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Em vésperas do Natal

Já não se envia postais de Boas Festas coloridos, brilhantes, com ou sem presépio, com árvore de Natal ou com Pai Natal.
A digitalização encarregou-se de oferecer mensagens formatadas, com mensagens estereotipadas, com votos de amor, paz e alegria inócuos, adequados às normas de um consumismo liberal feroz que discrimina os carenciados e engorda ainda mais os anafados.
Já não vêm cartas da América, com uns dólares para o jantar da Festa, nem postais com fotografias da casa e do carro novo, comprado com os primeiros salários dos trabalhadores das fábricas de texteis da Nova Inglaterra.
Dos envelopes exalava um perfume que penetrava nos retratos dos “pequenos”, cujas caras se acariciava carinhosamente, como se nunca tivessem partido.
– Pudera não!… mês ricos filhs! Aquila é même uma terra abançoada! Inté parece que fôu onte que imbarcarim na cedade e já parecem uns homs perfats. Banza-les Dês!
E o comentário das mães e avós repetia-se junto das vizinhas, enquanto a carta, já sebenta e engordurada, passeava de mão em mão com as fotografias dos “mês nets”, que “nã há crianças mai lindas e espertas!”
Tudo isso se perdeu, levado pela rapidez da net e das redes sociais que não poupam ninguém do sigilo e do bom-nome e escancaram portas e janelas ao mundo dos algoritmos que nos invadem sem pedir permissão.
A globalização padronizou toda a simbologia do Natal. Muitos enfeites decorativos que inundam os espaços comerciais têm nuances identificativas e interessantes dos países onde são produzidos. A grande maioria, porém, descontextualiza as personagens principais do Presépio e junta-lhes adereços que só pretendem acrescentar, sem conteúdo, mais luz e cor.
É andar por aí e observar os motivos natalícios.
Dos tradicionais pinheiros e criptomérias que enfeitavam as casas e atapetavam o chão térreo de muitas habitações, passou-se, rapidamente, às altaneiras pirâmides com milhares de lâmpadas, sem olhar aos gastos de energia, contradizendo as metas ecológicas dos projetos europeus que financiam com milhões investimentos públicos e privados.
E releva-se os novos padrões profanos, esquecendo que a Estrela de Belém anunciou aos pastores o nascimento de Jesus num estábulo, em Belém para que fossem adorá-lo, deitado numa manjedoura, ao pé de Maria e José.
Esta foi a grande mensagem que o “Poverello” de Assis – São Francisco – decidiu propor aos homens e mulheres do século XIII (1223), quando armou o primeiro Presépio e que chegou aos nossos dias.
A encenação do Nascimento, todavia, parece estar a desaparecer, em razão da laicidade e da descristianização.
Mantêm-se, no entanto, na alma popular e na identidade açoriana, expressões, tradições e celebrações que dificilmente passarão ao esquecimento das futuras gerações. Porque envolvem uma carga emotiva e religiosa enorme; porque permanecem no imaginário de gerações; e porque se alimentam do Evangelho e da Tradição da Igreja que assenta e alimenta a sua missão pastoral na vinda do Messias – Salvador do mundo que liberta todos os homens e dá-lhes um novo sentido à vida através da prática da justiça, do amor e da paz.
Há ainda quem, nas rotas da vida, não dispensa a participação na Missa do Galo e o beijo ao Menino.
São sinais de que a Luz verdadeira transmite uma mensagem mais forte e atrasente que a bela e dispendiosa prenda que se desfaz com o passar dos anos e se atira ao lixo.
“Um Menino nos foi dado. Ele é o Príncipe da Paz.”
Boas Festas!

José Gabriel Ávila *
Jornalista c.p. 239 A
http://escritemdia.blogspot.com

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