Edit Template

O Primeiro Dia de Eleições Democráticas em Portugal

Neste dia 25 de abril de 2025, saúdo, com grande emoção e motivação, a conquista democrática em Portugal e nos Açores.
Com este breve texto pretendo evocar memória e invocar inspiração.
Neste dia celebramos 50 anos de participação democrática livre e verdadeira.
O dia 25 de abril de 1975 marcou outro momento histórico para Portugal, em revolução democrática. Na verdade, foi o primeiro dia de eleições democráticas, após quase cinco décadas de regime ditatorial.
Aquele acontecimento foi um dos mais significativos na história contemporânea de Portugal, dando início a uma nova era de liberdade e participação política.
A Revolução dos Cravos, ocorrida a 25 de abril de 1974, terminou com o regime autoritário do Estado Novo, liderado por António de Oliveira Salazar e, posteriormente, por Marcello Caetano.
A nossa revolução democrática de 25 de abril de 1974 foi motivada por um desejo profundo de mudança e liberdade, tanto política quanto social. Após a revolução, o país começou a caminhar em direção a uma democracia plena.
A participação do povo fez-se, como tinha de ser, com as eleições do ano seguinte, precisamente no dia 25 de abril de 1975.
O período que antecedeu o dia da eleição foi marcado por intensa atividade política e social. A Comissão Nacional das Eleições foi responsável por organizar todo o processo, garantindo que este fosse transparente e justo.
A campanha eleitoral foi fervorosa, com comícios e debates a ocorrer por todo o país. A população, que durante muitos anos havia sido privada do direito ao voto, mostrou um entusiasmo e uma esperança renovados.
Para muitos portugueses, esta era a primeira oportunidade de exercer a sua cidadania de forma plena e de influenciar diretamente o futuro do país.
No dia 25 de abril de 1975, milhões de portugueses dirigiram-se às urnas com um espírito de celebração e responsabilidade. As filas começaram a formar-se cedo e, em muitos locais, as secções de voto tiveram de prolongar o horário de funcionamento para acomodar todos os eleitores. O ambiente era de festa; havia uma sensação de renovação e liberdade no ar, refletida na alta taxa de participação.Nos Açores, em todas as nossas ilhas essa mobilização foi reveladora, em dois planos. No plano democrático e no plano da Autonomia Política para os Açores.
Os resultados das eleições foram recebidos com grande expectativa.
O Partido Socialista venceu no “Continente”. Nos Açores ganhou o PPD.
Os resultados eleitorais permitiram a formação de uma Assembleia Constituinte, cujo principal objetivo era elaborar uma nova Constituição, uma Constituição Democrática para Portugal, que viria a ser aprovada em 1976.
E aquele passo foi crucial para a consolidação da democracia no país.
Os Açores fizeram-se representar na Assembleia Constituinte por seis Deputados eleitos com poderes constituintes.
Naquele período foram eleitos com uma geografia eleitoral submetida aos Distritos.
Por Ponta Delgada foram eleitos três deputados, atribuídos a João Bosco Soares Mota Amaral (PPD), a Jaime José Matos da Gama (PS) e Américo Natalino Pereira de Viveiros (PPD). Por Angra do Heroísmo, dois deputados, José Manuel Costa Bettencourt (PPD) e Rúben José de Almeida Martins Raposo (PPD). Pela Horta, um deputado, Germano da Silva Domingos (PPD).
Nos Açores votaram 136 406 eleitores. Exemplo de participação. No País, a distribuição dos 250 mandatos pelos partidos políticos foi a seguinte:ADIM – 1; UDP – 1; MDP/CDE – 4; CDS – 16; PCP – 30; PPD – 81 e PS – 116. As eleições de 25 de abril de 1975 tiveram um impacto profundo e duradouro em Portugal. Elas marcaram o início de uma nova era de participação política e direitos civis. A democracia portuguesa começou a consolidar-se, e o país passou a ser visto internacionalmente como um exemplo de transição pacífica de um regime autoritário para uma democracia.
Recordar o primeiro dia de eleições democráticas em Portugal é um lembrete poderoso da importância da liberdade e da participação cidadã. Ele transformou o país no seu momento, mas também estabeleceu as bases para o desenvolvimento político e social ao longo destas cinco décadas.
A memória deste dia deve servir como uma inspiração contínua para a defesa dos valores democráticos e dos direitos humanos e para a participação.
O dia 25 de abril de 1975 deve ser celebrado como um símbolo da força e da vontade do povo português. As eleições democráticas desse dia são um marco na história do país, representando a transição para uma sociedade mais justa, inclusiva e participativa. As lições desse período continuam a ser relevantes nos dias de hoje, lembrando-nos da indispensabilidade de proteger e valorizar a democracia.
Não foi, nem é tudo perfeito.
Nunca tudo é o que queremos. Jamais tudo será como desejamos. Mas com ambição, há tanto para alcançar. Com indiferença, há tanto a perder.
Para mim, vale o alerta e a inspiração. Participar. Decidir democraticamente.
25 de abril de 2025.
O Presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro

Edit Template
Notícias Recentes
Município de Vila do Porto recebe imóvel da paróquia de Santo Espírito para criar espaço de homenagema D. António de Sousa Braga
PSD acusa Iniciativa Liberal de mentir sobre cultura em Ponta Delgada
Alexandra Cunha pretende melhorar recolha de resíduos, rever regulamento de ocupação do espaço público e desburocratizar
Homenagem à UAc celebra laços académicos entre Portugal e Brasil
Federação Agrícola dos Açores lamenta a fraca adesão aos cursos de Ciências Agrárias da UAc
Notícia Anterior
Proxima Notícia

Copyright 2023 Diário dos Açores