quatro jovens atletas que são esperanças olímpicas: Júlia Leal (Ténis de Mesa), Lourenço Rodrigues, Natacha Candé e Tatiana Couto (Atletismo). Cá estaremos a torcer pela sua qualificação”, disse Paulo Gomes, frisando que “são apenas alguns exemplos dos pontos altos, mas que retratam as centenas de pessoas que diariamente trabalham para um crescimento sustentado do nosso Desporto”.
“Pintar um quadro negro em torno do desporto açoriano é não reconhecer as qualidades e o sucesso dos nossos atletas, treinadores, dirigentes, clubes ou associações”, disse o deputado do PSD/Açores, acusando a oposição socialista de, “desconhecer uma realidade que faz parte das nossas vidas, cria hábitos saudáveis, retira jovens de vícios, une famílias e fomenta amizades”.
Assim mesmo, o social-democrata defendeu a realização “de um grande debate entre os clubes, associações, governo, agentes desportivos e políticos, de forma a encontrar soluções e resposta, para se perceber o melhor caminho face aos novos desafios que vivemos”.
Paulo Gomes reconheceu a temporada 2024/25 “foi difícil, e já aqui abordamos isso mesmo, atendendo às dificuldades com o PRR e com fundos estruturais, dificuldades de tesouraria, e houve efectivamente atrasos com os clubes. Nunca ninguém escondeu isso”.
“Mas a verdade é que hoje a realidade é outra e nunca os clubes receberam tão atempadamente como nesta época 25/26, e refiro-me às diárias, aos apoios complementares e às viagens até ao final da temporada”, disse.
“Foi este Governo que protagonizou o processamento dos 80% [dos apoios] no início e 20% depois, numa segunda fase da temporada. O que ajuda os clubes, mas não deslustra o mérito dos que são capazes de trabalhar e arranjar fontes de financiamento próprias”, esclareceu o parlamentar.
O deputado do PSD/Açores apelou “ao sentido de responsabilidade de todos, porque o verdadeiro debate no Desporto deve visar encontrar formas genuínas e verdadeiras de melhorar e fazer evoluir os nossos atletas e clubes, em vez de só nos lembrarmos do Desporto para aproveitamento político, ou simplesmente enveredar pela política do protesto”.
E deu o exemplo do Campeonato de Futebol dos Açores, “onde é preciso perceber o que é melhor para a modalidade, não é o que é melhor para um determinado clube ou momento. É preciso perceber se o melhor caminho é alterar ou melhorar o actual modelo, ou acabar com a prova, fortalecendo os campeonatos de ilha e criando condições para apoiar os clubes nas provas locais”, concluiu.
Desporto e cultura “são ferramentas essenciais para a prevenção e ocupação de crianças e jovens”, defende Chega
O desporto e a cultura “são ferramentas essenciais para a prevenção e ocupação de crianças e jovens, desviando-os de caminhos menos próprios”, defende grupo parlamentar do Chega.
A propósito de um debate de urgência sobre “Políticas Públicas de Apoio ao Desporto”, o líder parlamentar do Chega, José Pacheco, fez questão de reforçar que “é preciso saber capitalizar os interesses desportivos de cada um e incentivar a prática desportiva junto dos mais novos – e até dos adultos”.
“No entanto, é preciso definir o caminho que a Região pretende seguir em termos de desporto: temos de perceber se queremos optar pela competição ou apostar na ocupação e incentivar o desporto”, refere.
Para José Pacheco, “um incentivo é para algo crescer, um subsídio é para manter – e sabemos o que os subsídios fazem aos Açores”. Além disso, “é preciso perceber se, ao apostar na competição, temos dinheiro para pagar isso tudo, com os parcos meios que temos. Se queremos apostar na alta competição e ser exemplo para o país – não é barato e temos de perceber que desportos queremos incentivar”.
Da parte do Chega Açores, “vamos continuar a dizer que o desporto é fundamental para manter os jovens ocupados”, mas, alertou José Pacheco, “é preciso pagar a tempo e horas aos clubes, e os dirigentes desportivos também têm de ser sérios na gestão dos dinheiros públicos”.
Nuno Barata alerta para fundos europeus destinados ao Desporto que “não são aproveitados nos Açores”
O Deputado da Iniciativa Liberal (IL) no Parlamento dos Açores, Nuno Barata, afirmou que os clubes e associações desportivas dos Açores “podem e devem” recorrer a fundos comunitários para financiamento de muitas das suas actividades e organizações, lamentando que os sucessivos governos regionais não ajudem o movimento associativo desportivo a diversificar as suas fontes de financiamento.
No debate sobre a política desportiva na Região, Nuno Barata referiu que “a União Europeia reserva mais dinheiro para o desporto e para a prática da actividade física, do que tem para o sector das pescas”, referindo que importa ajudar clubes e associações a diversificar as suas fontes de financiamento.
Neste sentido, acrescentou o liberal, “existem eventos que podem ser financiados directamente pela União Europeia, mas as associações, os clubes, os atletas, não sabem e muitos estão particularmente habituados a bater na porta da Direcção Regional do Desporto para pedir um subsídio, em vez de irem à procura dessas fontes de financiamento. Quantos eventos na Região para jovens já foram financiados, por exemplo, pelo programa europeu ERASMUS + Sport? Que eu saiba nenhum. O instrumento está aí, ao dispor de todos os europeus, desde 2021, para intercâmbios desportivos, juvenis, entre atletas, clubes e associações da União Europeia, mas ninguém recorre a este financiamento”.
Durante o debate, o Deputado da IL não deixou de alertar para a realidade de vários quadros competitivos desajustados, exemplificando com o que designou de “espécie de elefante no meio da sala, que ninguém quer ver, ou melhor, eu acho que toda a gente já viu, toda a gente quer acabar com ele, toda a gente acha que ele tem que ser repensado, reformulado e completamente diferente, mas ninguém tem a coragem de dizer”, que é o Campeonato de Futebol dos Açores.
“Todos nós já pensámos nesse problema, todas as pessoas que se preocupam minimamente com o desporto, nomeadamente com o futebol federal e o Campeonato de Futebol dos Açores, já perceberam que aquilo não funciona. Não é preciso pensar muito mais, é preciso é tomar uma decisão, ter uma atitude proactiva neste processo. E aí, cabe ao Governo Regional, obviamente em cooperação com as associações, tomar a dianteira deste processo”, até porque, rematou, “ninguém está satisfeito”.
Por outro lado, num âmbito mais geral, Nuno Barata sublinhou “a importância que tem o desporto, a actividade e o exercício físico, como pilar da saúde pública e como prevenção de comportamentos desviantes de todas as dependências que nós conhecemos, sejam elas as contemporâneas dependências digitais, as mais vetustas dependências do álcool e as dependências das substâncias psicoactivas”.
Para a IL, “investir no exercício físico – e reparem bem nas minhas palavras, estou a falar do exercício físico, não estou a falar de desporto, da alta competição – estou a falar de promover exercício físico, é promover uma diminuição dos custos na saúde, é promover uma longevidade da nossa população, é promover hábitos de vida saudáveis que nos fazem a todos viver melhor”.
