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O mundo mudou, o PCP também – da K7 ao MP3

É extraordinário como tantas personalidades, nacionais e regionais (mais nacionais, diga-se), tecem observações, fazem reflexões e formulam opiniões sobre um partido – com mais de 100 anos e, para muitos, em vias de extinção (já Salazar o profetizara) – o PCP, Partido Comunista Português. Com certezas, convicções e seguranças tais que pensaríamos que são profundos conhecedores quer da ideologia, quer da história, quer do percurso do partido mais antigo de Portugal.
Poucos até raros são publicados artigos de militantes ou simpatizantes, em jornais e revistas; poucos ou raras são as aparições de dirigentes, militantes ou simpatizantes deste partido, em Órgãos de Comunicação Social de longo alcance: Não há comentadores comunistas; não há especialistas comunistas. Mashá comentadores que comentam tudo e mais alguma coisa e que comentam e opinam também sobre o Partido Comunista Português, na maior parte das vezes, dizendo o que não sabem; repetindo o que ouvem outros desconhecedores dizerem e, assim, propagando a mensagem que interessa passar: um partido não democrático; um partido ortodoxo; um partido ultrapassado; um partido que não faz falta à democracia portuguesa.
Que engano! Os maiores burlados, acreditem, não são os militantes do partido, nem os seus dirigentes, nem os seus simpatizantes. Os maiores defraudados são as pessoas; o mais burlado é povo português que, alienado pelos OCS, dominado por um pensamento conservador, de direita, opressor e defensor dos que mandam, não há 50 anos, como poderíamos imaginar, mas há quase tantos anos quantos tem o PCP, acaba por não descortinar a verdade. Sim, a Democracia chegou em 74, mas o pensamento construído, antes da Democracia, continuou (paradoxalmente, de forma mais acentuada, a coberto da pseudodemocracia) e veladamente e insidiosamente vai perpetuando o pensamento único, denegrindo o partido que mais defende o povo, as populações e, especialmente, os trabalhadores.
O PCP, em 102 anos, teve, obrigatoriamente, que mudar; teve que ir ao encontro do mundo que se foi alterando, particularmente Portugal, também pela sua ação. O PCP não ficou cristalizado em 1974, nem podia. Em 1974, já tinha atravessado 5 décadas de construção, de estruturação e, especialmente, de luta contra um regime opressor e demolidor dos direitos humanos mais básicos: saúde, educação e trabalho digno para todos. Depois de 74, fez parte da construção da frágil Democracia alcançada, sendo um dos partidos que mais contribuiu para a construção da Constituição da República Portuguesa (provavelmente o documento mais singular e extraordinariamente democrático do século XX português), aprovando-a e jurando defendê-la até hoje, ao contrário de muitos outros.
Só podemos dizer que quem fala e comenta o Partido Comunista Português não o conhece; não conhece a sua história; não conhece o Manifesto Comunista; não conhece os estatutos do partido; não conhece o seu programa e nunca leu as suas comunicações e comunicados, realizados por diversos dirigentes e militantes.
Várias vezes, ao longo destes 50 anos de Democracia, mostramos que íamos à frente, por exemplo, ao fazermos um acordo de incidência parlamentar, em 2015, permitindo que o PS governasse, tendo sido este governo, considerado pelos portugueses, o melhor de toda a Democracia portuguesa.
No dia em que o PCP desaparecer, acreditem, a Democracia e a Liberdade terão perecido; muitos o vaticinam; alguns já cá não estão; não se deixem enganar: estivemos 48 anos fora da Assembleia da República e não morremos, ao contrário de muitos outros. Respeitamos a Democracia e a vontade do povo, isso não significa morrer. Significa trabalhar de outra forma e nesta ‘outra forma’ somos especialistas.
Termino aconselhando a leitura de alguma literatura comunista, antes de dizerem disparates e de repetirem, incessantemente, não a K7 que atribuem ao PCP, mas o MP3 do grande capital.

Judite Barros*

*Professora do Ensino Secundário

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