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Pedagogia Universitária, Metodologia e Didática: Perspetivas de ensino e aprendizagem (II)

Considerando os múltiplos domínios científicos, explicitados no “Ciência Vitae”, – Plataforma de Registo Científico -, as minhas áreas e Domínios de Atuação são: “Ciências Sociais – Ciências da Educação” e “Humanidades – Filosofia, Ética e Religião – Teologia”, (com naturais conexões, interdisciplinares, designadamente com o Domínio de atuação em Comunicação e “Comunicação Social – Jornalismo”, na/no qual colaboro, com iniciativas autorais, há mais de trinta e cinco anos, sem nunca levar nem um centavo nem um cêntimo.)

(Continuação e conclusão)
Ora estas capacidades devem ser desenvolvidas pelos professores, mas também pelos alunos, estudantes, é o caso dos alunos, estudantes, que frequentam cursos que qualificam para a docência e, nestes, as disciplinas, unidades curriculares, de metodologias de ensino e de didáticas. No meu caso, já lecionei várias unidades curriculares de metodologias e didáticas, na área do ensino da Filosofia, da História e Geografia e na área de Estudo do Meio, como é o caso de Metodologia do Ensino do Estudo do Meio e Didática do Estudo do Meio. Nos planos curriculares a ordem tem variado, em termos lógicos e semânticos, a Metodologia deve preceder a Didática, – é a ordem do Logos, do Sentido, da Razão, mas se for o contrário perspetiva-se o sentido na Linguagem e na Hermenêutica, palavras e conceitos tão presentes na Obra, tão fecunda, do Professor Doutor José Enes, como temos vindo a trabalhar, desde há muito tempo. Só quem Sabe vê o Sentido e o caminho para as dinâmicas de ensino e aprendizagem, de aprendizagens. Estas várias capacidades valoradas nos Professores do Ensino Superior, são isomórficas aos alunos, estudantes, dos diferentes níveis de ensino, embora com graus diferentes, mas a natureza é a mesma. Embora estejamos a falar em Pedagogia Universitária, em diferença de grau e de intensidade, mas, na sua natureza, em bom rigor, não diverge, ou é pedagogia, ou não é. Se atendermos ao circunstanciado “Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória” e nas “Aprendizagens Essenciais”, nas finalidades explicitadas e implicitadas, há uma centração na aprendizagem. Julgo que, com o tempo, os resultados vão mostrar que é precisar equilibrar ensino e aprendizagem e, de novo, valorar a função dos professores, até no reforço a sua Autoridade democrática. A Autoridade, bem entendida e praticada, é condição de liberdade e de desenvolvimento, de todos e de cada um. O professor tem uma maturidade e experiência que devem ser postas ao serviço das disciplinas, geradoras de um bom ambiente humano de aprendizagem e desenvolvimento. Esse ambiente de respeito é condição para as práticas de metodologias de ensino e didáticas. Os melhores professores potenciam o mérito de todos e de cada um, sem igualitarismos demagógicos, coisa diferente é o princípio da igualdade, independentemente das condições sociais. A inteligência e as potencialidades não têm origem social, muito pelo contrário, a escola deve promover, em igualdade, o acesso e o sucesso, melhor, a realização e desenvolvimento integral. Na Universidade, e em todas as escolas, de todos os níveis de ensino, há que integrar a interrogação, a pergunta, o questionamento nas práticas de ensino e aprendizagem, isto é, nas metodologias e nas didáticas. É preciso suscitar os porquês e os para quês, procurando testar os fundamentos e as finalidades. O perguntar tem, em si mesmo, o mérito de testar, de ativar a inteligência, de criar dinâmicas de “questionamento”. Em todas as disciplinas e/ou unidades curriculares que já lecionei ao longo da vida, tive, e tenho, sempre uma atitude de questionamento, que é inerente à linguagem e à fala na sua modalidade verbal e infinitas formas de falar. Afirma o Professor José Enes: “Falar é uma experiência hermenêutica vivida.” (Enes, 1999, p.14). Ora, os processos de ensino e aprendizagem fazem parte da “experiência humana” e tendem à sua “expressão”, para se expressar e exprimir, o sentido, os sentidos, em significação. As práticas de ensino e aprendizagem, em todas as disciplinas, e num sentido direcionado as metodologias e das didáticas, mas sempre na sua pluridimensionalidade de significação. Neste léxico de significação, são plenas de sentido as afirmações:
“Toda a experiência humana tem, como a própria experiência da fala, uma predisposição para se exprimir. Cada experiência humana se avia à expressão. A fala atua aquela predisposição e perfaz este aviamento.
Toda a experiência humana vem movida por uma tendência natural para a comunicação de si mesma. A consciência experiencial abre-se como intencionalidade manifestativa. O corpo medeia a manifestação comunicativa através do sentir. O sentir dos sentidos é a porta por onde entram as experiências e por onde sai a expressão. No sentir se trava a comunicação.” (Enes, 199, p.50)
