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Baleia-azul, baleia-comum e cachalote são espécies ameaçadas nos Açores

O grupo de trabalho da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) para as Áreas Protegidas para Mamíferos Marinhos aprovou a criação de 33 novas Áreas de Importância para Mamíferos Marinhos (designadas de IMMAs) no Nordeste do Oceano Atlântico.
Quatro incluem território português, incluindo os Açores.
As IMMAs recém-aprovadas representam o resultado de um processo que incluiu a realização de um encontro de trabalho científico intensivo ao longo de uma semana durante o mês de maio de 2023.
Durante este período, uma equipa de investigadores avaliou, compilou e analisou dados relevantes para a definição destas áreas.
Após mapearem as IMMAs candidatas, estas foram submetidas a um processo de revisão por pares que conduziu à sua publicação final.
As 33 novas IMMAs foram adicionadas ao e-Atlas IMMA e estão agora disponíveis para consulta da informação e acesso aos dados espaciais das mesmas.
Incluindo território português, foram aprovadas quatro IMMAs, resultado da contribuição de investigadores portugueses a trabalhar no continente e nos arquipélagos.
“Estas áreas baseiam-se em critérios relacionados com a ecologia e biologia das espécies, pelo que podem informar a ciência, a sociedade, os mecanismos de gestão marinha”, refere Mafalda Correia.
Uma das áreas cobre a costa ibérica, do norte de Espanha ao estreito de Gibraltar.
“A IMMA que engloba a costa continental Portuguesa, por exemplo, tem como uma das espécies-alvo o boto, uma espécie que corre sério risco de extinção na nossa costa”, acrescenta Cláudia Rodrigues.
As investigadoras do CIIMAR mencionam ainda a importância do contributo dos investigadores espanhóis (do Consejo Superior de Investigaciones Científicas – CSIC e do Bottlenose Dolphin Research Institute – BDRI) para esta IMMA transnacional.
Ainda em território continental, “a IMMA do Sado destaca a importância desta região para a pequena população residente de roazes que é altamente dependente do estuário do Sado para actividades vitais como a alimentação, o repouso e a amamentação das suas crias”, refere Inês Carvalho (Instituto Gulbenkian de Ciência).
“Seria importante que esta IMMA funcionasse como uma chamada de atenção para a urgência da união de esforços de conservação desta população única de golfinhos em Portugal”, complementa Francisco Martinho (Associação para as Ciências do Mar – APCM, Lisboa)”.

Grampo: uma espécie
residente nos Açores
quase isolada geneticamente

Os arquipélagos foram também distinguidos como áreas fundamentais:
“A IMMA dos Açores, que engloba as águas em redor de todas as ilhas até à batimétrica das 2-3 mil metros de profundidade, reconhece e pretende proteger a elevada biodiversidade de cetáceos na região, e a importância da região como área de alimentação, reprodução e migração de várias espécies ameaçadas ou vulneráveis, como a baleia-azul, a baleia-comum, ou o cachalote”, referem os investigadores Mónica Silva, Laura Gonzalez, Sergi Pérez-Jorge, e Margarida Rolim, da Okeanos, Universidade dos Açores.
Karin Hartman (Nova Atlantis Foundation) acrescenta que “os Açores albergam espécies residentes como o Grampo, que tem uma população quase isolada geneticamente e que apresenta comportamentos sociais muito característicos”.
Na Madeira, a IMMA definida estendeu-se a território espanhol, abrangendo também as Ilhas Canárias. Luís Freitas, do (Museu da Baleia da Madeira, refere que “esta IMMA alberga um terço da biodiversidade global de cetáceos, onde habitam populações residentes de roazes, baleias-piloto e baleias-de-bico”.
Filipe Alves (The Marine and Environmental Sciences Centre – MARE Madeira e Agência Regional para o Desenvolvimento da Investigação, Tecnologia e Inovação – ARDITI ) acrescenta ainda a importância da área “para alimentação, repouso, socialização, e desenvolvimento das crias de pelo menos 10 espécies de cetáceos.” Mais uma vez, a transnacionalidade desta IMMA resultou da colaboração dos investigadores portugueses com grupos de investigação espanhóis (CEAMAR, Asociación Tonina, SECAC, e M.E.E.R.).
A designação das IMMAs resulta do trabalho de um grande número de investigadores de diferentes instituições.
Os esforços colaborativos são fundamentais para reunir a informação científica necessária para promover a conservação dos cetáceos, cujas distribuições vastas e complexas ultrapassam as fronteiras políticas.
Os investigadores apelam agora a que os governos considerem estas IMMAs no ordenamento do território marinho, na criação de áreas marinhas protegidas, e na realização de avaliações de impacto ambiental.
Até à data, 74.3% do oceano mundial foi analisado para a identificação de IMMAs. A nível mundial, existem actualmente 280 IMMAs e 185 zonas de interesse, representando 13% da área examinada, conclui uma nota da Universidade do Porto.

*Foto DOP/UAc

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