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A (des)compensação de voos

Há alguns dias ouvi, num programa televisivo de comentário político, que Portugalsem transportes aéreos era uma ilha.
Certamente, nenhum dos comentadores deve saber, efetivamente, o que é viver numa ilha e as dificuldades inerentes ao contexto insular.
Os transportes aéreos, para os Açores e para os açorianos, são, mais do que tudo, uma necessidade! Para a sua mobilidade, para o transporte de carga, para a qualidade de vida e para o crescimento e desenvolvimento da Região.
Por esses motivos, a redução muito expressiva da operação da Ryanair nos Açores, com início no passado mês de outubro, deixou muita apreensão pelo seu impacto na mobilidade de e para os Açores.
Após as negociações encetadas, que mais não deixaram que um amargo de boca, ouvimos declarações diversas em como o mercado se auto regularia, num discurso que, recorrendo à “mão invisível” da Adam Smith, mais não fazia do que tentar mascarar o enorme fracasso deste Governo.
Se no mês de outubro a variação relativa ao número de passageiros desembarcados nos voos territoriais foi positiva,apesar da significativa redução do crescimento em relação aos meses anteriores, em novembro a variação homóloga é negativa em 1,9%.
Esta inversão, de uma tendência de crescimento que se vinha a verificar desde janeiro, está obviamente relacionada com a redução do número de voos da Ryanair que, ao contrário do que nos queriam fazer crer, não conseguiu ser compensada pela Sata e pela TAP.
Como seria de esperar, a diminuição do número de passageiros tem correlação direta com o número de dormidas, conforme se pode verificar no destaque da Atividade Turística de outubro, que apresenta uma redução de 3,4% no número de dormidas dos Residentes em Portugal.
Mas o destaque do SREA, Movimento de Passageiros de novembro, deixa-nos ainda outro alerta, com repercussão na coesão! No que respeita ao desembarque total de passageiros, de todas as tipologias de voos, apenas três ilhas apresentaram variação homóloga mensal positiva, Pico (31,2%), Graciosa (15,1%) e São Miguel (9,2%). As restantes apresentaram variação homóloga mensal negativa, São Jorge (-21,9%), Corvo (-7,5%), Flores (-4,2%), Terceira (-3,9%), Faial (-2,6%) e Santa Maria (-1,3%).
Nos meus pedidos para 2024 vou pedir um Governo responsável, com estratégia e visão para os Açores e que coloque rapidamente os Açores no trilho do desenvolvimento e da coesão. Garantidamente, não será da Coligação!

Sara Brum*

*Especialista em Políticas Públicas

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