Ponta Delgada acolhe Encontro da Associação Ibérica de Teólogos Moralistas

Nos próximos dias 7 e 8 de Julho, a cidade de Ponta Delgada será palco do Encontro da Associação Ibérica para o Estudo da Moral, uma iniciativa que reunirá teólogos moralistas provenientes de Portugal e Espanha para reflectir sobre alguns dos principais desafios éticos, sociais e pastorais da actualidade, informa uma nota enviada ao sítio Igreja Açores. O encontro decorrerá no Centro Pastoral Pio XII e contará com a participação de especialistas da área da Teologia Moral, promovendo o diálogo académico e eclesial sobre temas que marcam a vida da Igreja e da sociedade contemporânea. Pela primeira vez, o encontro será aberto a sacerdotes diocesanos dos Açores que queiram participar, numa perspectiva formativa. A Associação Ibérica para o Estudo da Moral constitui um espaço privilegiado de investigação, reflexão e partilha sobre as questões éticas emergentes, à luz da tradição cristã e dos desafios do mundo actual. Um dos momentos mais significativos do encontro terá lugar no dia 8 de Julho, às 20h30, com uma mesa-redonda aberta ao público em geral, que decorrerá no Coro Alto do Convento da Esperança, subordinada ao tema “Açores: a Igreja no centro do mundo”. A sessão contará com as seguintes intervenções do Pe. Roberto Noriega , que falará sobre “Os desafios da Inteligência Artificial à luz da encíclica Magnifica Humanidade”; do Pe. José Júlio Rocha , que abordará “A sinodalidade na Diocese: um caminho conjunto com a Igreja Universal” e da teóloga Carmén Marsé , que reflectirá sobre “Questões fracturantes na Igreja contemporânea”. A iniciativa pretende proporcionar um espaço de reflexão e diálogo sobre algumas das questões mais relevantes que hoje se colocam à Igreja, desde os desafios das novas tecnologias e da inteligência artificial, até aos processos de participação e co-responsabilidade eclesial e às questões que marcam o debate contemporâneo. A escolha dos Açores para acolher este encontro constitui também um reconhecimento da importância estratégica do arquipélago como ponto de encontro entre continentes e culturas, reforçando a ideia de uma Igreja aberta ao mundo, capaz de dialogar com os desafios do presente sem perder de vista a sua missão evangelizadora. A organização convida todos os interessados a participar na sessão pública do dia 8 de Julho, que promete ser uma oportunidade privilegiada para escutar especialistas de reconhecida competência e reflectir sobre o papel da Igreja no contexto actual. As últimas jornadas realizaram-se em Salamanca. Actualmente a Associação é presidida pelo português padre Jorge Cunha, professor da Universidade Católica do Porto.

Paulo do Nascimento Cabral saúda o Governo de Portugal pela melhoria da proposta do Quadro Financeiro Plurianual

