Estamos no momento presente perante uma crise politica que originou a queda de um governo, resultado fundamentalmente de um jornalismo de opinião que pretende quase diariamente nos dar a conhecer situações pessoais de um primeiro ministro, com uma enorme variabilidade de origens e mesmo gravidade, perante os portugueses que conheceram situações que muitos não conseguem entender, dada a amálgama de assuntos e fundamentalmente de opiniões mais ou menos duvidosas e muitas vezes contraditórias.
Se é difícil para um país como o nosso assumir um papel de relevo a nível internacional, quer por exemplo em posições pouco significativas no contexto de instituições como as Nações Unidas – que ao fim de oitenta anos de existência parece caminhar rapidamente para o seu fim, já com dia de exéquias marcado – quer enquanto País por si mesmo, que continua “plantado” à beira-mar avançando a passo de tartaruga no seu desenvolvimento socioecónomico e mantendo-se na maioria dos indicadores atrás, por exemplo, da maioria dos países europeus.
Se tomássemos como exemplo os países mais desenvolvidos da Europa não teríamos tantos problemas políticos a arrastar-se no tempo, bastando sim decisões por parte de quem infringe as regras elementares de vivência política, decidir simplesmente pela demissão dos lugar que ocupam na altura.
Quando tal ocorre, como com o secretário de estado do governo que se demitiu e somos capazes de admirar o ato, logo somos atingidos pela novidade de que Hernâni Dias, o tal político que criou empresas para o negócio imobiliário após estar na origem de legislação sobre solos, somos surpreendidos por agora ser indicado pelo seu chefe para ser deputado.
Quase que diria que assim se pagam favores, restando apenas no futuro saber quais.
Conveniente seria fazermos parte dos países integrantes do contexto europeu e assumir as decisões legislativas daí resultantes, sem que imensas vezes até sermos chamados à atenção para adaptarmos as decisões ao nosso País pelo tardio que se faz tal.
Num contexto de uma crise de guerra, que implica uma outra, mais ou menos acentuada conforme o país, no âmbito das respetivas caraterísticas socioeconómicas ou mesmo demográficas, e perante uma incógnita chamada Estados Unidos da América que em vez de ser governada por um político competente é antes dirigida por um mau comerciante – veja-se, por exemplo, os negócios com as terras ucranianas, russas ou com a Gronelândia, canal do Panamá e a politica de taxas ou mesmo as dúvidas nos seus próprios negócios – as implicações no contexto mundial são enormes e imprevisíveis.
Perante tal deveremos de um modo efetivo concentrar a nossa atenção e ação no que respeita o nosso País, potenciando-o para ter representantes políticos, quer a nível de presidência da República quer de membros do governo, deputados ou administradores, que sejam na realidade cidadãos dignos que assumam ter por objetivo trabalhar para que os portugueses tenham hipótese de beneficiarem das políticas e que permitam a concretização de ações que levem ao bem estar de todos nós.
Que bem o merecemos, quanto mais não seja pelos valores percentuais de impostos diretos e indiretos que pagamos e que durante o ano que passou, até aumentaram segundo o INE.
Tenho a sensação que os resultados das eleições de maio próximo não permitirão a formação de qualquer governo maioritário por parte de um dois maiores partidos nacionais e somos levados a considerar que mais ou menos repetidamente teremos situações como aquelas que se fizeram sentir durante o último ano, criando incerteza até pelo oportunismo que os governantes apresentam vivendo o seu dia a dia em detrimento de um coerente planeamento que não represente a captação de votos ou seja viver numa campanha eleitoral quase permanente.
Seria ótimo que qualquer que seja o partido vencedor das próximas eleições, se assumisse como fundamental para os portugueses criando condições no sentido de diminuir o elevado nível de pobreza que nos caracteriza; tornar possível a formação de mais docentes e auxiliares permitindo ter um ensino digno para os nossos descendentes a que não pode faltar a melhoria nas instalações, reconhecendo que em certas escolas o amianto ainda existe com todas as implicações de saúde que daí advêm; permitir corrigir o SNS em pessoal, serviço e equipamentos permitindo que tenhamos um acesso ao mesmo de modo eficiente e célere, sem horas intermináveis de espera e sem a ocorrência de óbitos injustificáveis; criar condições para que quem trabalha e paga impostos possa ter habitação condigna, nomeadamente social, de acordo com o referido constitucionalmente evitando rendas incomportáveis para milhões de trabalhadores que ganham miseravelmente e optam viver em barracas ou como sem-abrigos; a apoiar as famílias e mães solteiras, especialmente para os seus filhos, com a existência de creches para todos e alimentação adequada; a conceder apoio habitacional a estudantes que necessitam em qualquer parte do território; a apoiar todos os que através do seu trabalho contribuíram para o engrandecimento de Portugal e estando reformados recebem pensões de reforma miseráveis; e várias outras situações.
E assumindo pelo menos o referido anteriormente a bem de todos nós, o que me parece ser o que todos os portugueses elementarmente desejam, o que me interessaria que fosse o partido X ou Y ou mesmo ambos em coligação ou através de um pacto de regime, a implementar tais políticas?
Somos genericamente pobres e vivemos com um número enorme de problemas individualmente ou em família, apenas porque os nossos políticos, que apregoam a todos os ventos quererem o melhor para nós, apenas olham para os seus interesses partidários e/ou pessoais esquecendo serem eleitos para servir os portugueses, esquecendo mesmo a “tão maltratada” Constituição.
J. Rosa Nunes
Prof. Doutor