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As pioneiras revolucionárias e os movimentos feministas

O feminismo é um movimento com História e protagonistas. A propósito do 8 de Março, recorro ao livro “Feminismos de Ayer e de Hoy”, de Elena Simón para evocar algumas destas protagonistas, assim como várias fases que marcaram a História deste movimento – as ondas feministas.
Nos alvores do Renascimento, em França, viveu a escritora Christine de Pizan, feminista feminista em todas as suas propostas e manifestações literárias. Ela foi uma das poucas que não se esconderam encerradas no silêncio tendo lançado vários escritos, dos quais se destaca o “Livro das Cidades das Mulheres ” (1405). Usando o método de pregunta-resposta e de “alegoria”, neste livro ela contesta as opiniões misóginas em voga na época.
Na Revolução Francesa foram muitas as mulheres que se destacaram, como por exemplo Olympe de Gouges. Esta última deixou vários escritos, sendo a mais relevante “A Declaração dos Direitos das Mulheres e da Cidadania”, que apresenta como proposta inclusiva das mulheres os seus direitos de Cidadania e tentou fazer chegar, sem êxito à Assembleia Nacional.
Por outro lado, em 1791, em Inglaterra, surgiu a “Reivindicação dos Direitos das Mulheres” de Mary Wollstonecraft. Mary lança a sua proposta contradizendo algumas ideias tradicionais, mas definitivamente supõe un “grito” na história da justiça distributiva a respeito das mulheres. Foi também decisiva na definição do Feminismo:
“O feminismo é um movimento, uma doutrina social, uma paixão, uma ideologia, uma forma de estar, sentir, pensar, e atuar.”

A primeira onda: As sufragistas

O Sufragismo foi divulgado por exemplo em séries de televisão e filmes como “Anjos de ferro” e foram escritos bastantes livros, mas sem explicar bem a sua origem e desenvolvimento, as suas causas e suas consequências.
O sufragismo teve força num e noutro lado do Atlântico: na Inglaterra e Estados Unidos. No resto do Mundo, o slogan internacional “Votes for Women” também teve uma enorme repercussão. Curiosamente, os primeiros países que concederam o voto às mulheres foram a Nova Zelândia e a Austrália, na segunda metade do século XIX.

A segunda onda: Filósofas, liberais e radicais

Os movimentos sufragistas tiveram os seus frutos. Um bom número de mulheres começou incorporar-se nos ensino superior e no trabalho, no desporto, nos sindicatos, na arte e na literatura, na ciência e nos partidos políticos. Grande parte dos anos entre guerras foram fonte de progresso nos direitos e na emergência da chamada “mulher moderna”.
Ainda no contexto do pós 2ª guerra mundial, não podemos deixar de lembrar Simone de Beauvoir, filósofa existencialista francesa, que se atreveu a analisar a sociedade patriarcal, a partir de uma posição de privilégio intelectual que lhe havia sido negado – o “Segundo sexo” é uma obra de referência desta autora.

A Terceira Onda “o pessoal é político”

Na sequência dos movimentos sociais nascidos em Maio de 68, tanto na Europa como em vários países da América, a consciência política feminista ganhou força, por parte de mulheres ligadas a movimentos estudantis de esquerda. Slogans como “a imaginação ao poder”, assim como “o pessoal é político” marcaram esse movimento, sendo este último o que teve maior ressonância no ativismos feminista desde então.

Clarisse Canha*

*Ativista feminista

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