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Lotaçor leva “rastreabilidade e coesão” piscatória à Ocean Week – Cabo Verde quer aprender com o modelo açoriano de primeira venda em lota

Teve lugar em Cabo Verde, no Mindelo na ilha de São Vicente, a “Cabo Verde Ocean Week”, que se afirma como um dos maiores fóruns africanos de Economia Azul, juntando decisores, empresas e organismos internacionais em torno de projetos, parcerias e cenários para o futuro do oceano e, em particular, das pescas.
A Lotaçor – Serviço de Lotas dos Açores, S.A. participou, neste encontro, a convite do Ministro do Mar cabo-verdiano, integrando um painel organizado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), agência da Organização das Nações Unidas (ONU), dedicado à “primeira venda de pescado”.
Paralelamente, houve um momento bilateral com representantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que ampliou o alcance lusófono da iniciativa.
Na sua intervenção, a Lotaçor apresentou o núcleo das suas responsabilidades: garantir a rastreabilidade desde o desembarque até à primeira transação, assegurar padrões de segurança e qualidade alimentar e produzir dados fiáveis ao serviço da ciência e da decisão pública. Sublinhou ainda as dimensões social e ambiental da sua atuação, do papel na coesão territorial das comunidades piscatórias açorianas à promoção de práticas que valorizam o recurso e estabilizam rendimentos em mercados de pequena escala e alta variabilidade.
O interesse cabo-verdiano concentrou-se precisamente no desenho institucional e operativo da primeira venda, numa fase em que o país acaba de regulamentar esse momento crítico da cadeia de valor e “dá os primeiros passos” na organização das lotas. Em encontros informais onde marcaram presença o Ministro do Mar de Cabo Verde, os Diretores Nacionais das áreas das Pescas e Aquicultura e das Políticas do Mar, e o Secretário de Estado português com a tutela das Pescas e do Mar, Salvador Malheiro, ficou patente a intenção de Cabo Verde se inspirar na experiência açoriana, quer no modelo de leilão e certificação, quer nos mecanismos de recolha e integração de dados para gestão e transparência.
A participação açoriana ocorreu num contexto de trabalho que colocou o mar no centro da agenda, com enfoque em sistemas de primeira venda que reforcem a confiança, melhorem a informação estatística, promovam qualidade e aumentem o valor em terra.
Para os Açores, o encontro no Mindelo funcionou também como plataforma de diplomacia económica e técnica no espaço atlântico da CPLP, permitindo partilhar soluções amadurecidas em territórios insulares que enfrentam desafios logísticos e de escala semelhantes aos de Cabo Verde, refere a Lotaçor em nota informativa.
Ao colocar rastreabilidade, segurança alimentar e dados abertos como pilares da sua intervenção, a Lotaçor posicionou o caso açoriano como referência prática para países que procuram estruturar o mercado primário do pescado, equilibrando sustentabilidade, rendimento dos produtores e defesa do consumidor. A expectativa, agora, é que o diálogo iniciado em Mindelo se traduza em cooperação técnica concreta, acelerando a implementação cabo-verdiana e reforçando a interoperabilidade estatística no espaço lusófono.
Foto:www.lotacor.pt

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