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Parabéns SATA…quanto custou?

Parabéns à SATA Air Açores e à Azores Airlines que ganharam os seus primeiros prémios no World Travel Awards, os auto-entitulados “óscares do turismo”.
A Azores Airlines ganhou o “óscar” de companhia europeia líder entre a Europa e a América do Norte. Como foi possível e porquê agora?
Em primeiro lugar, e contrariamente aos óscares, esta distinção não tem uma base de mérito ou uma avaliação objetiva prévia. A única razão pela qual alguma coisa é “nomeada” para os World Travel Awards nas várias categorias-de-qualquer-coisa à disposição é porque pagou a inscrição. Nenhuma empresa que não se inscreva e que não pague pode ser “nomeada”. Até hoje, a Azores Airlines nunca tinha pago essa inscrição, logo não poderia ganhar, nem mesmo se fosse objetivamente a companhia líder e se as pessoas quisessem genuinamente votar nela. O que me leva a questionar se o fantástico trabalho de Meryl Streep como atriz e que lhe valeu 21 nomeações para os óscares terá sido também ele sujeito a inscrição e pagamento?! Se sim, terá sido um péssimo negócio, só ganhou três vezes.
Em segundo lugar, em 2023 e utilizando alguns dos parametros métricos do setor para definir uma posição de liderança entre a Europa e América do Norte, como seja o número de rotas e destinos, número total de lugares disponíveis, número de frequências ou os ASM (número de lugares disponibilizado por milha voada), a Azores Airlines ficou-se, em todos eles, por um valor percentual muito residual de 1% ou abaixo disso, de acordo com a Cirium Diio que agrupa todos esses parametros numa base de dados objetiva e neutra. As outras companhias europeias “nomeadas” para esta categoria – a Air France, British Airways, KLM, Lufthansa e Virgin Atlantic – são líderes assumidos neste eixo. Em conjunto, essas companhias representam cerca de 50% das várias métricas referidas.
Em terceiro lugar, e numa perspetiva do passageiro, as outras companhias “nomeadas” nesta categoria voam massivamente entre os dois continentes, com uma enorme variedade de destinos e de produtos – desde as luxuosas cabines individuais de 1ª classe às classes executivas com cama, à opção Economy Premium e aos ecrãs individuais em cada assento com vários “blockblusters” à escolha nas poltronas dos seus Airbus A380, A350 e A330 ou dos Boeing 777 e 787. Tudo isto contrasta com as limitações naturais do A321LR da Azores Airlines sem classe executiva e com um entretenimento modesto. Em terra, a companhia não tem uma sala VIP no seu aeroporto principal de Ponta Delgada e também não dispõe de um programa de milhas revolucionário que pudesse justificar uma votação muito diferente. Olhando para o ranking AirHelp de 2023, a Azores Airlines aterrou em 76º lugar entre as 83 companhias aéreas avaliadas, apenas melhor do que a British Airways, mas bem distante das restantes “nomeadas”.
Em quarto lugar, e acreditando na organização destes prémios, é um facto impressionante que a Azores Airlines, perante tudo isto, tenha conseguido angariar mais votos de consumidores e de profissionais do que as suas rivais. Falta apenas saber qual foi a base e a geografia dos votantes – isto para não levantar a suspeita de estarmos perante um sistema de votação semelhante ao televoto da Eurovisão…
Gostaria de acreditar que este prémio simboliza o mérito de um pequeno David que venceu não um, mas 5 Golias gigantes. Infelizmente, mais facilmente me recordo das palavras proferidas em 2021 por Elidérico Viegas, fundador e ex-presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, numa entrevista ao Jornal i: “este prémios são pouco conhecidos fora da indústria do turismo e são influenciados por interesses económicos de entidades privadas que vendem posições em troca de pagamento, contribuindo para a inação dos empresários e do governo”.
E se for verdade…quanto terá custado realmente este “prémio” aos contribuintes da SATA?

Pedro Castro*

*Consultor em Aviação Comercial e Turismo

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