O Eurodeputado do PSD Paulo do Nascimento Cabral foi o orador convidado na Conferência Anual da Associação Europeia da Indústria de Óleos Vegetais e Farinhas Proteicas (FEDIOL), que se realizou em Lisboa, e que contou com a participação do Ministro da Agricultura e do empresário açoriano Romão Braz (presidente da IACA – Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais), tendo criticado a “falta de coerência legislativa da Comissão Europeia dando como exemplo a exclusão da soja produzida na União Europeia das metas europeias para as energias renováveis até 2030, classificando-a como matéria-prima de elevado risco de alteração indirecta do uso do solo”. Paulo do Nascimento Cabral, que foi único Deputado Europeu presente, interveio no painel “Reforçar a Competitividade da Indústria: Matérias-Primas Agrícolas e Cadeia de Abastecimento”, esclareceu que “não se pode defender a soberania alimentar da União Europeia e o reforço da sua autonomia estratégica e, simultaneamente, apresentar legislação secundária que contraria esses mesmos objectivos. Isso é incompreensível e contraproducente”. “Vários Estados-Membros dispõem de uma importante capacidade de produção, transformação e processamento de soja, pelo que seriam particularmente afectados pela proposta da Comissão Europeia de classificar a soja como matéria-prima de elevado risco de alteração indirecta do uso do solo. Neste momento, a auto-suficiência europeia em todas as fontes de proteína não ultrapassa os 75%, e, no caso das farinhas proteicas destinadas à alimentação animal, a produção europeia cobre apenas 27% das necessidades, sendo a taxa de auto-suficiência do farelo de soja utilizado na alimentação animal de apenas 3%. Estas culturas são também fixadoras de azoto, e contribuem, como tal, para reduzir a dependência de fertilizantes azotados de origem química, promovendo ainda a rotação de culturas e a saúde dos solos”, adiantou Paulo do Nascimento Cabral. O Eurodeputado do PSD defendeu, por isso, a “adopção de medidas para reforçar a produção europeia de proteína para reduzir dependências externas, apostando numa produção diversificada e complementar à produção animal, de aumento da produção de interna de fertilizantes, promover a inovação e a agricultura de precisão, apoiar a adopção de Novas Técnicas Genómicas e criar mecanismos mais eficazes de gestão de crises agrícolas. Temos também de reconhecer os efluentes pecuários como um recurso estratégico para reduzir a dependência de fertilizantes importados, e com isto aumentarmos a nossa autonomia estratégica”. À margem da conferência, Paulo do Nascimento Cabral mostrou-se “otimista” quanto à evolução das negociações do próximo Quadro Financeiro Plurianual depois da apresentação da primeira caixa de negociação pela Presidência cipriota do Conselho da União Europeia. “Nós no Parlamento Europeu já adoptamos a nossa posição negocial, que é clara quanto à necessidade de reforçar a Política Agrícola Comum, a Política de Coesão e a Política Comum das Pescas. Por isso, encaro de forma positiva este primeiro sinal de aproximação da Presidência cipriota às prioridades defendidas pelo Parlamento Europeu”. “Ainda que insuficiente, a posição negocial do Conselho, que ainda não está fechada, evita novos cortes nos orçamentos da Política Agrícola Comum e da Coesão e duplica a dotação da Política Comum das Pescas face à proposta inicial da Comissão Europeia. Contudo, permanecem várias questões por esclarecer. O orçamento da PAC não pode ficar limitado aos cerca de 294 mil milhões de euros propostos, devendo aproximar-se dos 433 mil milhões de euros para responder adequadamente aos desafios do sector. Também a Política Comum das Pescas necessita de um envelope financeiro superior a 6 mil milhões de euros”, defendeu Paulo do Nascimento Cabral. O Eurodeputado Açoriano saudou, por fim, os esforços do Governo de Portugal, que “foram recompensados com um reforço orçamental superior a 1,6 mil milhões de euros, passando de 33,24 mil milhões para 35,14 mil milhões de euros para a Coesão e a Agricultura. Destaco ainda os avanços alcançados para as Regiões Ultraperiféricas, nomeadamente o aumento da pré-afectação para 4%, a taxa de co-financiamento de 85% nos Planos de Parceira Nacionais e Regionais, no INTERREG dirigido às Regiões Ultraperiféricas, e no financiamento de 100% para o POSEI e para a compensação dos custos adicionais no âmbito da Política Comum das Pescas. Ainda há muito trabalho pela frente, mas começamos a ver os resultados do esforço desenvolvido numa negociação que continuará a ser longa e exigente”.

Os Boston Red Sox celebraram Herança Portuguesa no Fenway Park com milhares de portugueses e luso-americanos

