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As escolhas do Diário dos Açores dos destaques de 2023

Como é habitual, o Diário dos Açores, no final do ano, faz um balanço sobre os acontecimentos que merecem maior destaque relativos a 2023. Tratam-se de escolhas que reflectem apenas a opinião da redacção deste jornal, baseadas numa observação e análise criteriosas do ano inteiro e do que se foi publicando nas páginas deste diário

Figura do Ano

D. Armando Esteves
Domingues, Bispo de Angra

Chegou há menos de um ano (entrou na Diocese a 15 de Janeiro de 2023) e percebeu logo o quanto era preciso renovar e inovar numa Igreja envelhecida de pessoas e métodos. Fez um movimento de paróquias que alguns não acreditavam, mexeu com algumas estruturas instaladas, reorganizou internamente a Diocese e ainda teve tempo para mobilizar os jovens de todas as ilhas para a Jornada Mundial da Juventude, com aquela subida simbólica ao Pico, que marcou o início de uma caminhada mais fresca para a Igreja dos Açores.
D. Armando Domingues identificou-se, de imediato, com a população açoriana, lembrando-lhe, provavelmente, as suas origens, percorrendo todas as paróquias em todas as ilhas e já preparando as comemorações dos 500 anos da Diocese, em 2034.
“Eu gosto de conhecer pessoas, de tentar fixar nomes. Nove ilhas é sempre uma aventura”, dizia o Bispo de Angra, há pucos dias, numa entrevista conjunta à agência Lusa e à agência Ecclesia.
O foco das suas preocupações nestes primeiros meses foi conhecer as pessoas, “conhecer cada canto, os jovens, os crismas, as famílias, ver onde é que estão os párocos, falar com eles, ouvir as expectativas”.
D. Armando Esteves Domingues reconhece que “todas as ilhas têm uma identidade própria, como depois o tem cada comunidade. Portanto, estas diversidades tornam-se riqueza. O segredo está em saber valorizar e potenciar tudo aquilo que cada um é, isto é, desenvolver os carismas que cada um tem, sejam padres, sejam leigos, vivam numa ilha ou vivam noutra”.
Com um passado de rivalidades entre ilhas e mesmo dentro da Diocese, o prelado vai conhecendo a nossa forma de estar nas ilhas e quando confrontado se poderá ser uma solução para a unidade, responde: “Só o tempo o dirá. (…) Há convenientes e há inconvenientes. Claro que construir a unidade entre esta gente toda, ser uma pessoa dos Açores ou não, é sempre muito secundário, porque eu tenho de construir laços com toda a gente: Com quem me é simpático, com quem concorda, com quem alinha nas minhas ideias, com quem as tem contrárias”, diz o bispo, para quem “o grande desafio da Igreja é precisamente isto, ser capaz de [a título de exemplo] conciliar Terceira e São Miguel, para dizer duas ilhas maravilhosas dos Açores, mas que, efetivamente e historicamente, são um pouco concorrentes uma da outra”.
E sobre a velha questão da criação de uma segunda Diocese nos Açores, já tem opinião formada: “Eu sei que em tempos houve essa ideia, uma ideia expressa de que São Miguel pudesse ser uma outra diocese. Pessoalmente, acho que não tem cabimento, não tem pés para andar. Somos nove ilhas, as ilhas estão todas muito interdependentes. Hoje, o Bispo viver em Angra ou em Ponta Delgada ou no Corvo… a Diocese está onde o Bispo está e onde a Igreja está”.
“Se pensar que nos três meses de Verão fiz 43 viagens de avião, isto diz um bocadinho tudo, não é? (…) Hoje, o nosso escritório é um escritório ambulante. A mim não me mete aflição”, acrescenta.
Com eleições legislativas regionais antecipadas no horizonte, decorrentes do chumbo do Orçamento Regional para 2024 pela Assembleia Legislativa dos Açores, o bispo diocesano acompanha a situação “com alguma preocupação”, porque a instabilidade tem sempre repercussão no quotidiano dos açorianos.
Porém, Armando Esteves Domingues faz questão de desdramatizar, por acreditar que “este é o caminho normal dos homens e das instituições.
“A estabilidade é sempre muito, muito importante, mas a estabilidade também tem de ser, não a curto prazo… Olho com alguma preocupação, mas também sei que nos Açores há muito boa gente capaz de refletir e de falar e de levar as preocupações comuns para a frente”, diz o bispo na entrevista conjunta à agência Lusa e agência Ecclesia, acrescentando que tem descoberto “nos agentes públicos, e mesmo nos agentes partidários, nos responsáveis, gente de um valor enorme”.
Assim, mostra-se convicto de que “os Açores, à parte os diferentes políticos e as hipotéticas quedas de Governo, mudanças de Governo, vão encontrar formas de continuar a progredir e a levar o melhor para as populações para a frente”.
Apesar desta confiança, olha para a situação social de algumas zonas dos Açores, para, no âmbito da actividade da Igreja defender a “descentralização, desburocratização, ou começar a partir das bases, começar de baixo e dizer [que] cada comunidade deve cuidar dos seus pobres”.
Preocupado com a pobreza na Região, D. Armando tem ainda outro desafio que impõe a si próprio, que é atrair ainda mais os jovens para a Igreja.
Não são tarefas fáceis, mas a sua dinâmica e entusiasmo neste primeiro ano abrem boas perspectivas para uma Diocese que se deseja forte, interventiva e sempre ao lado dos mais frágeis.
Por tudo isso, a redacção do Diário dos Açores considera que D. Armando merece bem a eleição de Figura do Ano nos Açores.

