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Outras notas para o domingo (4 de fevereiro)

SONDAGENS – As sondagens poluem a liberdade e a consciência do eleitor. Elas antecipam uma coisa que não é antecipável: o voto. Longe já de tentarem retratar com rigor uma realidade potencial, cada vez mais as sondagens fingem adivinhar resultados, visando influenciar o sentido de voto do eleitorado, de acordo com interesses cada vez menos claros. Muitos daqueles a quem é proposto votar para as sondagens, votam de maneira diferente ou não votam no dia das eleições. Outros tantos não respondem ou não “votam” nessas sondagens, mas entretanto (com base em resultados anteriores) são ilegitimamente contados para as previsões percentuais que elas põem cá fora.
Alguém as paga, e são caras, para convencer os eleitores (com a imensa ajuda de uma comunicação social em geral acrítica ou mesmo cúmplice) do vazio de outras alternativas e que o resultado já está praticamente decidido com base em apenas duas opções credíveis, ou seja, que um dos mesmos (os últimos ou os anteriores) vai continuar a governar após 4 de fevereiro, com uma política que também será, mais trica menos trica, mais partido coligado menos partido coligado, essencialmente do mesmo. Assim, as sondagens cumprem o seu papel perverso e poluente da Democracia, ajudando a violar o segredo do voto e a “fabricar” resultados, pela desmotivação consequente que pretendem provocar nos apoiantes e potenciais eleitores de outras forças políticas concorrentes: “Não vale a pena ir lá votar, porque eles já ganharam outra vez…”.
Assim se fundamenta e se tentam construir (por via da manipulação prévia do eleitorado) maiorias absolutas que garantam durante 4 anos a tão badalada e tão perversa estabilidade política institucional, sem garantias complementares obrigatórias da concretização de políticas de estabilidade social e de desenvolvimento económico socialmente coeso entre as nossas nove ilhas. Engano fatal este, que é importante contrariar.
O voto é livre, incluindo de manipulações dos poderes dominantes, é uma vez só por cada eleitor e para cada eleição, é secreto, e apenas conta se for deposto na urna no dia das eleições e não numa sondagem qualquer.
Só assim teremos de volta as eleições livres tão ambicionadas e conquistadas há 50 anos, com a vitoriosa Revolução de Abril.
TRABALHADORES – Em tempo de campanha eleitoral e de invernia a voz dos trabalhadores, com destaque em número e força para muitas corajosas mulheres trabalhadoras, fez-se ouvir nas ruas, às centenas, sucessivamente em Angra, na Horta e, por último, em Ponta Delgada na segunda-feira passada. Pela melhoria geral dos rendimentos e salários, pelo aumento do acréscimo ao salário mínimo para 10% e da remuneração complementar, contra a precariedade e o desregulamento desumano dos horários de trabalho que atingem milhares de famílias açorianas, pelas 35 horas semanais para todos, contra a pobreza e a exclusão social.
Dada a natureza destas reclamações, estes trabalhadores, com os olhos postos nos partidos concorrentes e nos futuros deputados que irão ser eleitos no próximo domingo, desafiaram claramente todos eles para um importante contributo, como é da sua responsabilidade, assim a queiram assumir, com vista a alterar decisivamente o atual rumo da política regional.
Saibam os partidos e os futuros deputados do parlamento açoriano ter seriamente em consideração estas propostas de quem trabalha e cria a riqueza por e para estas ilhas.

Mário Abrantes

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