Revestiu-se de grande sucesso o festival Herança Portuguesa no Fenway Park, dos Boston Red Sox, no âmbito das celebrações do Mês da Herança Luso-Americana em Massachusetts e que teve lugar na tarde da passada Quarta-feira, 03 de Junho. A inédita iniciativa do senador Michael Rodrigues e seu gabinete destinou-se, tal como PT havia referido na edição de 25 de Março deste ano, a homenagear a rica história, a cultura e os contributos da comunidade portuguesa e luso-americana. A cultura portuguesa foi celebrada através de cerimónias, apresentações culturais e gastronomia antes do jogo. O popular conjunto Eratoxica abrilhantou musicalmente a tarde, com milhares de pessoas provenientes de várias localidades da Nova Inglaterra a marcarem presença. Sandy Baptista, popular cançonetista do grupo Faith, interpretou o Hino Nacional dos Estados Unidos. “Tratou-se de uma excelente tarde e foi realmente impressionante ver muita gente (cerca de dez mil pessoas) vestindo a rigor com o verde e vermelho das cores da nossa bandeira e camisolas especialmente confeccionadas para o evento com o emblema dos Boston Red Sox”, segundo testemunha presente no festival de portugalidade no Fenway Park em Boston. Contactado pelo Portuguese Times, o senador estadual de Massachusetts, Michael Rodrigues, o grande mentor desta iniciativa de exaltação a Portugal, às comunidades portuguesa e luso-americana de MA, mostrava-se radiante pela aderência e “feedback” da comunidade. “O evento excedeu largamente as expetactivas de todos nós, incluindo da própria organização dos Boston Red Sox, que ficou maravilhada com a aderência em massa de muitos portugueses e luso-americanos e pela forma como tudo decorreu, num dia magnífico, de temperaturas amenas e onde as cores da bandeira portuguesa reinaram em pleno Fenway Park”, referiu o senador luso-americano, que em declarações ao nosso jornal esclareceu como tudo começou: “Tenho uma ligação muito próxima e amistosa com a organização dos Red Sox em vários eventos ao longo dos anos e recordo que há largos meses, numa reunião com a direcção, perguntei por que razão não se fazia uma noite à portuguesa durante um jogo da equipa em Boston, à semelhança do que se faz com outras comunidades étnicas, designadamente cabo-verdiana e grega em Massachusett. A resposta deles foi: ainda nada se fez porque ninguém se dirigiu a nós para fazer uma celebração festiva de Portugal”, esclareceu o senador Rodrigues, que desde logo deu corpo à ideia, com a ajuda de Kyle Neves, membro do seu gabinete. O Rancho Folclórico de Norwood e o conjunto Eratoxica actuaram durante a tarde festiva, não faltando alguns petiscos portugueses, como as apreciadas bifanas. Foi desenhada uma camisola especial para este evento com o verde e vermelho da bandeira portuguesa. “Foi um grande sucesso e posso dizer que esgotaram-se todas as camisolas confeccionadas, cerca de sete mil camisolas vendidas, o que é bem demonstrativo do grande entusiasmo e aderência dos portugueses e luso-americanos, até porque o Boston Red Sox é uma organização desportiva de grande referência em todo o país e motivo de orgulho para todos os adeptos da Nova Inglaterra, muitos dos quais da nossa etnia”, sublinha o senador Rodrigues, que adianta: “Este evento teve grande aderência não apenas das comunidades ali da periferia de Boston, do norte e oeste do estado, como também aqui da zona sul: tivemos autocarros de Fall River (Tabacaria Açoriana, Banda Senhora da Luz, Clube D. Carlos) e o resultado é que tivemos no Fenway Park cerca de 10 mil fãs luso-americanos, pelo que se deve concluir que esta primeira edição da celebração portuguesa dos Boston Red Sox revestiu-se de grande sucesso e excedeu largamente as expetactivas até mesmo dos mais optimistas”, afirma Michael Rodrigues, que adianta: “Estou em crer que este evento terá realização anual pelo sucesso atingido na passada quarta-feira”, referiu o senador estadual de Massachusetts, que conclui: “E a vitória dos Boston Red Sox sobre os Baltimore Orioles, equipa que tem por “manager” o luso-americano Craig Albernaz, natural de Fall River tendo crescido em Somerset, Massachusetts, deu naturalmente um sabor especial à celebração portuguesa da passada Quarta-feira, que constituiu para muitos um momento verdadeiramente inesquecível e de exaltação das nossas comunidades portuguesa e luso-americana pelo seu contributo económico, cultural e social ao estado de Massachusetts em particular aos EUA em geral”. Entretanto, o cônsul geral de Portugal em Boston, Tiago Araújo, manifestou o seu contentamento pelo sucesso desta primeira edição de uma iniciativa que visou reconhecer as comunidades portuguesa e luso-americanas desta região. “Tive o prazer de marcar presença e senti uma energia e um grande entusiasmo de toda a gente envolvida, quer da organização, quer de todos os que ali acorreram numa tarde que ficará na memória de todos, de grande exaltação a Portugal, aos portugueses e lusodescendentes desta região”, disse ao PT Tiago Araújo, reconhecendo o peso e a influência de uma organização desportiva de referência do país: “O Boston Red Sox é uma das mais prestigiadas organizações desportivas dos EUA e esta iniciativa certamente que não apenas dá uma grande visibilidade a Portugal e às comunidades lusas aqui radicadas como reconhece o nosso contributo a este grande país… Há várias outras comunidades étnicas que são reconhecidas num evento desta natureza e ainda bem que os portugueses e lusodescendentes são agora reconhecidos, numa noite de grande demonstração da nossa cultura com milhares de portugueses e luso-americanos com as nossas cores e poderem afirmar-se à sociedade americana e onde tudo correu muito bem”, referiu o cônsul de Portugal em Boston, que reconheceu o trabalho importante do senador estadual de MA, Michael Rodrigues. “Está de parabéns o senador Michael Rodrigues que conseguiu reunir muitos portugueses em redor deste evento, e estamos também todos de parabéns e sei que os Red Sox ficaram impressionados pelo que esta iniciativa deverá ter continuidade com realização anual”, concluiu o cônsul Tiago Araújo. Francisco Resendes, nos EUA * Exclusivo Portuguese Times/ Diário dos Açores

