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As Pescarias de sonho dos turistas das massas

Nos Açores para se poder exercer a actividade de pesca com clientes acho que é preciso uma enormidade de verificações do barco, da qualificação dos tripulantes, inúmeras vistorias iniciais e regulares e lidar com um sistema de vigilância a tudo e mais alguma coisa, áreas de pesca, exemplares e espécies a capturar, aprender a fugir das Reservas como do diabo e rezar diariamente por clientes e por não haver azares no mar.
Mas era uma atividade que todos achávamos relativamente sustentável e que criava riqueza e mais valias no emprego.
A partir do ano passado começamos a ver uns barcos muito melhores que os nossos pelo menos 4 ou 5 vezes mais caros quase todos americanos ou de bandeiras de conveniência que chegavam navegando ou em cargueiros descarregados logo para a Marina que eu saiba sem o longo processo de desalfandegamento e não só que os nossos sofriam.
Muitos acompanhados por iates de 50 ou 100 milhões dos suprassumos das massas que clarotambém arranjam logo lugar nas Marinas mas pagando, aliás espero que todos eles pelo menos paguem as marinas como nós ou mais que são maiores mas duvido que paguem como prestadores de serviços muito valiosos até peço desculpa se assim for.
Pior do que isso no dia seguinte andam pescando por cá, na Terceira e Horta sem nenhum daqueles entraves colocados aos nossos.
É o turismo das massas no seu pior porque neste não são massas de pessoas são maços de notas milhões de dólares que lhes abrem portas fechadas para os residentes e Açorianos?
O meu bom amigo Les Galagher (artista brilhante consagrado da maior parte das imagens do nosso mar e seus habitantes que vemos nos magníficos cartazes por todo o lado) bem se queixou disso na TV-Açores do esforço para se estabelecer com o seu barco mas pelos vistos ninguém lhe ligou.
Este ano continua ou até aumenta e até vem em aviões privados nem se fala em registo? deles são todos família ou “amigos” grandes famílias e montes de amigos que esta gente das massas tem e note-se que o normal destas actividades pode chegar aos 1000 ou 2000 US dólares por dia ou mais e sabemos lá se eles pagam e a quem de fora ou de cá?
Dizem-me que pagam uma licença de 75 euros e podem pescar sem vistorias e nem pensar em a Polícia Marítima lhes fazer uma visita.
E a licença deles é muito melhor que as dos nossos vejam o filme no link https://www.facebook.com/share/v/15d5PvD6Fi/de um dos mais bonitos um azulinho que circula pelos nossos mares á vontade, chamam Tuna Town a Vila do Porto com a sobranceria algo tola dos americanos ricos de repente aparecem várias imagens lindas das Formigas suposta RESERVA absoluta tiradas pelo drone de bordo certamente e no meio segundo seguinte alguém está a lutar com um grande peixe lá mesmo? adivinhem lá mesmo onde nem um chicharro nós nascidos , residentes e açorianos podemos ( e devemos?) apanhar.
Já se percebe melhor porque até queriam impedir-nos mesmo de ir lá, à “Reserva” já sabemos o que significa isso não fosse vermos os rapazes da massa a sacar belos peixes e porque ficaram tão furiosos com a nega do Constitucional (que apoiei) á plena propriedade única e autoridade da Autonomia sem partilha, consulta ou sequer divulgação sobre os mares destas ilhas para dar ao turismo de massas como tem acontecido e agora aos das massas ainda mais.
Na marina contaram-me muitas histórias de grandes caixas térmicas cheias de peixe para seguirem de avião para os States ou para as ilhas deles.
O ressentimento parece ser geral por isso e muito mais dizem que houve um abaixamento das reservas pudera arranjam de graça e os que podiam pagar mais.
Eu não vi isso mas vi uma noite que saía do Restaurante Anfiteatro a virem de baixo de um desses barcos restos de peixe ou iscas para o mar ali mesmo e não fui só eu que azar não é?
Se fazem isso dentro da Marina ao lado de um restaurante cheio de gente imaginemos no alto mar e coisas que os peixes não comem, eles e as tartarugas só morrem engasgados.
Lembrei-me de uma conversa com um taxista em Roatan nas Honduras em que, ao passarmos por uma zona enorme ao pé do mar com belas praias e florestas e vedada com arame farpado, e polícias armados nas portas disse-me que era só para os americanos ficaram-nos com algumas das nossas melhores praias só podemos entrar para levar clientes ou as nossas mulheres para irem trabalhar nas limpezas ou nos bares.
E quanto aos barcos igual eles vem e fazem o que querem muchos corruptos e nós ficamos com o resto para esta triste vida que usted vê.
Na altura pensei nada disto era possível nos Açores ou em Portugal.
Mas pelo menos isto parece que é, sem qualquer pagamento de impostos e taxas e não só.
Nós se nos apresentarmos com um barco em Miami provavelmente nem encostar podemos e ainda podemos terminar em El Salvador algemados pela trumpalhada.
Nem que fosse pelo princípio básico da reciprocidade de tratamento de cidadãos pelos estados respetivos deveríamos saber se isto tudo é legal e se é legal vamos subir alguns degraus a posição de Portugal e dos Açores na escala da subserviência para não dizer sabujice e pelo menos a opinião é nossa não é deles.

João Paim Vieira

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