As evidências que nos fazem crer que o clima está a mudar drasticamente são invariavelmente estas: aumento das temperaturas globais; degelo das calotas polares; aumento do nível médio do mar e aquecimento dos oceanos; eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos; o impacto na biodiversidade; e, por fim, a ação humana, confirmada pelo consumo dos combustíveis fósseis e aumento das emissões de dióxido de carbono.
Ao consultar os inúmeros relatórios, memórias descritivas, notícias de todo o mundo, são inquestionáveis essas conclusões, e assusta ver que em vez de estarmos unidos numa estratégia global de reversão, andemos distraídos com tudo o que não sejam aqueles assuntos.
Pessoalmente, não creio que estejamos à beira de um colapso climático, apesar das ditas evidências.
Se o clima muda, é porque a pressão humana sobre a ecologia é mais intensa do que nunca. Ou seja, as causas da mudança climática devem-se mais devido à ação humana do que a qualquer outra. É que quando elencamos as evidências parece que elencamos causas, e a causa é o ser humano e o seu estilo de vida consumista embrutecido.
O mundo inteiro quer mais aviões no ar, mais automóveis nas estradas; mais turismo nas pousadas, mais sushi no prato. O mundo inteiro quer mais tudo e esquece-se que estes são os verdadeiros motivos por que vamos perdendo a qualidade do ar, das águas, marinhas ou pluvais, ou perdemos a biodiversidade das espécies. Intensificamos tanto a captura de espécies piscícolas, por exemplo, que depois andamos às turras por capacidade de armazenamento, distribuição e comercialização. Numa palavra: andam todos atrás de lucro.
Contudo, não é sério culpar a mudança climática pelos incêndios no país. Deve-se a mão hominídea, mão consciente, diabólica e criminosa. Até quando?
Luís Soares Almeida