Direitos & Deveres

Direitos & Deveres é a nova rubrica semanal resultante de uma parceria entre o jornal Diário dos Açores e a sociedade de advogados José Rodrigues & Associados. Neste espaço, iremos procurar esclarecer dúvidas jurídicas colocadas pelos nossos leitores bem como abordar alguns dos temas mais comuns que entretecem a comunidade jurídica. Se tiver algum tema que queira ver abordado ou alguma questão que queira ver esclarecida, não hesite em enviar-nos um mail para [email protected]. Inteligência Artificial no setor da saúde: desafios jurídicos e regulação Imagine que vai ao hospital realizar exames de rotina e que, ao receber os resultados, é informado/a de que o diagnóstico resultou da cooperação entre os profissionais de saúde e um sistema de IA (Inteligência Artificial). Confiaria no resultado que lhe foi apresentado, ainda que parcialmente influenciado por um decisor não humano? Embora este cenário fosse, há alguns anos, ainda algo distante, a verdade é que a IA está cada vez mais presente na área da saúde, desde a deteção de doenças à análise de exames e ao apoio na definição de tratamentos. Ainda que represente um avanço significativo, surgem alguns desafios a ela associados. O que pode a Inteligência Artificial fazer na saúde? O recurso à IA, em diversas áreas do conhecimento, incluindo a saúde, permite identificar padrões que normalmente passariam despercebidos ao olhar humano, bem como auxiliar na gestão hospitalar, prever riscos clínicos e contribuir para o desenvolvimento de tratamentos mais personalizados. Em contexto clínico, estes sistemas podem funcionar como uma espécie de “segunda opinião” automatizada, especialmente útil em áreas como a imagiologia ou a oncologia, onde a análise de grandes volumes de informação é determinante. Ainda assim, a tecnologia não substitui o médico, que continua a ser responsável por avaliar a informação e tomar a decisão final. Quem responde quando a máquina falha? Quando um sistema de IA falha na avaliação de um padrão, conduzindo a um diagnóstico errado ou sugerindo um tratamento inadequado, coloca-se a questão: quem responde pelas consequências – o médico que incorporou a IA na sua prática ou a empresa que desenvolveu o sistema de IA? Não existe, ainda, uma resposta simples. O profissional de saúde tem acesso ao resultado da IA, mas, muitas vezes, desconhece o raciocínio que esteve na base da decisão. Por vezes, nem os próprios programadores conseguem explicar de forma clara o processo decisório dos seus sistemas. Esta realidade dificulta a atribuição de responsabilidade e levanta dúvidas quanto à confiança a depositar nestas tecnologias. Acresce um problema prático: o médico pode sentir-se pressionado a seguir a recomendação da IA, mesmo quando tenha reservas, uma vez que poderá ser responsabilizado caso se afaste da decisão do sistema sem justificação suficiente. O que diz a União Europeia? Como já tivemos oportunidade de abordar nesta rubrica, a União Europeia aprovou em 2024 o IA Act (Regulamento da Inteligência Artificial), que adota uma abordagem baseada no risco. Muitas aplicações na saúde são consideradas sistemas de alto risco, ficando sujeitas a requisitos mais exigentes. Entre estes encontram-se a supervisão humana, avaliações de conformidade, mecanismos de transparência e regras de qualidade dos dados, com o objetivo de conciliar inovação tecnológica com a proteção da privacidade, igualdade e dignidade da pessoa humana. Exige-se que o profissional de saúde compreenda as limitações do sistema, interprete resultados, detete erros e, quando necessário, não siga as recomendações da IA. Estas exigências devem ser acompanhadas por formação adequada dos profissionais de saúde, sem a qual a supervisão humana corre o risco de ser apenas teórica. Inovação com responsabilidade A Inteligência Artificial tem um grande potencial na medicina, permitindo aplicações que vão do diagnóstico ao tratamento. Contudo, os seus benefícios apenas serão plenamente alcançados se forem acompanhados por regras claras e por uma utilização responsável da tecnologia. O desafio dos próximos anos será precisamente o de encontrar o equilíbrio entre as vantagens da IA e a necessidade de salvaguardar a dignidade da pessoa humana, garantindo que a decisão médica permanece humana, sendo apenas apoiada pela tecnologia. A questão já não é saber se esta tecnologia será utilizada na medicina, mas sim em que condições continuará a ser o ser humano a decidir. Beatriz Rodrigues

Município da Ribeira Grande reforça plano municipal de apoio aos agentes culturais do concelho

