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Os Fusíadas da América do Norte (8)

Em Janeiro de 1999 foi anunciada na imprensa local a realização de uma festa de angariação de fundos destinados a bolsas de estudo do Convívio Ribeiragrandense. O evento realizou-se no dia 27 de Fevereiro do mesmo ano, na Associação Académica de Fall River, e contou com cerca de duzentas pessoas.
A ementa constou de uma variedade gastronómica açoriana, preparada por membros ativos dos Amigos da Ribeira Grande. Os bilhetes custaram apenas quinze dólares para adultos e seis para crianças até aos doze anos. Depois do jantar houve música para dançar, sorteio e arrematações.
Nos mesmos moldes, no domingo 17 de Abril do mesmo ano, em Cambridge, Massachusetts, realizou-se também outra angariação de fundos, muito animada, no Clube do Santo Cristo. Recordamos com saudade a madrugada daquele dia, em que tivemos de transportar de Fall River e New Bedford para Cambridge grandes panelões de comida semi-preparada, a finalizar no destino. Valeu a pena! Tudo vale a pena, e isto não tem nada a ver com almas pequenas ou grandes, mas sim quando se faz as coisas com gosto e por amor.
Veio mais um verão, depois o outono apareceu, e chegou o dia da grande confraternização, que se realizou no lugar habitual, depois da missa do meio-dia, celebrada na igreja do Senhor Santo Cristo, em Fall River, pelo nosso querido conterrâneo, Padre Edmundo Pacheco.
O ajuntamento no restaurante White’s of Westport contou com a presença de cerca de setecentas pessoas, segundo notificou a edição de 11 de Novembro de 1999 do jornal Portuguese Times.
Devido ao enorme sucesso do ano anterior, ainda neste sétimo convívio compareceu um mar de gente. Para além daqueles que do concelho da Ribeira Grande aqui se deslocaram, veio de Montreal, província de Quebeque, Canadá, uma embaixada da nossa organização congénere, que já em 1998 havia marcado presença.
Abrimos aqui um parêntese para lembrar que foi também neste ano de 1999 que se realizou em Montreal o primeiro convívio ribeiragrandense de Quebeque, que veio a acontecer uma semana depois do nosso, na Nova Inglaterra. A sua comissão organizadora foi liderada pelo nosso saudoso amigo Duarte Farias, que segundo o nosso conhecimento, já realizava anualmente uma festa em honra de Nossa Senhora da Estrela, na Missão de Santa Cruz daquela cidade canadiana. Além disso, Duarte Farias como era uma pessoa muito ligada à sua comunidade paroquial e à Filarmónica Portuguesa de Montreal, também fazia parte da organização que levava a efeito as festas do Sagrado Coração de Jesus. No mesmo fim de semana das festas da Matriz da Ribeira Grande.
Voltando o fio à meada, salientamos que o convidado de honra do sétimo convívio foi o sr. Joaquim da Costa Leite, fundador da Lacto Açoreana. Mas em vésperas de vir para a América teve de ser hospitalizado em Ponta Delgada. Por este motivo foi representado na confraternização pelo Dr. António Crispim.
Tudo uma questão de habilidade em reverter situações que vieram contrariar as planeadas. Por exemplo: o Dr. António Crispim já fora o convidado de honra do terceiro convívio. Mas como fizera questão de marcar presença no sétimo, porque o presidente da organização naquele ano era o seu primo Fernando Luís Ponte, mais conhecido por Fernando Luís Crispim. Veio mesmo a calhar a ilustre representação.
Fernando Luís Ponte, filho de Luís Borges da Ponte (Crispim) e de Maria Fernanda Correia, nasceu na freguesia da Conceição, Ribeira Grande, em 1946.
Fernando enquanto viveu na Ribeira Grande foi dirigente do Benfica Águia Sport, e veio para a América aos 24 anos de idade, depois de cumprir o serviço militar em Portugal. Trabalhou 25 anos para a empresa Roma Color, onde chegou a atingir o posto de Gerente de Produção.
Por volta de 2015, por motivos de doença prolongada foi admitido no centro de enfermagem, ou casa de reabilitação Sara Brayton, em Fall River, onde permaneceu durante seis anos, vindo a falecer no dia 30 de novembro de 2021 no Hospital de Santa Ana.
