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Ansiedade: equipamento de série ou acessório tuning?

Quem já adquiriu um automóvel condenou-se a ponderar uma multiplicidade de opções. A marca do veículo, se cabe no bolso de cada um ou se tem maior ou menor número de equipamentos e extras. Quando compramos a viatura, compramos uma série de equipamentos de série, aqueles que virão sempre com o veículo, independentemente do saldo bancário ou das motivações de cada um, ou podemos adquirir acessórios extra, que, no limite, poderão ser simples equipamentos decorativos que tornem o veículo mais personalizado.
As nossas emoções equivalem ao volante ou às rodas do automóvel. Trazemo-las connosco, fazem parte de nós e, por muito que nos possam complicar alguns momentos de vida, humanizam-nos e enriquecem-nos.
A ansiedade é uma das nossas emoções, uma das rodas. Mesmo que, em muitos momentos ou mesmo numa lógica generalizada, possa rolar com menos ar do que o desejável ou, no limite, interromper a marcha, quando somos surpreendidos com um inconveniente furo, daqueles mais lentos ou dos outros, mais chatos e problemáticos, de natureza súbita e inesperada.
Todos já nos sentimos ansiosos. A capacidade de nos sentirmos ansiosos deve ser lida no contexto da evolução humana, enquanto aquisição evolutiva, com um misto de reconhecimento e humildade. Reconhecimento por tudo aquilo que ela nos permite (sim, a ansiedade, mesmo que possa não parecer, tem uma função protectora) e humildade pela forma como nos obriga a reconhecer o quanto nos falta evoluir enquanto espécie (sim, a forma como evoluímos não encontrou paralelo na forma como dominamos, sempre, a nossa ansiedade). Se é certo que todos já nos sentimos ansiosos ou preocupados com alguma coisa, importa diferenciar as situações ou os estados em que nos sentimos ansiosos a maioria do tempo ou repetidamente em pânico, naquilo que podem ser sintomas sugestivos de uma patologia ansiosa (como, por exemplo, a perturbação de pânico, a fobia social ou a perturbação de ansiedade generalizada). Ao contrário do que muitos pensam, a ansiedade não está “só na cabeça”. É uma resposta que altera a forma como o nosso corpo reage, como as emoções se manifestam, como pensamos e, também, a forma como interagimos com os outros e com os contextos em que habitamos.
Enfrentar a ansiedade é o caminho para quebrar o ciclo de medo e insegurança, em que a forma como funcionamos pode levar ao reforço das manifestações ansiosas.

Fique bem, pela sua saúde e a de todos os Açorianos.
Um conselho da Delegação Regional dos Açores da Ordem dos Psicólogos Portugueses.

*Vogal da Direção da Delegação Regional dos Açores da Ordem dos Psicólogos Portugueses

Filipe Fernandes*

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