A Câmara Municipal da Ribeira Grande encontra-se a reformular o plano municipal de Apoio aos Agentes Culturais, uma iniciativa estratégica que visa reforçar o reconhecimento, a valorização e o apoio às entidades, associações, colectivos e agentes que, através da sua actividade, contribuem diariamente para o dinamismo cultural e para a projecção do concelho. Esta reformulação deste instrumento de apoio surge como forma de honrar e dignificar o importante papel que cada agente cultural desempenha na preservação, promoção e desenvolvimento da identidade cultural local, reconhecendo o seu contributo para a coesão social, a participação cívica e a afirmação do território, dando igualmente resposta a eventuais necessidades adicionais criadas pela reformulação, por parte do Governo dos Açores, do plano de apoio às actividades culturais. Através deste plano, o Município pretende criar condições mais favoráveis para a concretização dos planos de actividades dos agentes culturais, reforçando simultaneamente a sua capacidade organizativa, financeira e de gestão. O objectivo passa por assegurar uma maior estabilidade e sustentabilidade das estruturas culturais, potenciando a qualidade e o impacto das iniciativas desenvolvidas em benefício da comunidade. O reformulado Plano Municipal de Apoio aos Agentes Culturais assenta numa visão de proximidade, cooperação e valorização do sector cultural, procurando responder aos desafios actuais e às necessidades identificadas pelos diversos intervenientes do tecido cultural concelhio.

Peixe do meu quintal

Obsessões Perseguição diabólica esta, de toda a comunicação social ir em permanência ao encontro das megacefalias de Donald Trump, seguindo a rede mediática que ele manipula. Mesmo sabendo que é um mentiroso invertebrado, narcisista com enormes psicopatias visuais, já condenado por diversos crimes sexuais e outros pendentes e que ele evita imiscuindo-se descaradamente no Departamento de Justiça dos EUA, num desprezo público constante pelos princípios do Estado de Direito, Direitos Humanos, Liberdade de Expressão e de Género bem como golpeando sem piedade a Democracia Parlamentar americana. Esta dececionante personagem que o obsoleto sistema eleitoral americano trouxe dolorosamente à tona do aquário político mundial, está cada vez mais em vias de provocar distúrbios nucleares, com outros parceiros bélicos e agressivos como sejam os atuais líderes da Coreia do Norte, da Rússia, do Irão e de Israel. Todos ambicionando ficar eternamente num poder desproporcionado, com grande sofrimento dos respetivos povos. Alguns destes loucos têm mandato internacional de detenção em qualquer país – casos de Benjamin “Bibi” Netanyahu e de Putin. Outros vão-se esquivando diante da cobardia internacional (a que hipocritamente chamam de diplomacia). Alguns conseguem atrair a simpatia das extremas esquerdas ou direitas, através das ideologias estalinistas e fascistas, ignorando que o mundo avança sem retorno e que as ideologias, como as religiões, estão em vias de ser arrancadas à razão humana. Obsessões de cariz patológico criadas pelo Universo, fazendo parte da permanente dinâmica da Vida que se altera em permanência. Felizmente que a morte existe, para dar término e alternância a todas estas aberrações. Aqui na nossa realidade arquipelágica, Portugal decidiu comemorar o seu dia nacional nos Açores, mais concretamente na Ilha Terceira. Comemorando num momento estratégico, onde as pretensões bélicas dos Estados Unidos passam pela Base das Lajes, o estado português ficou arrepiado e de cabelos em pé, quando Trump disse que iria ao supermercado adquirir em promoção a Gronelândia, Cuba, Venezuela e mais umas coisinhas. Vai daí, Portugal quis fazer uma demonstração bélica e mostrar as engivas desdentadas – tal sapo diante do boi – com as forças militares em desfile e os caças voando na altura dos discursos. O sapo queria ter o tamanho do boi e para isso desafiou-o inspirando ar para o corpo. Tanto inspirou, inspirou, inspirou, que acabou por rebentar em pedaços. Todas estas manifestações, que mais não servem do que exprimir saudosismos de grandezas passadas e enterradas, no espírito das “teias que o Império tece” como diria Fernando Pessoa. Não há outra intenção senão mandar recados a Washington e aos Açorianos sobre uma obsoleta soberania das últimas colónias – Madeira e Açores. A obsessão portuguesa sobre a “soberania” inequívoca das “suas” ilhas adjacentes, faz lembrar Salazar com a nação una e indivisível – colónias africanas, atlânticas, asiáticas, indianas e retângulo peninsular, onde os insurretos, rebeldes e contrários às suas ideias, eram enviados para o “campo de férias” do Tarrafal. Estão ultrapassadas e são primitivas nos tempos que correm, estas manifestações de paradas militares para amedrontar e subjugar os povos. É tempo de Paz e de fazer tudo isto de forma exclusivamente cívica e sem uniformes. Além de que se gasta fortunas, trazer todo o corpo diplomático, político e militar para o meio do Atlântico. Para um país pobre que vive à custa da caridade de Bruxelas, toda esta encenação que nada tem a ver com o Portugal moderno, com Camões e muito menos com as Comunidades ou Diáspora, não passa de uma passarela de coristas de cabaret. António José Seguro tem é que picar o traseiro do governo para acelerar a Lei das Finanças Regional, tanto da Madeira como dos Açores. Isso sim, interessa ao Povo. E já que adoram afirmar que os Açores são Portugal, que utilize a sua magistratura de influência para pagarmos o preço justo e direto quando nos deslocamos ao retângulo. Ou acabar com a proibição de partidos insulares… e tantas, tantas outras! Com tantas e tamanhas discrepâncias nas políticas que dizem respeito às insularidades atlânticas, a nossa portuguesice ou a falta dela, será uma opção exclusiva dos ilhéus e nunca imposta de fora. José Soares