Fernando Luís deixou uma filha legítima (do primeiro casamento), Mónica Coppeland, e mais três filhos adoptivos, do segundo casamento (ou ajuntamento): Diane Lebel, David DeLima e Vanessa DeLima. E três netos: Olivia Copeland, Camden Copeland e Ava Lebel.
Este convívio de 1999 diferenciou-se dos outros por nele terem atuado os irmãos Botelho Vieira.
Quem gosta de dançar depois de uma boa refeição, para “desgastar” as banheiras, e apanha uma música destas que só dá em dormir, o melhor que faz é chegar ao bar e pedir mais um “dezasseis”. A música é muito boa, e não tiramos o mínimo valor aos músicos. Mas uma atuação de três ou quatro peças seria o suficiente para não fazer ninguém dormir.
É que, depois queixam-se que os espetadores não respeitaram os artistas, que fizeram barulho, e perturbaram a mansidão da sala, tirando excelências aos seus números e danificando a sua atuação.
Pois, é! Há que respeitar todos. Se alguém paga por um bilhete para conviver com a sua gente, ou com velhos amigos, ou com os inimigos da sogra, não tem aço para ouvir longos sermões ou discursos. Muito menos música crónica, como muita gente aquela classificou.
Os Irmãos Vieira tiveram oportunidade de mostrar os seus talentos e valores quando atuaram para a Casa dos Açores. Aí, sim. O ambiente era outro, propício à arte em todas as vertentes.
Segundo esclareceu o jornal Portuguese Times daquela semana, a embaixada da Ribeira Grande que nos visitou era composta deste modo: Padre Edmundo Pacheco, pároco da igreja da Conceição; Engenheiro Armindo Moreira da Silva, presidente da Assembleia Municipal; Dr. António Crispim; Carlos Dinis Oliveira Melo, presidente da Junta de freguesia dos Fenais d’Ajuda; António Manuel Medeiros Anacleto, presidente da Junta de Freguesia da Matriz; José Manuel Mendonça, representando a Junta de Freguesia da Conceição; Mário Jorge Rodrigues Prata, da Junta de Freguesia da Ribeira Seca; José António Furtado Ledo, da Junta de Freguesia da Ribeirinha; Álvaro Feijó, da Casa do Povo da Ribeirinha; Fernando Maré, do Montepio Geral e Engenheiro António Tavares Vieira. Além destes, há a registar as presenças de algumas esposas e de Duarte Farias, presidente do Convívio Ribeiragrandense de Montreal, com a sua comitiva de cerca de trinta pessoas; Ferreira Moreno, da Califórnia; José Correia (Catita), guarda-redes do Benfica Águia, residente em Brampton, Ontário, assim como Manuel Pedro, do Sport Club Ideal, também residente na mesma cidade. Ambos velhas glórias do futebol da Ribeira Grande.
À semelhança dos anos anteriores, foram oferecidas duas bolsas de estudo de mil dólares a dois estudantes descendentes de naturais do concelho da Ribeira Grande. Os contemplados foram: Jennifer Pereira e Joshua Câmara.
Fernando Ponte, presidente dos Amigos da Ribeira Grande neste ano de 1999 disse ao repórter do Portuguese Times:
“Anualmente atribuímos duas bolsas de estudo. Há dois anos tivemos dois alunos com pontuações idênticas, pelo que foi aberta uma exceção e foram atribuídas três. (…) Mas note que os responsáveis pelo convívio da Ribeira Grande não se preocupam somente com a educação. Recentemente tivemos entre nós a banda Nossa Senhora das Vitórias, que teve um apoio de quinhentos dólares da nossa organização. Quando aconteceu aquele problema na Ribeira Quente, uma vez mais demonstrámos o nosso apoio. Temos sempre a porta aberta a quem precisa da nossa ajuda.”
A finalizar estas notas do sétimo convívio ribeiragrandense da Nova Inglaterra, resta-nos sublinhar que o sucesso triunfou, tal como nas confraternizações anteriores. Para alguns houve lágrimas de alegria, como só a saudade provoca; para outros, houve a pena de não ter visto Fulano, nem Sicrano, nem Beltrano. Mas mais uma vez foi glorificado o Concelho da Ribeira Grande na América do Norte.

Da Matriz à Conceição
É de acreditar ou não,
Vai um passo de distância.
E todas as freguesias
Com as suas energias
São dotadas d’abundância.

É um formoso concelho
Que vê no mar o espelho
Das catorze freguesias.
Tem também alguns lugares
E os seus formosos lares
São repletos d’alegrias.

Alfredo da Ponte

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