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Jornalismo, Sempre!

“Não incluo nesta análise os pasquins e jornais de fação, as emissoras toca-cd’s, as redes sociais, sites e outras plataformas que não se preocupam em difundir a verdade dos factos e em promover o debate de ideias, mas em multiplicar as “fake-news”.”

A instabilidade internacional dos últimos dias, traduzida no alastrar de conflitos entre vários países do Médio Oriente que alguns observadores militares consideram estar ligada à estratégia da invasão da Ucrânia pela Rússia, é motivo de preocupação acrescida para a humanidade.
Nós que vivemos nestas pequenas ilhas, com uma enorme ZEE, mas sem meios permanentes de auto-defesa e ao sabor dos interesses dominantes, de um momento para o outro, podemos ser sujeitos à explosão de interesses desmedidos e gananciosos, que afetarão as nossas vidas.
Os ataques no Mar Vermelho a navios petroleiros e porta-contentores, estão a determinar a alteração das rotas e o prolongamento das viagens pelo Cabo da Boa Esperança, sobrecarregando os custos dos produtos e das matérias primas. De tal modo que se estima já que as mercadorias importadas possam vir a aumentar cerca de 30% e as exportações a decrescerem.
As estimativas positivas que previam a descida das taxas de juros, da inflação e do crescimento das economias da Zona Euro ficarão prejudicadas, pelo que não é difícil prever que vem aí tempos muito difíceis.
Não sendo entendido em questões económicas recordo, todavia, os efeitos da “Primavera Árabe” nos países do norte de África e do Oriente Médio, sendo de prever que um dos pilares da economia açoriana – o turismo – possa vir a ser gravemente afetado.
Neste período eleitoral, muito se tem falado do crescimento exponencial deste setor, dos investimentos na hotelaria, das questões sociais e ambientais conexas, dos baixos e das medidas a tomar para prevenir a massificação turística.
A situação internacional pode, no entanto, alterar profundamente esse cenário sócio-económico, pelo que todos, agentes económicos e cidadãos em geral, devemos estar preparados.
Há dias um grupo de personalidades tornou público um manifesto apelando a uma séria reflexão sobre o futuro destas ilhas.
O texto não foi divulgado como merecia, muito menos assimilado, debatido ou contestado pelos responsáveis económicos e sociais, como seria timbre de uma sociedade adulta, livre e responsável.
A rapidez com que os conflitos estão a desenrolar-se e as precauções que os agentes económicos e políticos devem ter, irão, certamente, alterar programas e projetos eleitorais e empresariais.
Parafraseando Thomas Merton “Nenhum homem é uma ilha” e “cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo”, de John Donne, somos levados a compreender que não estamos isolados do mundo e tudo o que acontece, mais cedo ou mais tarde nos atinge.
A globalização tem essa característica: não isola ninguém, antes integra todos na aldeia global. Assim queiramos nós acompanhar e compreender a marcha imparável do mundo, e responder às dificuldades com as melhores e mais adequadas soluções.

  1. O V Congresso de Jornalistas decorre em Lisboa até amanhã, sob o lema “Jornalismo, sempre!”, numa altura de mudanças significativas nos meios de comunicação e em toda a produção informativa.
    As causas das alterações prendem-se com a nova era digital, com a expansão da internet, com a penetração das redes sociais e das plataformas digitais mesmo nas sociedades menos desenvolvidas, o que irá acelerar a divulgação de todas as atividades da sociedade, seja na política, na economia, nos media, no mundo empresarial e até nas normas sociais. “Esta aceleração à escala, de par com a interconetividade que a tecnologia da Internet promove, desaguará numa nova era de globalização – a globalização dos produtos e das ideias”.1
    Há portanto, uma mudança de paradigma na distribuição das mensagens que afeta quer a tradicional produção informativa, quer o seu suporte económico: a publicidade. Sem esta não consegue subsistir a imprensa escrita, nem as empresas de rádio e televisão privadas, nem o jornalismo competente, isento e credível.
    Falo de jornalismo e de imprensa de qualidade, que cativam os jovens para a profissão e que merecem a confiança dos leitores, telespetadores e radiouvintes. Não incluo nesta análise os pasquins e jornais de fação, as emissoras toca-cd’s, as redes sociais, sites e outras plataformas que não se preocupam em difundir a verdade dos factos e em promover o debate de ideias, mas em multiplicar as “fake-news”.
    É por isso que a imprensa privada tem sérias dificuldades em subsistir, em pagar salários e em recrutar pessoal para as redações.
    Compete, pois, ao Estado e aos Governos Regionais minimizar essas dificuldades, como o fazem com outras atividades económicas, sociais, culturais e desportivas.
    A defesa da liberdade, da justiça e da participação cívica, fundamentos dos regimes democráticos, exigem-no.
    E podíamos até envolver outras vertentes muito importantes como a preservação e promoção da língua e da cultura, o mesmo que é dizer da nossa identidade e da nossa História coletiva.
    A Imprensa é a guarda das liberdades e das reivindicações das populações, sobretudo das mais débeis e periféricas. Sem ela, a democracia sujeita-se a definhar nos gabinetes oficiais onde, normalmente, não se abre a porta à crítica, nem as janelas ao mundo.
    Por tudo isto, “Jornalismo, Sempre”!
    1 Schmith,Eric e Cohen Jared, “A Nova Era Digital”, D. Quixote, 2013

José Gabriel Ávila*

*Jornalista c.p.239 A
http://escritemdia.blogspot.com

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