Liderança Transformacional

Não há dúvida de que existem vários tipos de liderança estudada pela psicologia organizacional e pelas ciências sociais. A liderança transformacional destaca-se por ser um estilo que mais contribui para o bem-estar dos trabalhadores. Os líderes eficazes costumam adaptar o seu estilo às pessoas, aos objetivos e ao contexto. Desta forma, um líder transformacional caracteriza-se por prestar atenção às necessidades dos seus trabalhadores, procurar que os mesmos atinjam os objetivos, crescendo e desenvolvendo o seu potencial, sendo que para isso, envolvem os seus funcionários numa estimulação intelectual que os leva a analisar a forma habitual de fazer o seu trabalho e a contribuir no sentido de gerar novos métodos e procedimentos. Estes líderes desenvolvem a perceção nos trabalhadores de que eles são um contributo valioso para a organização, atribuindo um maior significado ao trabalho. Assim, um líder transformacional é alguém que olha para o potencial individual de cada um, oferece um feedback construtivo e proporciona as condições necessárias ao desenvolvimento da motivação autónoma/intrínseca. Um estudo realizado a bombeiros portugueses comprovou que existem quatro dimensões fundamentais da liderança transformacional: influência idealizada, inspiração motivacional, estimulação intelectual e consideração individual. Assim, uma liderança transformacional está frequentemente associada a maior motivação, inovação e compromisso das equipas. A liderança transformacional não se aplica apenas ao contexto de trabalho. Muitos dos seus princípios podem ser observados na vida pessoal, nas relações familiares, na educação dos filhos, em associações, equipas desportivas e até no desenvolvimento pessoal. A ideia central, é que um líder influência as pessoas através da inspiração, do exemplo e do crescimento mútuo. Assim, a liderança pode ser mais que apenas gerir pessoas ou “mandar”, passa a ser uma forma de viver, baseada em propósito, desenvolvimento e influência positiva sobre si e sobre os outros. Fique bem, pela sua saúde e a de todos os Açorianos! Um conselho da Delegação Regional dos Açores da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Catarina Cordeiro * *Psicóloga

Rodrigo Leal de Carvalho, dois olhares sobre a sua obra, de Anabela Freitas e Dora Gago

