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Um verão que se prenuncia muito descuidado

À falta de razões mais compreensíveis, só um muito conveniente descuido de transparência e independência face ao poder político, poderá explicar a repentina decisão do jornalista Nicolau Santos, enquanto presidente do Conselho de Administração da RTP, de afastar do cargo o seu Diretor de Informação, o jornalista António José Teixeira.
Mas este descuido conveniente não deixou o seu crédito por mão alheias, tornando-se rapidamente esclarecedor pelo descuido que imediatamente se lhe seguiu de transformar numa exaustiva campanha publicitária a favor do governo das direitas montenegrinas, um suposto maná que irá cair nas algibeiras dos cidadãos, em consequência das “muito significativas” novas descidas do IRS que o governo da República promoverá ainda este ano.
Mal arrefeceu ainda o embuste de 2024 em que o governo tinha dado com uma mão, mas logo retirou depois com a outra nas contas dos reembolsos, aí estão bem propagandeados os falaciosos aumentos deste ano, ditos para os que mais precisam e para a classe média, e anunciados até à exaustão pelos órgãos públicos da comunicação social e pela nova direção da RTP em particular.
Feitas as contas, afinal quem ganha mais de 44 000,00 € (8º e 9º escalões), é que mais beneficia destas alterações. Por artimanhas mal disfarçadas, os contribuintes do escalão máximo sofrerão um corte bruto de 400 euros no seu IRS. Os que menos ganham (salários mínimos e a esmagadora maioria dos reformados) como já estão isentos de imposto nada beneficiam com as baixas anunciadas. Para mais de metade dos trabalhadores, por outro lado, o impacto não vai além de 40 euros ou 60 euros por ano, ou seja, 3,33 euros ou cinco euros por mês ao longo de 12 meses. Isto para já não falar nos cortes dos reembolsos que virão depois e que só se tornarão visíveis em 2026…
É esta a descuidada justiça fiscal que teve os votos favoráveis do PSD, CDS, Chega, IL, PAN e JPP, e a descuidada abstenção do PS.
Já a cantiga mudou quando se tratou, por proposta do PCP na Assembleia da República, de criar uma contribuição especial sobre transações para paraísos fiscais, só possíveis de serem feitas por grandes gatunos ou gente muito rica. Em 2024 foram transferidos 8 mil milhões de euros. Neste caso, “descuidadamente”, aqueles partidos mudaram de forma rápida o seu sentido de voto, manifestando-se contra (PSD, PS, IL e CDS) ou abstendo-se (Chega).
Também por desastroso descuido no conhecimento elementar da Constituição portuguesa, um almirante que se enforcaria caso se metesse na política; que, desprezando uma instituição fundamental da Democracia: a Assembleia da República, anunciou a sua candidatura à Presidência em atropelo da campanha eleitoral para aquele Órgão de Soberania, ou que agora, buscando votos aos desprevenidos, se tem descuidado de insistir nas suas afirmações sobre a possibilidade de os jovens portugueses terem de ir combater para a Ucrânia ao serviço da NATO, veio aos Açores anunciar a sua vontade demente de transformar estas ilhas numa “rotunda”militar aeronaval, ou seja, num bastião bélico das guerras da NATO…
A ocupação, o genocídio em Gaza e as ocupações selvagens dos colonos sionistas na Cisjordânia só chegaram à atroz dimensão atual, e prosseguem em toda a sua cruel dimensão, por uma terrível distração coletiva quanto às medidas que se impõem contra o estado terrorista de Israel por parte de toda uma cáfila de dirigentes europeus, submissos a Trump e Netanyahu, fazendo ouvidos moucos aos protestos populares diários que se ouvem por toda a Europa, Portugal incluído, nos EUA e até mesmo da boca de milhares e milhares de israelitas, clamando insistentemente por um cessar-fogo imediato na Palestina e pelo seu legitimo reconhecimento como estado.

Mário Abrantes

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