Em toda a minha experiência como Professor, desde os 18 anos de Idade, em aulas oficiais, no 2º Ciclo do Ensino Básico, lecionando Português, Francês, História, Estudos Sociais, Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC). Embora sendo telescola, as circunstâncias permitiram, e exigiram, uma lecionação presencial, – e direta- de comunicação e de expressão, de práticas metodológicas e didáticas, tendo em vista o ensino, a aprendizagem, o questionamento, que sempre me fascinou e aos/às alunos/as das turmas, também. Foi, de algum modo, um Tempo Original e Primeiro, – quase no sentido da Fenomenologia, – do qual guardo vivas e gratas Memórias, da minha segurança em ensinar, do entusiasmo, e rigor, nos diálogos com os/as alunos/as, na transmissão dos conteúdos, em interlocução que permitia aferir que os/as alunos/as compreendiam tudo o que lhes era explicado, em dinâmicas de perguntas e respostas, num desvelamento de ensino e aprendizagem, com Alegria. Guardo testemunhos tão sinceros desses/as Pessoas-Alunos/as, que hoje me cumprimentam, com muita Alegria. Nas interações e diálogos, dava-me conta da inteleção e da compreensão, expressas na vivacidade dos rostos, ávidos de conhecimento. Como Pessoa-Professor também estava ávido de conhecimento e com uma manifesta Alegria em ensinar. Tudo o que disse anteriormente, aplica-se, na sua especificidade, a cada disciplina, mas também há aspetos transversais. No 10º, 11º e 12º anos a disciplina fundamental foi “Introdução à Filosofia” (Filosofia). Considerando as investigações por mim realizadas, os temas, e tendo em conta o programa, na altura, que, de um modo ou de outro, se retomam, num ou outro sentido, os alunos destacam os seguintes temas: “A Dinâmica do Ser Humano no Mundo; A Ação e a Questão dos valores”, “O universo da lógica”, “A filosofia no Tempo”, “A problemática do ser e do Conhecer” e, principalmente, “O Ser Humano e o Sentido da Existência”. (Medeiros, 2002, p. 196). Foram investigações, que tiveram uma parte empírica, mediante a aplicação de “Inquérito por questionário”, que permitiu uma bateria de questões e uma mina, com sólidos fundamentos, sempre atuantes, para a compreensão das temáticas e problemáticas, permitindo a explicitação de muitas metodologias e didáticas desenvolvidas, e a desenvolver, no Ensino Secundário, mesmo que, agora, nesta fase, esteja em vigor o Documento “Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória” (PASEO) e as designadas “Aprendizagens Essenciais” (AEs), que é uma expressão equívoca, visto que as aprendizagens ocorrem nas dinâmicas e não são depósitos de conteúdos, prévios, questões que é preciso dilucidar em todos os anos e em todas as disciplinas do Ensino Básico e do Ensino Secundário.
Nos anos em que há exames, tende-se a privilegiar a lógica do ensino e não tanto, como seria desejável, a lógica da aprendizagem, visto que se pretende obter resultados, a partir de conteúdos mais padronizados e ensinados, de modo funcional. As metodologias e didáticas que visam a lógica da aprendizagem potenciam a “problermatologia” e o “questionamento” (Meyer), tornam os professores e os alunos agentes ativos na (re)construção dos conhecimentos e dos saberes. Tenho esta experiência em Didática do Estudo do Meio e Metodologia do Ensino do Estudo do Meio e nas demais Metodologias de Ensino e Didáticas, e muito, em Filosofia da Educação e em todas as Unidades Curriculares, lecionadas, por mim, na Universidade dos Açores. Em todos os anos, desde a educação pré-escolar, até ao ensino superior universitário, pretende-se que cada aluno seja um agente ativo da sua aprendizagem, mas isso dá-se em contextos de comunicação, dinamismo e transformação, em contextos de (re)significação e de sentido(s), potenciando as experiências e as vivências, fazendo com que cada aluno/a seja pessoa-sujeito, – sujeito epistémico -, em processos de ensino, aprendizagem e aprendizagens, em projetos de Ser.

Referências bibliográficas:
Enes, José (1999). Noeticidade e Ontologia. Lisboa, INCM
Medeiros, Emanuel Oliveira (2005). A Filosofia como Centro do Currículo na Educação ao Longo da Vida. Lisboa: Edições Piaget.
Medeiros, Emanuel Oliveira (2002) A Filosofia na Educação Secundária: Uma Reflexão no Contexto da Reforma Curricular e Educativa. Ponta Delgada: Universidade dos Açores.
Reimão, Cassiano (2008). (Coordenação). Apresentação do Colóquio. Pedagogia Universitária. Lisboa: Universidade

*Texto originalmente publicado na Revista Nova Águia, nº 36, no passado mês de outubro, Revista com Revisão por pares, fundada em 2008, pp: 170-176.

Emanuel Oliveira Medeiros*
Professor Universitário
*Doutorado e Agregado em Educação, Especialidade de Filosofia da Educação
Centro de Estudos Humanísticos da Universidade dos Açores
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas

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