Em 31 de março, no IAC, ilha Terceira integrado nas atividades do 41.º Colóquio da Lusofonia, ANABELA B FREITAS E DORA GAGO apresentaram um novo livro dedicado a Rodrigo Leal de Carvalho, recentemente falecido. O desafio para o fazerem fora lançado em Vila do Porto em 2024 no 39.º colóquio e a editora letras Levadas o deu à estampa agora. Este foi o texto de apresentação da obra e autoras. Nascido na Praia da Vitória, Terceira, Açores, a 20 de novembro de 1932, Rodrigo Leal de Carvalho, residiu em Macau, durante quarenta anos, entre 1959 e 1999.Aí, como magistrado, desempenhou diversas funções, tendo sido Procurador da República, Procurador-Geral Adjunto em Macau, Presidente do Tribunal de Contas e juiz-conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça. Em 1999, com a entrega de Macau à República Popular da China, aposentou-se e regressou à sua terra natal. Em 1998 recebeu a medalha de ouro do Governo de Macau. Chegamos a Macau com uns meses de diferença: ele em 1976, como Procurador da República, e eu em janeiro 1977. Quando o conheci, a sua faceta de romancista ainda não havia despontado, eepisodicamente cruzamo-nos no Clube Militar, onde ia esporadicamente. Dora Gago foi professora da Universidade de Macaude 2012 a 2022 e, antes deste livro, publicou uma extensa obra sobre Macau e Leal de Carvalho. Anabela Freitas, a outra coautora, deu-nos a conhecer a obra deste autor precisamente no 15.º colóquio que realizamos em Macau, e acabei por ler a maioria dos livros de Leal de Carvalho publicados. Pelo tempo que viveu no Extremo Oriente, pode-se dizer que o seu orientalismo se compara ao de outros autores, como o de Venceslau de Moraes. Rodrigo Carvalho é um autor da diáspora que vagueou pelo mundo, experimentou a condição de deslocado — aliás, temática transversal às suas obras – e sentiu, em Macau, um porto de abrigo: “Macau encantou-me. Foi um amor à primeira vista e que ainda perdura ao fim de trinta e cinco anos…” (A IV Cruzada, p. 23). A sua primeira obra, intitulada “Réquiem por Irina Ostrakoff”, foi publicada em janeiro de 1993, pela editora Livros do Oriente.O Réquiem teve tradução para o chinês, por iniciativa do Instituto Português do Oriente, que lhe atribuiu também o prémio Camilo Pessanha de 1992, bem como a publicação de uma segunda edição. Em 1994, publica “Os construtores do Império”, cuja ação se desenrola em Macau, Moçambique e Portugal, após a Segunda Guerra Mundial. Em 1996, a “IV Cruzada” centra-se na história de dois refugiados chineses e nas redes locais de crime organizado.A obra mais extensa é “Ao Serviço de sua Majestade”,de 1996. Começa em Macau e terminanas Bermudas, passando pela Grã-Bretanha, pela África e pelos Estados Unidos. E “O Senhor Conde e as Suas Três Mulheres” datado de 1999. Há outros títulos mais recentes, após a sua saída de Macau, como “A Mãe” (2000),“O Romance de Yolanda” (2005) e, por último, “As Rosas Brancas de Surrey” (2007). O escritor evidencia a sua capacidade narrativa e o seu vigor criativo, num discurso caracterizado por grande frescura e perpassado por fina ironia.O autor, recentemente falecido, foca precisamentena múltipla condição dos exilados, refugiados e deslocados que habita as suas obras, e cujo porto último de abrigo acaba sempre por ser Macau. A condição da mulher macaense foi outro dos temas centrais deste autor.A vida em Macau era um cadinho de povos, culturas, miscigenação num Oriente exótico, sedutor, mas problemático. Resumia-se a três círculos excêntricos que se tocavam no infinito. Desses, o médio interior era composto por macaenses, sem identidade definida. Leal de Carvalho escreve: «A cidade no passado abrigou russos brancos, chineses, indonésios, vietnamitas, filipinos e portugueses perseguidos pelos credores, mulheres ciumentas, ideias políticas, espírito de aventura e ambição pelo lucro fácil, refúgio às convulsões político-sociais da região e à loucura da guerra que lançara o mundo em fogo, evasão a problemas sociais ou familiares, ou inútil fuga aos demónios de cada um» (in Leal de Carvalho, Réquiem para Irina Ostrakoff p. 5). Fala do convívio interracial com reflexos na moral e nos valores da comunidade: «A moral social local, da comunidade macaense e mais da chinesa, consentia a liberal sofisticação de costumes, manifestação viva da interpenetração dos valores culturais da região… fruto da emigração de lindas mulheres, que confundiam os olhares dos latinos, sobretudo as de Xangai. Alguns dos costumes orientais eram bem sedutores para os machos lusos… a milenária cultura chinesa, mais sábia, realista, admitia, na harmoniosa estrutura familiar e sob o austero Império da Primeira Esposa, um número indeterminado de concubinas e até “bichas,” solução cómoda e prática» (in Leal de Carvalho Os construtores do Império, p. 137). Havia um círculo exterior menor, dos portugueses, por séculos, exclusivamente constituído pelos que iam e vinham com cada governo, a que se acrescentava, aqui e ali, o elemento desgarrado da tropa ou da polícia que ficara, constituindo família, deixando-se miscigenar e assimilar pelos costumes locais. Havia estrangeiros que se deixaram encantar, aprendendo as línguas e os costumes locais e integrando-se à família lusófona, como é amplamente descrito na obra do citado juiz açoriano Rodrigo Leal de Carvalho. Por último, um enorme círculo exterior, com motor próprio na economia; os chineses, dependentes de Pequim, aonde viajavam frequentemente, de modo a receber instruções e contar os desvarios do português encarregue nominalmente de governar. Decidiam como, porquê, onde e quando. Davam a entender ao governo a insatisfação quando exorbitava ou quando a administração portuguesa apresentava uma “ideia brilhante” sem consultar os governantes. Sempre mandaram; eram eles quem determinavam como se comportariam os súbditos, que representavam mais de 96% da população. O autor, em algumas instâncias, parafraseia ideias minhas nunca expressas nem escritas, tais como a atração pela mulher oriental que sobreleva todo e qualquer interesse; aliada à vontade de descobrir novos mundos em corpos de pele sedosa e sensual, o que, no prazer hedonista, sempre me conquistou. Cito Leal de Carvalho: «A interpenetração dos valores culturais, a influência no meio macaísta dos usos e costumes que instituíra na Colónia o concubinato com o

