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IDEIAS HÁ MUITAS

Nunca fui grevista, prefiro adaptação

A prestigiadíssima revista The Economist distinguiu Portugal como “economia do ano”, porque: 1) crescemos mais do que os nossos vizinhos, 2) controlámos a inflação, 3) vimos a bolsa valorizar-se e 4) o turismo consolidou-se como motor de prosperidade. Como tal, não deixa de ser um feito raro que Portugal vá para a greve, num continente marcado há muito pela estagnação.
A contradição é mais do que evidente, pelo menos na nossa opinião. Um país que lidera os indicadores de desenvolvimento não pode ser o mesmo que paralisa esse crescimento! Será dos números contraditórios, em que sobe o PIB, mas os salários não acompanham. Ou da baixa inflação, mas o preço da habitação continua a ser um luxo. Enfim! Que a greve servisse de alerta para chamar a atenção para as injustiças sociais, eu concordaria, mas o timing é mais uma força de bloqueio aos que livremente querem trabalhar porque precisam.
Não faz sentido ir para a greve quando investidores e analistas internacionais olham hoje para Portugal como exemplo de estabilidade e dinamismo. Uma paralisação total é um sinal claro da nossa fragilidade social, e o poder sindical, que se encontra hoje envelhecido e cansado, só sinaliza a sua irresponsabilidade.
Os resultados da economia portuguesa no futuro dependem das reformas que formos capazes de discutir no presente. A causa primeira da convocação da presente greve geral foi um diploma, ou melhor, um anteprojeto, sobre o Código do Trabalho. Responsavelmente, 1) procura-se evitar cair em erros de despesismo, típico das consciências mais à esquerda, e 2) enfrentar novas precariedades e garantir que os jovens não herdem estatísticas vergonhosas e dívidas intermináveis deixadas por governos cessantes.
No atual contexto, a greve geral é um gesto de nostalgia e de confronto. Nostalgia de um passado sombrio – de despesismo e de irresponsabilidade financeira; Confronto entre o vazio da esquerda – não ganha na urna, quer ganhar na rua – e a consistência e a disciplina da direita.
Portugal tem hoje a rara oportunidade de provar que pode ser competitivo, defender a justiça social, e atingir o milagre económico. Se falharmos, pagarão as novas gerações e quem vier com elas. Isto é, os nossos filhos e netos.

Luís Soares Almeida

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