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16 Dias de Ativismo pelo fim da Violência Contra as Mulheres – O mundo não está preparado para pessoas como eu

Diariamente interrogo-me sobre o verdadeiro sentido das palavras — respeito, empatia, justiça. Tento compreender. Sou persistente, mas a verdade é que não encontro respostas. Ou, talvez, não existam justificações para aquilo que vivo todos os dias.
Há quem diga que sou uma exceção à regra, que sou guerreira. Não percebo porquê. Sou Mulher — como tantas outras — e ainda sou Mãe, Filha, Esposa, Trabalhadora, Empreendedora. Responsabilidades não me faltam. Competências também não. A única diferença está na forma como caminho, sobre rodas. E, ainda assim, permaneço invisível. Invisível — como eu, tantas outras mulheres e homens.
A vida na ilha de São Miguel, nos Açores, não está feita para quem tem a mobilidade condicionada.
São os passeios estreitos, erguidos acima do nível da estrada.
As passadeiras que começam e terminam num degrau.
Os postes de eletricidade plantados a meio dos passeios.
Os lugares de estacionamento ocupados por quem “só vai ali cinco minutos”.
Cinco minutos!
O que não sabem é que cinco minutos pode significar uma vida inteira de espera.
A minha persistência impede-me de baixar os braços. Mas há limites — e a falta de respeito é um deles.
O mundo não está preparado para pessoas como eu.
Experimentem nascer mulher e ter uma deficiência motora.
Experimentem ser mulher, ter uma deficiência motora e ser mãe.
Experimentem ser mulher, ter uma deficiência motora, ser mãe, trabalhar de segunda a sexta-feira, ser esposa, empreendedora e dona de casa.
Parece pedir muito? Pois esta mulher sou EU.
E como eu, há muitas outras.
Não sou diferente.
Sou apenas uma mulher que se recusa a ser definida pela sua condição física.
Sou muito mais do que isso.
E é por isso que não me resigno — nem mesmo quando estacionam o carro no passeio e me impedem de entrar no meu local de trabalho; ou quando vou a espaços públicos sem acesso e tenho de ser atendida à porta; ou quando estou na fila prioritária de um supermercado e sou ignorada por outros clientes; ou pior ainda, e esta sim é a que mais me magoa, quando estou a passear com o meu filho e recebo olhares de espanto como se a minha deficiência me fizesse menos mãe e mulher.
“Coitadinha” é o que tantas vezes oiço. Mas como posso ser “coitadinha” se tudo o que faço é lutar?!
O mundo não está preparado para pessoas como eu. Mas eu estou preparada para o mudar.

Ana Martins
Campanha 16 Dias pelo Fim da Violência contra as Mulheres 2025

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