Visita à Mata do Dr. Fraga

Açorianos, madeirenses e meia dúzia de estrangeiros, participaram no dia 6 de Junho de 2026 numa visita à Mata Jardim Dr Fraga na Achada das Furnas e junto à estrada regional. Esta visita foi organizada pelo Raimundo Quintal e o Teófilo Braga, coautores de um livro sobre esta Mata, tendo contado com o apoio da Junta de Freguesia da Maia e do seu Presidente. A visita guiada foi científicamente acompanhada pelo Geógrafo e Professor Raimundo Quintal, um profundo conhecedor das árvores, plantas e flores existentes neste ecossistema. Esta Mata Jardim é um pequeno tesouro Botânico. Este património natural foi legado por um médico Madeirense que viveu na Zona da Maia no séc passado. A sua ação na medicina junto do povo foi notável, tal como a sua paixão pelas árvores e flores, o que está bem documentado e vivo nesta Mata, presentemente este espaço é gerido pela Junta de Freguesia da Maia. O acesso é grátis e como tudo que é grátis tem “pouco valor”, razão porque aconselhamos o Presidente da Junta de Freguesia da Maia a passar a cobrar bilhetes pelo acesso a este Tesouro e com esta receita investir na manutenção deste espaço, cuidar das plantas existentes e introduzir novas espécies, e preferencialmente espécies endêmicas dos Açores. Esta Mata Jardim é muito rica em diversas variedades de plantas e flores, sendo também um viveiro natural de várias aves e entre estas merecem destaque a presença de Estrelinhas. Segundo nos informou o Presidente da Junta de Freguesia da Maia a partir do dia 8 de junho de 2026 passa a estar aberta ao público. Merece ser visitada!. No fim deste passeio o Grupo deslocou-se à Lombinha da Maia para visitar um projeto de encubadora Social e Económica onde são produzidos vários produtos regionais à base de chá e outras especialidades como a queijada de queijo fresco. Neste edifício também é possível ver uma excelente exposição de fotografias da autoria do fotógrafo Laudalino da Ponte Pacheco. Gualter Furtado Membro Conselheiro da Ordem dos Economistas

Anda&Fala promove votação pública para mural artístico na EBI Canto da Maia

A Anda&Fala — Associação Cultural abriu a votação pública para a escolha da proposta vencedora do concurso de concepção e execução de um mural artístico na Escola Básica Integrada Canto da Maia, em Ponta Delgada, convidando a comunidade a participar activamente neste processo de selecção. Integrada no projeto “9 Ilhas num Mural”, a iniciativa resulta de uma proposta aprovada no âmbito do Orçamento Participativo dos Açores (Projeto 21/OP22) e prevê a criação de uma obra de arte pública com cerca de 64 mil euros, dedicada à celebração das nove ilhas dos Açores enquanto território diverso, interligado e culturalmente rico. Através de uma open call, que decorreu entre março e abril, foram seleccionados cinco artistas açorianos para desenvolverem propostas visuais originais subordinadas ao tema “Arquipélago de Abundância”. As cinco propostas finalistas, agora a concurso até 21 de Junho, recorrem a diferentes técnicas, como a pintura directa sobre parede com tintas acrílicas, a pintura em azulejo cerâmico, a pintura em spray e a pintura com rolo e pincel, e exploram múltiplas perspectivas sobre a identidade açoriana e as relações que unem o arquipélago. Entre os elementos presentes nas propostas encontram-se representações da infância como símbolo de comunidade e de futuro, referências à paisagem natural e ao património cultural açoriano, bem como reflexões sobre a diversidade, a comunicação, a partilha, a pertença e a interdependência entre as ilhas. A proposta vencedora, seleccionada através da combinação da votação pública com a avaliação de um júri, receberá um prémio de 5.000 euros, acrescido de um orçamento de produção de até 12.000 euros e do acompanhamento de uma equipa técnica para a execução do mural, que terá lugar em Setembro deste ano. A votação pública decorre até 21 de Junho e está disponível no website www.andafala.org.

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