Edit Template

Postal da Islândia

Em que estou a pensar? Que a destruição brutal e incontrolável do planeta consegue ser o ato mais vil desde os primórdios dos tempos.Quando, aqui na Islândia, a apenas 300 quilómetros da Gronelândia, onde não anoitece durante seis meses e onde a escuridão absorve os restantes seis, observo o voo livre e feliz de uma andorinha de bico comprido, as pradarias polvilhadas de cavalos, ovelhas e cabras, o mergulhar silencioso de uma foca, as cascatas altaneiras rodeadas de verde vivo a precipitarem toneladas de água escarpas abaixo, as neves eternas a pintarem de branco montanhas e vales e o maior glaciar do mundo a partir-se todos os dias e a deixar ir os seus pedaços na correnteza dos rios gelados que, quais escombros, vêm acabar os seus dias nas areias da Praia dos Diamantes, a cabeça quase me estala, e o coração também. Mas sei, sabemos, que a resistência nada resolve contra a insensatez do lucro imediato que é mais valorizado do que a sobrevivência a longo prazo. O poder cruel das oligarquias mata todos os dias a suntuosidade das neves, as transparências e o cantar das águas nos ribeiros, o piar incessante das andorinhas que nidificam, o mergulhar feliz da foca, a consistência do humus. Revoltante!

João Gago da Câmara

Edit Template
Notícias Recentes
Chega diz que “Pico é uma vítima do excesso de proibicionismo”
Lagoa terá Plano Municipal de Juventude
Bombeiros de Ponta Delgada irão transportar Coroa do Município na Grande Coroação
Água Retorta recebe XII Mostra Gastronómica no final de Julho
Povoação prepara-se para “Kids Festival” nos dias 20 e 21 de Julho
Notícia Anterior
Proxima Notícia

Copyright 2023 Diário dos Açores