A Região Autónoma dos Açores registou, em 2025, uma das proporções mais elevadas do país de residentes com 16 ou mais anos que não tiveram qualquer consulta de clínica geral ou de medicina geral e familiar no ano anterior à entrevista: 25%, acima dos 20,5% observados no conjunto nacional, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), com base no Inquérito às Condições de Vida e Rendimento das Famílias (ICOR).
No arquipélago, 56,3% reportaram uma a duas consultas e 18,7% três ou mais, o que significa que 75% tiveram pelo menos uma consulta, um valor inferior à média nacional de 79,5%.
Os Açores também surgem abaixo do país no acesso a cuidados de saúde oral: 46,3% não consultaram médico dentista em 2025, quando a percentagem nacional de “não consulta” foi de 40,4%. Na Região Autónoma dos Açores, 41,5% fizeram uma a duas consultas e 12,2% três ou mais, totalizando 53,7% com pelo menos uma consulta, face a 59,6% em Portugal continental.
A situação repete-se nas consultas de outras especialidades, onde menos de metade dos residentes nos Açores (47,2%) indicou ter consultado um médico especialista nos 12 meses anteriores à entrevista; 52,8% não o fez, acima dos 46,7% no conjunto do país.
No capítulo dos encargos, as famílias açorianas reportaram uma pressão ligeiramente superior à média nacional em vários itens. Em 2025, 41,1% avaliaram como “algo pesados” ou “muito pesados” os encargos com cuidados médicos (39,3% em Portugal), enquanto nos cuidados dentários a proporção atingiu 48,2% (47,2% no país) e nos medicamentos 48,4% (45,7% a nível nacional).
O destaque açoriano surge num retrato nacional em que o INE sublinha que a falta de disponibilidade financeira foi, em 2025, o principal motivo para necessidades não satisfeitas em exames ou tratamentos dentários, enquanto, nos cuidados médicos, o motivo mais referido foram as listas de espera. No total do país, 3,8% das pessoas referiram necessidades não satisfeitas em cuidados médicos e 10,2% em cuidados dentários.