O acontecimento do ano

A queda do Governo dos Açores

Para muitos não foi surpresa. Nestas colunas tínhamos previsto, há muito tempo, que o último ano da legislatura seria crucial para o futuro da coligação governamental. Tudo porque os dois partidos que não integram a coligação, Chega e IL, teriam que assumir uma estratégia de rompimento para segurarem o seu eleitorado e, eventualmente, poderem repescar eleitores desiludidos com a governação. Foi o que, previsivelmente, acabaram por fazer, travando assim o chamado “voto útil”, que poderia recair na coligação se as eleições fossem em Outubro.
Portanto, o rompimento não foi devido ao orçamento, mas apenas por uma razão tacticista, de estratégia eleitoral. Resta saber se, provocando abertamente a crise, o Chega e IL possam ser penalizados por isso. Ou seja, num cenário hipotético contrário, os eleitores à direita, que até poderiam votar naqueles dois partidos, recearem o regresso do PS ao poder e darem mais uma oportunidade a José Manuel Bolieiro, o maior activo político da coligação e que, segundo já se percebeu na estratégia da coligação, terá o palco todo, até ao dia das eleições.
Temos, assim, um cenário eleitoral imprevisível para 4 de Fevereiro, que tanto pode cair para a direita como para a esquerda, liderada pelo PS. Devido à fragmentação partidária, é previsível que nenhum dos grandes partidos consiga a maioria absoluta, pelo que deverá ser necessário recorrer, novamente, a acordos parlamentares.
Mesmo não sendo surpresa a queda do Governo, sustentado fragilmente por três partidos coligados e dois com acordos de incidência parlamentar, não deixa de ser o acontecimento que mais marcou a vida dos Açores, agora a funcionar apenas em duodécimos.

O desportista do ano

Rui Cansado, campeão mundial de ginástica aeróbica

O jovem açoriano Rui Cansado já tinha sido reconhecido, no final deste ano, em Santarém, como o “Ginasta do Ano”, pela Federação de Ginástica de Portugal, com base em critérios que exigem Alto Rendimento nível A.
O atleta fez novamente história ao terminar 2023 em segundo lugar do ranking da Federação Internacional de Ginástica. Trata-se de um feito jamais conseguido por um açoriano, o que faz deste atleta de S. Miguel um dos maiores valores do Desporto açoriano.
É de justiça distinguir, igualmente, a jovem ginasta Leonor Januário, também foi homenageada pelo título alcançado: campeã da Europa de Ginástica Aeróbica, também inédito em Portugal.
De resto, nesta área, os Açores estão a dar cartas a nível mundial, graças, também, ao trabalho da treinadora Alexandra Barroso, cujo desempenho tem sido altamente elogiado a nível internacional e merecedora de todos os elogios pela sua capacidade e competência profissional.
O Diário dos Açores elege Rui Cansado como o Desportista do Ano, e esperamos ainda mais deste jovem, com uma margem de progressão fantástica, levando o nome dos Açores aos píncaros do mundo do desporto.

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