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O que os tempos aconselham…

A ausência da representação parlamentar da CDU e a sua troca, em 2020, (com uma desvantagem de pouco mais de 100 votos) por um deputado acrescentado às direitas no Parlamento dos Açores impediu a constituição de um governo PS sem maioria absoluta e com um suporte parlamentar mais à esquerda (CDU e BE), permitindo que as 5 direitas nos Açores (PSD, CDS-PP, PPM, IL e Chega) formassem uma maioria de deputados que governou a Região durante quase um mandato (4 anos). A solidez deste mandato só vacilou no seu quarto e último ano, pelo afastamento oportunista do IL e do Chega, receosos que a má governação, que ajudaram a concretizar, os pudesse vir a prejudicar eleitoralmente.
De facto, e malgrado o “novo paradigma de governação” tantas vezes proclamado por Bolieiro, a governação das direitas durante quase 4 anos, com exceção da candente medida (sempre rejeitada pelo PS) das passagens aéreas inter-ilhas a 60 euros, em tudo o resto tornou a vida dos açorianos bem mais complicada ainda do que já era antes com a maioria absoluta do PS.
A pobreza, e o risco da mesma, cresceram ainda mais e voltámos a ser, entre todas, a região portuguesa mais pobre e uma das mais pobres da União Europeia (mais de um em cada quatro açorianos, segundo o INE, enfrentou em 2023 o risco de pobreza).
As desigualdades sociais, que antes o PS nunca se empenhou resolutamente em diminuir, acentuaram-se ainda mais, com o salário médio nos Açores a manter-se inferior em 10% ao salário médio nacional. O mercado de trabalho regional continua a assentar essencialmente num flagelo ainda não revertido, isto é, em trabalho precário e mal pago, além da pesca, especialmente na hotelaria, turismo e construção, e num modelo generalizado de baixos salários, pelo que ter um emprego deixou de ser suficiente para afastar a pobreza, tornando-se urgente aumentar de 5% para 10% o acréscimo regional ao salário mínimo nacional. Como todos sentem, esta situação está, aliás, a agravar-se significativamente com os aumentos inflacionários dos bens e serviços essenciais, ainda mais acentuados nos Açores devido aos transportes.
O investimento público continuou muito abaixo do necessário em particular na saúde, tanto no serviço público de direito universal como no investimento em cuidados paliativos e continuados para os mais idosos, na educação e cultura, na habitação, nos transportes aéreos (a Sata Internacional não deve ser privatizada), marítimos e terrestres, ou na rede pública de creches (tão badalada, mas tão longe de estar concretizada).
Mesmo com um muito fraco investimento público, a dívida pública aumentou desmesuradamente e, tal como as desigualdades sociais, os desequilíbrios de desenvolvimento inter-ilhas aumentaram em proporção ainda maior.
A iliteracia e o abandono escolar precoce também cresceram e o combate ao alcoolismo, à violência doméstica e às toxicodependências marcam passo, sem data para arrancar de forma eficaz.
Este quadro, infelizmente muito negativo, que dura desde as maiorias absolutas do PS e se acentuou de forma evidente com a governação dos 5 partidos das direitas indica, sem sombra de dúvida, que em 4 de fevereiro o tempo não é de retornar às maiorias absolutas do PS nem tão pouco às maiorias dos 5 partidos das direitas. É tempo, sim, da CDU voltar a ter representação no Parlamento dos Açores…
Mário Abrantes

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